Mesmo quando o tempo está escuro, sempre corremos o risco da vida mostrar a sua cor… Aliás, quando as situações parece não estarem equilibradas é que podemos apreciar de como a força da beleza se sustenta. E é quando a tristeza se faz presente que um sorriso nos ajuda a perceber que a vida só é tão rica porque essa variação de estados, frequências e sintonias coexistem. Basta buscarmos mais identificação com que é bom em vez de estacionarmos na garagem sombreada pela solitária dor…
Mês: Março 2025
15 / 03 / 2025 / Moema*
Ao ver o Sol se por em Moema — estava num ponto mais alto — atravessei o meu olhar através dos prédios, casas baixas, árvores, colinas, vales e rios para cada vez mais fundo no Tempo. Moema tem origem no Tupi moeemo, calcado no gerúndio, que quer dizer “adoçando”. Transformado para o feminino, significa “aquela que está adoçando”. O nome foi criado pelo Frei de Santa Rita Durão, para um personagem do seu famoso poema “Caramuru”, que conta a história do náufrago português Diogo Álvares Correia, na época em que viveu entre os índios Tupinambás. Por alguns instantes, voltei a eles. Inocente do destino do meu povo que morrerá-morre-morreu. Outra versão sobre o significado de Moema é “mentira”…
*Texto de 2020.
14 / 03 / 2025 / Repercussões De Uma Pedra Jogada No Lago
O Mundo nunca foi, comparativamente, um lago sereno localizado entre montanhas que o guarda. Antes tem se assemelhado a Mar enfurecido, tempestuoso e sem regras. Bem, não estamos longe da verdade ao constatar que em breve o desequilíbrio climático fará com que de onde surgiu a vida no planeta poderá ser o fator desencadeante da morte da vida como a conhecemos na Terra.
Porém, apesar da imagem do Lago não se aplicar aos nossos tempos — os últimos 200 anos —, é condizente com a imagem que quero colocar: o da pedra no jogada que provoca em sua superfície o efeito de ondas concêntricas repercutidas ao longo da extensão que será mais extensa em distância tanto quanto maior o peso e/ou força com que for lançada sobre a sua face líquida.
E qual seria a pedra da vez? Um homem que guiado à cadeira de Presidente da nação atualmente mais influente do planeta tem como plano sub-reptício destruir os parâmetros econômicos comerciais sobre as quais se assentam as relações entre os países. Não que fossem perfeitas, ao contrário, mas a base sobre a qual quer erguer as novas diretrizes é sobre terra arrasada, tendo como entidade superior ao final do processo as fronteiras do seu País que, aliás deseja ampliar como se estivéssemos em nova etapa do Colonialismo. O que já acontecia em termos culturais, mas que não lhe dá a chance de aproveitar as riquezas minerais às quais quer ter acesso.
Acesso a commodities que estimulam a exploração predatória faz parte da agenda do tipo a qual chamo de “ultra branco supremacista”, com com características típicas do neonazismo como perfil político ideológico. As suas ações em pouco de “governo”, com todas as aspas possíveis, desestruturou várias agências regulatórias, demitiu muitos funcionários públicos responsáveis pela sustentação da Burocracia americana. Eu me lembro de uma vez em que se falava sobre o mau governo de um dos presidentes e o fato dos EUA continuarem com a sua estrutura funcional era o trabalho da administração pública que entrava presidente, saía presidente, continuava incólume.
Pelo poder e tamanho dessa pedra no caminho da nossa História, não duvido que o seu lançamento provoque não apenas aquelas simples e pequenas ondas concêntricas, mas expulsão da água do lago. Não gosta de ser pessimista, mas tudo irá piorar antes de melhorar, se não nos organizarmos para nos proteger dessa nova onda Imperialista.
Foto por Vilius Liulys em Pexels.com
13 / 03 / 2025 / Considerações Sobre O Amor
Os humanos são seres que desenvolveram civilizações buscando o equilíbrio nas condições de sobrevivência da espécie. Os primeiros grupos eram nômades e foram se tornando sedentários conforme se fixaram à terra. Implementaram a agricultura, criaram sistemas de proteção-dominação, uniram-se em grupos que separavam os seus companheiros em estâncias – famílias, amigos, colegas, subordinados, senhores.
