Desamparado

Pessoalmente, estou me sentindo desamparado. Sofri um golpe pelo celular e nada ajudou o resultado das eleições no Primeiro Turno das Eleições de 2026. Aliás, o golpe sofri depois do golpe que foi ter um bandidinho, mas que não deixa de ser extremamente perigoso justamente por ter uma experiência familiar de sucessivos golpes na vida política — funcionalismo fantasma, “rachadinhas“, desvio de verbas para projetos de milicianos, que aliás aos quais um deles condecorou com a maior honraria da Assembleia do Estado do Rio de Janeiro — a Medalha Tiradentes — em 2005: Adriano da Nóbrega, o maior matador da Milícia e que condenado por isso, recebeu enquanto estava preso.

Esse sujeito já defendeu a Milícia em discurso quando vereador da Capital carioca dizendo que as pessoas estavam satisfeitas por estarem vivendo no local — Rio da Pedras — que elegeu a ele e a sua família de forma seguida em vários pleitos realizados. Temos documentalmente como prova que a Democracia tem um equilíbrio precário e que através dela Hitler, por exemplo, dominou o poder na Alemanha na década de 30 do século passado. E não é nada difícil que isso venha a acontecer com o advento do Bolsonarismo caso venha a ocupar a presidência, com a ajuda dos Estados Unidos que através de suas redes de Internet tem interferido nas eleições deste ano. Já ocorreu com menos intensidade na outra eleição, mas nesta há um cancelamento virtual de opiniões contrárias ao candidato, com a ajuda voluntária da Mídia corporativa, como a Rede Globo, Veja (autora de artigo de capa fraudulento), etc. para impedir que manifestações como a da Avenida Paulista no domingo passado e na Praia de Copacabana do Rio de Janeiro, na segunda-feira. Além de em várias outras capitais como Brasília, onde os estudantes tomaram conta da Esplanada dos Ministérios de forma pacífica, ao contrário do 8 de Janeiro de 2023, quando os prédios dos Poderes Judiciário e do Executivo foram invadidos e depredados em uma tentativa de Golpe de Estado. Foram movimentos noticiados em várias partes do Mundo, mas que no Brasil ficou restrito a “notas de rodapé” — uma vergonha!

Na primeira eleição que o Lula participou — contra Collor de Mello — ele já sofrera um revés com a edição canhestra do debate com a participação de ambos no dia seguinte, pela Rede Globo mostrando um Lula que não respondia às perguntas do outro candidato que se mostrou supostamente mais preparado que ele para governar. Tempos depois o perseguidor dos “Marajás” (que aliás também era) surgiu no noticiário como réu condenado por ter participado de esquemas de desvios de recursos da Saúde, principalmente, através de seu financiador de campanha — PC Farias — morto depois em um suposto assassinato e suicídio por sua companheira de então: “O empresário e ex-tesoureiro de campanha Paulo César Farias (PC Farias) foi encontrado morto em 23 de junho de 1996, aos 50 anos, em sua casa de praia em Guaxuma, Maceió (AL), ao lado da namorada Suzana Marcolino” — O Globo.

Atualmente, Collor carrega uma tornozeleira eletrônica, estando em prisão domiciliar por corrupção. Eu fico impressionado como uma emissora que tem um grande alcance midiático se alia a um sujeito de péssima índole, manipulador da fé evangélica para mostrar que tem licença divina para governar o Brasil, sendo que nem deveria estar participando das eleições pelas imputações que a Polícia Federal produziu, mas que jazz a sete palmas pelo coveiro/ministro do STF André Mendonça.

Enfim, dia 25 de Outubro de 2026, definiremos os caminhos que tomaremos como País — se será aquele que resistirá ao assédio de outro poderosíssimo que apenas deseja nos espoliar, sem nenhuma contrapartida a não ser enriquecer os que são ricos e do entreguismo puro e simples, incluindo a perda de avanços sociais nas áreas da Educação, Saúde e Segurança — área descoordenada pela ação de Polícias comandadas pelos Estados, mas que o oponente de Lula joga no colo do Presidente, como o aumento do feminicídio que aumentou justamente no bojo do Machismo defendido por seu pai quando Presidente.

Foto por Diogo Miranda em Pexels.com

Golpeado

A imagem do aparelho acima é do meu aparelho celular. O aparelho é imprescindível para a vida moderna. Através de um objeto que tem uma tecnologia mais sofisticada do que o foguete que levou os primeiros homens à Lua recebemos o mundo em nossas mãos — notícias de países distantes ou acontecimentos de lugares próximos, conversas entre parentes, amigos e movimentos ideológicos que pressupõem soluções rápidas e fáceis para problemas complexos.

Igualmente, avanços sociais podem ser reduzidos a pó por pessoas que não acreditam que um governo não deva trabalhar para diminuir as distâncias entre as camadas sociais que vivem no Brasil um estado lastimável num país tão rico em recursos materiais. Mas nossa história perpassa por 400 anos de escravismo e essa mentalidade vive subjacente à gênese das pessoas que acham que hajam tais diferenças como se fossem naturais desde que o mundo é mundo.

O Golpismo é outra característica de nossa história política. Mas não apenas. O número de golpes cotidianos aos quais sofremos são muitos e variados. Principalmente pelo celular podemos nos colocar em risco financeiro e, eventualmente, de vida. É comum vários homens e mulheres caírem num golpe que envolve desejo de contatos íntimos, algumas vezes resultando em morte. No meu caso, foi por uma certa ingenuidade. Eu contrariei as minhas próprias recomendações e cliquei num Link que supostamente dava acesso a uma votação para premiação de um amigo escritor. Quando percebi que a escrita não era condizente com a do mencionado amigo, disse que desligaria o celular. Recebi a ameaça de que perderia todos os meu aplicativos, incluindo este com o qual publico — WordPress.

