Eu, meu neto Bambino no colo e a Ingrid junto à minha neta Maria e meu neto Faraó
Mais uma vez, estive trabalhando numa data que se conflituava com um dia importante para mim – o do nascimento da Ingrid. Desde pequena, demonstrava uma personalidade vibrante, a aquariana. Todos os anos, ela costuma sair em blocos em que desfila a sua personalidade vibrante e alegre. Mas não é uma alegria inconsequente, mas necessária. É quando ela combate o seu profundo mal-estar com o mundo e se entrega ao lado lúdico da vida. Foi durante um dia de Carnaval que ela viu um homem bem grande que lhe sorriu e foi ao seu encontro. Certa vez perguntei ao gigante como é que ele, do alto de seus dois metros de altura, vislumbrou a jovem mulher de um metro e sessenta no meio de tanta gente. Ao que ele respondeu: “Ela brilhava!”… Nunca duvidei.
Ela consegue reunir em torno de si amigas e amigos especiais, além de ser uma referência para as suas irmãs que a admiram e lhe amam. Dia 17 de Fevereiro caiu numa Terça-Feira de Carnaval. E é como num samba-enredo feliz que ela sublima a dor e sua história se desenvolve, apesar das mazelas às quais é obrigada a conhecer como advogada que luta por desvalidos e injustiçados. Se há um nome que possa ser dado a esse enredo é o de “A Pequena Que Se Agiganta” quando trabalha como defensora da dignidade humana.
Eu sou pedestre, um passageiro de transporte público e privado e um carona em carro particular. Isso me dá a oportunidade de observar o meu entorno com maior atenção. Costumo registrar por imagens vários pontos de São, desde a Periferia da Zona Norte onde moro até as regiões mais centrais e as de regiões mais abastadas de São Paulo. Aqui, mostrarei algumas que me chamaram a atenção. Tenho tantos registros que fica difícil escolher. As que aparecem aqui não são exatamente as melhores, mas as mais recentes.
Esta foto eu fiz há uma semana. Declaração tão ostensiva de amor ainda mais por uma esposa nunca vi. Fiz algumas considerações mentais acerca da frase. Não duvido que ela possa excitar a imaginação de muitas mulheres que talvez queiram saber quem seja tal sujeito, enquanto incomode muitos maridos mais contidos em entoar mensagens mais explícitas. Registro feita na minha rua.
Passo muitas vezes pela Estação Barra Funda de Metrô que também incorpora uma Estação Rodoviária para cidades do Interior e para vários bairros da região da Zona Norte, Oeste, Central, além de ser uma conexão ferroviária para cidades da grande São Paulo. A Barra Funda é um bairro muito importante na minha vida. Foi lá que vivi boa parte da minha infância no Parque Infantil Mário de Andrade, onde encetei o meu contato com a Arte de várias expressões — interpretação, música, escrita, plásticas. Muito mais tarde vim a saber que era um das últimas unidades do projeto criado pelo próprio Mário de Andrade nos Anos 30, quando foi Secretário Municipal de Educação.
Num dos retornos de um trabalho, registrei a Basílica de Nossa Senhora de França, na Zona Leste. Eu vivi até os sete anos na região da Penha, mais propriamente na região da Vila Esperança. Fui batizado na velha Igreja da Penha, bem próxima dali.
Entre o arvoredo, divisei essa bailarina na lateral de um edifício. Achei graciosa a representante de uma arte da qual amo ver a expressão, ama não tenho nenhuma aptidão de executar. Aliás, o próprio prédio me pareceu interessante, um velho exemplar dos Anos 80, por aí…
Essas duas pinturas se encontram em construções de Santa Cecília, um bairro junto ao Centro que passa por um processo de ressurgimento em termos de investimentos de novas construções, mas que também apresenta um cenário de São Paulo antiga. Conheço muito a região porque uma das minhas filhas mora há alguns anos por lá, além de ter trabalhado muitas vezes no Clube Piratininga por duas décadas.
Esse personagem eu encontrei na passarela de pedestres que atravessa por cima da Avenida 23 de Maio na região de Moema. Sozinho, quieto, poderia até estar cochilando, mas parecia estar acordado, quase num transe meditativo. Estava a caminho de uma visita técnica para um futuro evento e senti muita vontade de tocá-lo. No entanto, o deixei por lá, mas nesta última semana nunca deixei de pensar nele. Mais uma personagem anônima que me deixou marcas…
Decidi reler livros de minha autoria, que são cinco e o sexto foi Alice — Uma Voz Nas Pedras — de Lunna Guedes, que me impressionou por ser tão pungente quanto radical ao adentrar na mente de quem sofreu abuso por ser “apenas uma mulher”. Sobre um dos capítulos, escrevi um texto, o chamando de “O Capítulo Perfeito“.
No último parágrafo do meu texto escrevi: “Ao encontrar a autora hoje, a parabenizei por criar-reproduzir uma Alice que poderia ser tantas. Fazer uma resenha de um capítulo apenas parece estranho, mas esse que termina na página 93 me surgiu perfeito. Resume uma vida inteira em suas linhas. Proclama o desamor e faz inspirar amor, cuidado, atenção aos pormenores e ao sentido de ser-estar-ir-partir. Continuarei com Alice em mãos e, agora, no coração. Vou cuidar dela com todo o desvelo, sabendo que vivi em sua casa antes que soubesse que lhe pertencia”.
