
Sou franciscano. Alio a uma perspectiva orientalista a minha visão de mundo essa postura em que até as ervas daninhas tem direito à existência. E baratas e camundongos. Falo sobre eles porque estão envolvidos em dois episódios recentes em que busquei preservá-los. Uma barata tentava entrar dentro de casa, eu a recolhi e a coloquei no jardim. Meia hora depois, a minha irmã pisou na bichinha com gosto, exclamando: “uma barata!”…
Mais tarde, à noite, um camundongo entrou dentro de casa e se dirigiu a um canto. Fui até onde se escondeu e fiz com que saísse correndo. Achei graça quando até derrapou na curva em direção a saída pela porta, exclamando: “Se manda, cara! Estou tentando salvá-lo!”
A minha crença é que todos os seres estão interligados à uma espécie de energia vital e apesar de estarmos em níveis diferentes de complexidade orgânica, deve existir o respeito a cada expressão de vida. Alguns dirão que há animais peçonhentos, outros que transmitem doenças como as próprias baratas e camundongos. Porém, há de se lembrar que as transmitem porque vivem na sujeira produzida pelo supostamente ser superior — nós mesmos.
De toda forma, vivemos todos em constante desenvolvimento energético e saber lidar com as gradações desse processo conscientemente é nosso grande destino.







