Respiração Boca A Boca

respiro por sua boca
enquanto mal resisto vivo
a espera de reencontrá-la
para buscar a sua língua que me fala
em silêncio de seu amor que grita
e me cala
em meu corpo que vibra em ação
vibração
em um jogo agudo de sins e nãos
toques e recortes de vida
e quase morte
sei que a minha sorte é ir ao sul
de meu norte
rumo ao reino da rainha abaixo
do equador de seu corpo
respiro por sua boca
quero ir além talvez morrer de amor
doença da qual não tenho anticorpo…

Foto por Rut Isasi em Pexels.com

Meu Irmão, Humberto…

Eu e meu irmão, Humberto

Ontem, dia 17 de outubro, aniversariou — 62 anos. Sócios na Ortega Luz & Som, estávamos em atividade. Não é incomum deixarmos de lado datas comemorativas pessoais e familiares, enquanto trabalhamos em festas para os outros. É quase uma regra. Ajudava o fato de estarmos junto a colegas com os quais temos boas relações.

Há quatro anos, meu irmão, ao se levantar pela manhã, se sentiu zonzo. Era uma sensação de instabilidade física, fazendo com que parecesse meio bêbado. Era uma sensação causada por um AIT — Ataque Isquêmico Transitório — também conhecido como mini-AVC. Não havia sido o primeiro. Ocorrera alguns antes, mas ele não levou tão a sério e isso fez com que ocorresse um AVC Isquêmico em seguida. Mesmo sem a coordenação motora ideal e tendo a visão periférica prejudicada, insistiu que fôssemos atravessar de Norte a Sul a cidade para realizarmos o nosso compromisso profissional — um evento em Interlagos. Pelo caminho, percebi que se chegássemos sem nenhum acidente ao local seria muita sorte. Houve um pequeno ao entrarmos na Marginal Tietê, mas nada grave — o espelho retrovisor de um carro velho foi atingido, sem maiores prejuízos.

Mas tínhamos outros quase 40Km pela frente e não foram poucas as vezes que pensei em pedir para que ele parasse em algum lugar e avisarmos que não poderíamos realizar a sonorização do evento programado. Mas o Humberto insistia em continuar o caminho. Conseguimos chegar ao local do trabalho e o fato de que o material de sonorização e iluminação já estar guardado no local, ainda que tivéssemos que montá-lo, ajudou que realizássemos o compromisso. Intimamente, já tinha uma certeza: o meu irmão teria que ser internado para verificar o que se passava. Fiquei pensando que tínhamos que voltar para casa e essa seria outra jornada bastante angustiante. Por mais que eu indicasse o trajeto e agisse como se eu fosse um navegador de rally, quase provocamos alguns acidentes. Não apenas por essa situação, mas por várias outras o que só me fez confirmar que alguma força nos preservava em seguidas situações limites.

Caso alguém estranhe de eu não assumir o volante da “Tigresa”, nossa Kombi, saibam que nunca tirei Habilitação para Motorista. Sou uma pessoa que alia a imaginação com a dispersão, ainda que consiga ter foco quando é necessário. No dia seguinte, combinei com a minha sobrinha, Veronica, excelente motorista, para que ela nos levasse ao novo compromisso e que dali, Humberto fosse levado a um hospital. Ele insistiu em ajudar a fazer as conexões para a realização do evento, após o que foi com a filha para um hospital da região. Lá, logo que perceberam que a situação dele não era nada simples, foi submetido a uma tomografia que constatou o AVC Isquêmico.

Ele cria que estivesse bem, queria voltar para trabalhar, ao que o médico teve que agir com firmeza e informar que ele estava em estado grave. O Humberto acabou por ficar uma semana internado. Desde então, o seu estado de saúde tem melhorado aos poucos estando minimamente estável. Mas o efeito mais importante desse episódio foi o de determinarmos que deveríamos diminuir as atividades profissionais, por mais que desejemos atender quem nos procura para realizar um trabalho que desempenhamos com qualidade e profissionalismo.

Trabalhar por conta não deixa de ter essa característica de sermos sempre corretos na execução de uma profissão que exige concentração e esforço para que nunca deixemos ao acaso circunstâncias que podemos e devemos controlar. E uma delas, talvez a principal, é que não vale a pena ultrapassarmos nossos limites físicos e mentais para adoecermos nesse processo. Fico feliz por continuar a ter o meu irmão ao lado para alcançarmos o sucesso de vivermos uma vida plena e consciente, caminhando mesmo que existam as dificuldades inerentes à jornada existencial para podermos nos desenvolvermos e nos tornarmos seres humanos mais completos.

Feliz aniversário, Humberto Nuñes Ortega!