Em “Confissões” pretendi repassar a minha vida tentando ser o mais sincero e franco possível até as raias da auto preservação. Revela muito da minha relação com o Sr. Ortega, meu pai. Ainda voltarei a ele em outra oportunidade em forma de livro. Mas além dele, a minha família participa como dados de relação pessoal. Percebi que eu os usei para falar mais de mim do que sobre ela, incluindo a personagem central do nosso grupo, a Romy, minha primogênita que, devido à sua condição de saúde, foi moldando o nosso funcionamento como família. Mas ainda assim é um livro do qual gosto, porque consegui estabelecer uma escrita fluída.
Sobre o “RUA 2“, acabei por receber através de uma amiga o comentário de um rapaz para quem ela o emprestou: “Nossa! É muito interessante a forma como ele vagueia com os contos sobre a rua em que ele morava. Ele traz as cenas cotidianas, suas gentes, os lugares… E cada conto ou capítulo traz o número da casa, achei isso maravilhoso. Cada personagem tem uma história… e os vários fragmentos da vida dele e da trajetória que ele traz. Tinha algumas palavras que eu não conhecia e aí pesquisei o significado o que me auxiliou até em enriquecer o meu vocabulário Um livro muito interessante e bonito!”
Eu comecei a publicar o que eu escrevia nas redes sociais, principalmente no Facebook. Obtive uma boa repercussão e as respostas me deixaram animado a publicar mais com observações do cotidiano das pessoas ao meu redor, meu meio social e sobre situações de grande visibilidade. Mas as histórias reais eram a minha maior motivação para jogar luzes sobre detalhes às vezes não notados, mas que sinalizam as sutilezas que tornam a vida interessante.
“Senzala” é uma novela que me desafiou a ir mais profundamente na obscura alma humana. Criei situações em que o ser humano usa o outro por pura vaidade. O poder é baseado no desejo básico, quase animal, de satisfação sexual. Quando a personagem central se sente traída em sua vaidade, responde com o poder sobre a vida, a suprimindo.
Prestes a ter uma séria crise de ansiedade, me desloquei para o Litoral Norte e passei quatro Luas junto ao Mar. Ao mesmo tempo escrevi este livro que me trouxe alívio e, por ele, tenho imenso carinho. São relatos que mostram o quanto a Pandemia influenciou em nosso cotidiano, que coincidiu com uma espécie de abertura da Caixa de Pandora ou diria da tampa do esgoto da expressão mais canhestra de boa parte do povo brasileiro. A decepção que senti ajudou a tornar meu equilíbrio psicológico mais precário. No entanto, após essa estadia em Ubatuba, voltei renovado, trazendo o seu Mar cálido dentro de mim. Salvei-me…
Trabalho em eventos, normalmente realizando a sonorização e a iluminação de shows. Como costumo dizer, faço parte da tradição do Circo e dos artistas mambembes, se deslocando de lugar em lugar, montando equipamentos para os artistas se expressarem.
Nesse ínterim, a depender do lugar, aproveito para relaxar. Como ocorreu no último dia do ano, em Caraguatatuba. O contato com a Natureza me restabelece as forças, enquanto mergulho no Mar ou caminhe pela areia. Assim, me despedi de 2025.
Registro lateral da apresentação da banda para os presentes nas festa do Réveillon
Já no primeiro dia de 2026, depois de passar o dia com a família, aproveitei o silêncio da noite para adentrar nos mundos de Stranger Things — o Invertido e o Direito — na eterna luta do Bem contra o Mal. O principal dilema ficou por conta do direito de escolha — entre um e outro — porque, de fato, é isso que ocorre no mundo “normal”. Caso contrário, não estabeleceríamos regras e leis para a mútua convivência para os seres humanos entre si e entre nós e os outros animais, porque em última instância, nos esquecemos que somos todos filhos de Gaia. E o mínimo que podemos e devemos fazer é respeitar as diferenças entre nós.
A série foi lançada há alguns anos, mas decidi acompanhá-la apenas neste 2025 que se encerrou há dois dias. Além do enredo entremeado por teorias físicas que são muito atraentes para mim, a questão moral e das discussões cadentes como homossexualidade e aceitação de diferenças comportamentais de quem está adolescendo — a fase mais difícil para qualquer pessoa — pois é quando descobrimos as contradições entre ser e não ser, no momento em que apenas “estamos”.
A série termina em 1989, ano de nascimento da minha primogênita e sinaliza o término da rica década dos 80, principalmente em termos musicais, com a trilha baseada nos temas de então. O que é interessante pois marcou para mim a entrada na vida adulta com o casamento e a chegada das três filhas. Além relembrar a grandíssima Kate Bush, a série reservou para o último episódio o artista musical mais criativo da década — Prince — um dos meus favoritos, ao qual dediquei um capítulo em meu livro de crônicas — REALidade, com “A Revolução de Prince Em Minha Vida”.
Ah! Apenas para pontuar: “I believe!”…
Na madrugada do 1º dia do ano para o dia 02, eu e o Bambino assistimos ao último episódio de Stranger Things…