Desenvolveram religiões, cânones de fé – criados à suas semelhanças, aparando arestas – desenvolvendo comportamentos, tarefas e proibições. O prazer e o riso tornaram-se vigiados. Fecharam-se em grupos menores aos quais foram se amarrando em laços de afeição e rejeição, confundiram os sentimentos e as emoções. Tentaram controlar mentes, desejos, preferências, identidades, funções, destinos – o fluxo vital.
O Amor foi se apequenando. Individualizado, cercado de nacionalidades, línguas e linguagens, significados e significantes, a maior coisa que existe tornou-se um anátema, origem de maldições e excomunhões, a depender de quem, a quem ou ao que declarasse.
A supor que as frequências ondulantes no Nada em determinado instante se concentraram e deram origem à expansão do Universo, o Amor surgiu como uma força original – criadora e “destruidora”. Como a morte, a destruição é apenas uma faceta da sempiterna transformação. O poético é que não há fim previsível e, ainda que haja, a ciência desse fim é irrelevante. Mesmo o Nada, é Amor.
O que proponho igualmente é improvável. A minha percepção é que apesar de todo o ódio que rege a História humana, cada gota de Amor acaba por sustentar a nossa existência. Uma espécie de “cola” que cimenta a nossa permanência neste planetinha.
Que essa totalidade não pareça um milagre da Vida é muito estranho para mim. Onde veem o inóspito, eu vejo possibilidade; onde consideram deserto, eu encontro função; onde encontram sofrimento, percebo aprendizado; onde determinam a raridade, eu aceito a afirmação.
Num dado contexto de minha existência percebi que a maneira como dirigimos o nosso olhar, estabelecemos uma conexão com variadas possibilidades de ser. Há quem aceite algumas referências como irrefutáveis. O pior é quando se começam a comparar dados materiais como se fossem aferições de nível de felicidade. Neste âmbito, entra o Amor compartimentado – amores, amorzinhos, afeições, paixões, simpatias – e contrários.
O Amor é sensível quando estamos desvestidos de tantas precauções arregimentadas durante anos de vivência sob determinadas estruturas sociais – muralhas de segregação. Normalmente porque confundimos os graus da expressão amorosa. Separar o joio do trigo é quase um segredo.
Ao abrirmos o coração, sofremos reveses, crescemos em prevenção, buscamos refúgios. A busca da perfeita sintonia só se dá quando ignoramos o medo, inimigo da verdadeira entrega. Algo que a roupa que trajamos – o corpo – só atrapalha, mas que ainda é o meio pelo qual o conhecemos e o sentimos, vivemos ou morremos por ele neste mundo material.
Foto por George Becker em Pexels.com
12 / 03 / 2025 / OLS
Em certa ocasião, soube que um tal de “Português”, do qual apenas ouvira falar, estava propagando a “informação” que nós, meu irmão e eu, componentes da pequena empresa de locação de equipamentos de iluminação e sonorização — Ortega Luz & Som — éramos péssimos prestadores de serviço, que não entregávamos o que prometíamos. Fiquei indignado porque a nossa malandragem era justamente sermos totalmente claros, abertos e honestos quanto ao nosso atendimento.
Sem querer, provavelmente interferimos no seu nicho de clientela. Depois, decidi que, ao contrário de meu irmão e sócio (que não esquece), não valia a pena responder pessoalmente ao sujeito. A nossa melhor resposta foi continuarmos a trabalhar conscienciosamente. Para caminhar na contramão das atitudes correntes, quando não podemos servir a demanda, indicamos parceiros para que os clientes não fiquem sem atendimento. Não temos receio de “perdermos” os nossos contatos. “Quem tem competência, se estabelece”. Mas, principalmente, buscamos não me amesquinhar.
Nossa pequena empresa está há mais de 30 anos no mercado. Do tal de “Português“, nunca mais ouvi falar…