Desamparado

Pessoalmente, estou me sentindo desamparado. Sofri um golpe pelo celular e nada ajudou o resultado das eleições no Primeiro Turno das Eleições de 2026. Aliás, o golpe sofri depois do golpe que foi ter um bandidinho, mas que não deixa de ser extremamente perigoso justamente por ter uma experiência familiar de sucessivos golpes na vida política — funcionalismo fantasma, “rachadinhas“, desvio de verbas para projetos de milicianos, que aliás aos quais um deles condecorou com a maior honraria da Assembleia do Estado do Rio de Janeiro — a Medalha Tiradentes — em 2005: Adriano da Nóbrega, o maior matador da Milícia e que condenado por isso, recebeu enquanto estava preso.

Esse sujeito já defendeu a Milícia em discurso quando vereador da Capital carioca dizendo que as pessoas estavam satisfeitas por estarem vivendo no local — Rio da Pedras — que elegeu a ele e a sua família de forma seguida em vários pleitos realizados. Temos documentalmente como prova que a Democracia tem um equilíbrio precário e que através dela Hitler, por exemplo, dominou o poder na Alemanha na década de 30 do século passado. E não é nada difícil que isso venha a acontecer com o advento do Bolsonarismo caso venha a ocupar a presidência, com a ajuda dos Estados Unidos que através de suas redes de Internet tem interferido nas eleições deste ano. Já ocorreu com menos intensidade na outra eleição, mas nesta há um cancelamento virtual de opiniões contrárias ao candidato, com a ajuda voluntária da Mídia corporativa, como a Rede Globo, Veja (autora de artigo de capa fraudulento), etc. para impedir que manifestações como a da Avenida Paulista no domingo passado e na Praia de Copacabana do Rio de Janeiro, na segunda-feira. Além de em várias outras capitais como Brasília, onde os estudantes tomaram conta da Esplanada dos Ministérios de forma pacífica, ao contrário do 8 de Janeiro de 2023, quando os prédios dos Poderes Judiciário e do Executivo foram invadidos e depredados em uma tentativa de Golpe de Estado. Foram movimentos noticiados em várias partes do Mundo, mas que no Brasil ficou restrito a “notas de rodapé” — uma vergonha!

Na primeira eleição que o Lula participou — contra Collor de Mello — ele já sofrera um revés com a edição canhestra do debate com a participação de ambos no dia seguinte, pela Rede Globo mostrando um Lula que não respondia às perguntas do outro candidato que se mostrou supostamente mais preparado que ele para governar. Tempos depois o perseguidor dos “Marajás” (que aliás também era) surgiu no noticiário como réu condenado por ter participado de esquemas de desvios de recursos da Saúde, principalmente, através de seu financiador de campanha — PC Farias — morto depois em um suposto assassinato e suicídio por sua companheira de então: “O empresário e ex-tesoureiro de campanha Paulo César Farias (PC Farias) foi encontrado morto em 23 de junho de 1996, aos 50 anos, em sua casa de praia em Guaxuma, Maceió (AL), ao lado da namorada Suzana Marcolino” — O Globo.

Atualmente, Collor carrega uma tornozeleira eletrônica, estando em prisão domiciliar por corrupção. Eu fico impressionado como uma emissora que tem um grande alcance midiático se alia a um sujeito de péssima índole, manipulador da fé evangélica para mostrar que tem licença divina para governar o Brasil, sendo que nem deveria estar participando das eleições pelas imputações que a Polícia Federal produziu, mas que jazz a sete palmas pelo coveiro/ministro do STF André Mendonça.

Enfim, dia 25 de Outubro de 2026, definiremos os caminhos que tomaremos como País — se será aquele que resistirá ao assédio de outro poderosíssimo que apenas deseja nos espoliar, sem nenhuma contrapartida a não ser enriquecer os que são ricos e do entreguismo puro e simples, incluindo a perda de avanços sociais nas áreas da Educação, Saúde e Segurança — área descoordenada pela ação de Polícias comandadas pelos Estados, mas que o oponente de Lula joga no colo do Presidente, como o aumento do feminicídio que aumentou justamente no bojo do Machismo defendido por seu pai quando Presidente.

Foto por Diogo Miranda em Pexels.com

Golpeado

A imagem do aparelho acima é do meu aparelho celular. O aparelho é imprescindível para a vida moderna. Através de um objeto que tem uma tecnologia mais sofisticada do que o foguete que levou os primeiros homens à Lua recebemos o mundo em nossas mãos — notícias de países distantes ou acontecimentos de lugares próximos, conversas entre parentes, amigos e movimentos ideológicos que pressupõem soluções rápidas e fáceis para problemas complexos.

