
Na madrugada, deitada em sua caminha, junto à cama do casal, a Tânia pôde constatar que Lola Maria fez a sua passagem. Sou daqueles que entendem que a consciência evolui a cada vivência em seres de organizações físicas cada vez mais sofisticadas. Quem convive com cães, gatos e outros animais de estimação percebem que, de alguma forma, eles se comunicam conosco, desenvolvem a intimidade de quem compreende quando estamos emocionalmente abalados, tristes, depressivos e, da mesma maneira, ao contrário. E nem é preciso a expressão verbal, mas o olhar de quem não tem medo de nos ver como somos ou estamos.
Lola Maria foi encontrada há dez anos correndo esbaforida pelas ruas. Encontrada pela Romy e pela Ingrid, foi trazida para nós. Assim, a cachorrinha magrela e sapeca foi crescendo… para os lados. Muito gulosa, o seu cardápio era extenso em termos de gostos: banana, mamão, abacaxi, melancia, ovos mexidos e ração molhada. Quem chegava em casa nem sempre era bem recebido. Para alguns, os “lambeijos” mais rápidos da Zona Norte de São Paulo muitas vezes invadindo as bocas desavisadas das visitas. Ou, para a nossa chateação, mordidas traiçoeiras em calcanhares menos protegidos.
Nas últimas semanas, começou a crescer a nossa percepção de dores nas costas. Há mais tempo ainda, uns meses, havia começado a engasgar até ao tomar água. Com a nossa crescente preocupação, iniciamos consultas com veterinários para minimizar seu sofrimento, mas certamente a idade de cerca de 12 anos começou a cobrar o seu preço. Lola Maria, minha netinha, filha adotiva da Lívia, deixará saudade, que eu considero um sentimento de “presença na ausência”. Assim como os amores anteriores — Tarzan, Gita, Fofinha, Sandy, Lua, Penélope, Dorô, Frida, Dominic, Elvis, Baleia, Cotoco, Índie e vários outros amores — esses seres nos fazem pessoas melhores, mais atentas às nuances de sentimentos tão delicados quanto poderosos como o amor incondicional que eles nos devotam.
Lola, você nunca deixará de passear pelos pensamentos nas ruas da memória de nossa família enquanto vivermos!