Igualmente, avanços sociais podem ser reduzidos a pó por pessoas que não acreditam que um governo não deva trabalhar para diminuir as distâncias entre as camadas sociais que vivem no Brasil um estado lastimável num país tão rico em recursos materiais. Mas nossa história perpassa por 400 anos de escravismo e essa mentalidade vive subjacente à gênese das pessoas que acham que hajam tais diferenças como se fossem naturais desde que o mundo é mundo.

O Golpismo é outra característica de nossa história política. Mas não apenas. O número de golpes cotidianos aos quais sofremos são muitos e variados. Principalmente pelo celular podemos nos colocar em risco financeiro e, eventualmente, de vida. É comum vários homens e mulheres caírem num golpe que envolve desejo de contatos íntimos, algumas vezes resultando em morte. No meu caso, foi por uma certa ingenuidade. Eu contrariei as minhas próprias recomendações e cliquei num Link que supostamente dava acesso a uma votação para premiação de um amigo escritor. Quando percebi que a escrita não era condizente com a do mencionado amigo, disse que desligaria o celular. Recebi a ameaça de que perderia todos os meu aplicativos, incluindo este com o qual publico — WordPress.

De fato, desapareceu do meu aparelho a maioria deles. Tive que trocar o meu número com o qual trabalho há mais de vinte anos. Mas caso não tivesse desligado, poderia até ter as minhas contas atingidas. Para angariar algum resultado financeiro da clonagem, o golpista pediu para a minha lista de contatos um valor de R$ 990,00 que seria devolvido alguns dias depois para cada um deles. Foi algo muito chato porque as pessoas se preocuparam com o que pudesse ter acontecido comigo.

Ontem, foi meu aniversário. Completei 65 anos e meu presente foi perceber que não estou à salvo de receber um golpe no recesso do meu lar. Lição de humildade. Por mais que soubesse da possibilidade, me sentia incólume a isso. Sempre é preciso estar alerta para entendermos que estamos ao alcance das frequências invisíveis que nos cercam. O País amanheceu na última segunda-feira golpeado de maneira ardilosa por um movimento forte patrocinado externamente pelo poder econômico pelos Estados Unidos da América interessados que estão em dominar a América Latina. Argentina e Venezuela foram as principais vítimas dessa invasão que apenas os mais atentos estão antenados.

O incrível é encontrarmos brasileiros que se autointitulam “patriotas” que se entregam escravizados pela ideia de fazerem parte dessa dominação ideológica/econômica/entreguista.

Projeto Fotográfico 6 On 6 / Monocromático

Eu costumo participar do 6 On 6, mas foi justamente nesse dia que sofri um golpe pelo aparelho celular. Fiquei desbaratinado e mal consegui prosseguir com os meus pensamentos concatenados. Tive que trocar compulsoriamente o meu número para continuar me comunicando com a família, amigos e clientes. Consegui recuperar pouco a pouco os meus aplicativos, incluído este com o qual me pronuncio para o mundo da escrita. Eu achei o tema proposto pela Lunna, como sempre, interessante. Gostei das imagens em tons acinzentados. Busquei como que imitá-la, mas utilizando algo que normalmente é branco ou transparente — nuvens e água.

As nuvens outubrinas tem variado em tons de cinza. Olhar o céu e encontrar nesgas em que o azul do céu aparece como um jogo de azar… ou sorte.

Devido às constantes chuvas de Setembro, as represas da Grande São Paulo que abastece a cidade voltaram a ter um nível favorável. Devido ao volume, naturalmente, por onde passei, elas estavam acinzentadas na região da Cantareira, quase como se fossem uma rodovia aquosa.

viver em cinza
não parece ser algo ruim
afinal dias ensolarados são difíceis
de aceitar
tão encalorados
assim como são as nuvens encaracoladas
mas menos encapetadas…

Em outro momento, a superfície da represa estava mais movediça, um cinza fluido, líquido… como deveria ser… o movimento cinza.

O cinzento parece ser monótono, mas a sua característica monocromática é até revigorante se mergulharmos em sua essência transcendente — nem branco, nem preto — mas ao mesmo tempo os dois. Portanto, abençoemos o cinza dos cinzas dias que se revelam menos branco que deveria, mas talvez menos escuro do que estamos imaginando… vamos esperar o final do mês para sabermos…

A última imagem é aquela que utilizei para falar sobre o golpe. O texto chama-se Golpeado. E, ao contrário das outras imagens é de um cinza escuro sólido. Tão sólido quanto o presente pesado que vivemos desde uma semana antes.

Participam:

Claudia Leonardi /  Mariana Gouveia / Lunna Guedes / Silvana Lopes