De fato, desapareceu do meu aparelho a maioria deles. Tive que trocar o meu número com o qual trabalho há mais de vinte anos. Mas caso não tivesse desligado, poderia até ter as minhas contas atingidas. Para angariar algum resultado financeiro da clonagem, o golpista pediu para a minha lista de contatos um valor de R$ 990,00 que seria devolvido alguns dias depois para cada um deles. Foi algo muito chato porque as pessoas se preocuparam com o que pudesse ter acontecido comigo.

Ontem, foi meu aniversário. Completei 65 anos e meu presente foi perceber que não estou à salvo de receber um golpe no recesso do meu lar. Lição de humildade. Por mais que soubesse da possibilidade, me sentia incólume a isso. Sempre é preciso estar alerta para entendermos que estamos ao alcance das frequências invisíveis que nos cercam. O País amanheceu na última segunda-feira golpeado de maneira ardilosa por um movimento forte patrocinado externamente pelo poder econômico pelos Estados Unidos da América interessados que estão em dominar a América Latina. Argentina e Venezuela foram as principais vítimas dessa invasão que apenas os mais atentos estão antenados.

O incrível é encontrarmos brasileiros que se autointitulam “patriotas” que se entregam escravizados pela ideia de fazerem parte dessa dominação ideológica/econômica/entreguista.

Projeto Fotográfico 6 On 6 / Monocromático

Eu costumo participar do 6 On 6, mas foi justamente nesse dia que sofri um golpe pelo aparelho celular. Fiquei desbaratinado e mal consegui prosseguir com os meus pensamentos concatenados. Tive que trocar compulsoriamente o meu número para continuar me comunicando com a família, amigos e clientes. Consegui recuperar pouco a pouco os meus aplicativos, incluído este com o qual me pronuncio para o mundo da escrita. Eu achei o tema proposto pela Lunna, como sempre, interessante. Gostei das imagens em tons acinzentados. Busquei como que imitá-la, mas utilizando algo que normalmente é branco ou transparente — nuvens e água.

As nuvens outubrinas tem variado em tons de cinza. Olhar o céu e encontrar nesgas em que o azul do céu aparece como um jogo de azar… ou sorte.

Devido às constantes chuvas de Setembro, as represas da Grande São Paulo que abastece a cidade voltaram a ter um nível favorável. Devido ao volume, naturalmente, por onde passei, elas estavam acinzentadas na região da Cantareira, quase como se fossem uma rodovia aquosa.

viver em cinza
não parece ser algo ruim
afinal dias ensolarados são difíceis
de aceitar
tão encalorados
assim como são as nuvens encaracoladas
mas menos encapetadas…

Em outro momento, a superfície da represa estava mais movediça, um cinza fluido, líquido… como deveria ser… o movimento cinza.

O cinzento parece ser monótono, mas a sua característica monocromática é até revigorante se mergulharmos em sua essência transcendente — nem branco, nem preto — mas ao mesmo tempo os dois. Portanto, abençoemos o cinza dos cinzas dias que se revelam menos branco que deveria, mas talvez menos escuro do que estamos imaginando… vamos esperar o final do mês para sabermos…

A última imagem é aquela que utilizei para falar sobre o golpe. O texto chama-se Golpeado. E, ao contrário das outras imagens é de um cinza escuro sólido. Tão sólido quanto o presente pesado que vivemos desde uma semana antes.

Participam:

Claudia Leonardi /  Mariana Gouveia / Lunna Guedes / Silvana Lopes

Aviso Aos Passageiros

todos os dias
milhares de pessoas
sobem e descem na vida
em grandes cidades
usam elevadores para se deslocarem
para cima e para baixo
na vida nos andares
sem andarem
parados pensativos
presos
mas sempre há o perigo de as cabines
não estarem no andar
em que (deveriam) parar
é raro que aconteça
as pessoas confiam
e sequer olham
para baixo
dentro do elevador opressão
nos olhamos mas não nos vemos
observam os circundantes
avaliam cada história
não se conhecem pelos espelhos
eu tinha certo receio de embarcar
em elevadores
me sentia oprimido
desvendado em minhas faltas
quando cheio evitava olhar as pessoas
as atravessava com a minha visão
como se não existissem
quanto mais gente mais só
eu me sentia
nunca viveria em sã consciência
num prédio de apartamentos
com pessoas pisando
por sobre a minha cabeça
o que eu acho mais claro e até estimulante
é de que somos todos passageiros…

Porta Da Salvação

Ao redor da minha casa, na Periferia da Zona Norte, estou cercado de igrejas evangélicas. Na minha rua se encontram pelo menos quatro em 450 metros de comprimento. Uma delas, mais antiga, me lembro de estar envolvida em um rumoroso caso de um pastor que abusava de menores. Ficou fechada por alguns anos. Voltou a abrir com outro nome e outro pastor responsável. Os nomes das fachadas variam em torno de temas que remetem à promessas de nova vida, redenção e salvamento. A premissa é básica. Somos pecadores e que se quisermos alcançar o Paraíso, devemos nos arrepender a partir de diretivas colocadas como regras que devem ser seguidas de maneira rígida. Todos nós sabemos que quanto maior a pressão em torno do autocontrole pessoal, maior a chance de falha. Assim, vive-se em débito que deve ser proclamado em orações e cânticos de tal maneira que no meio da barafunda, ninguém é ouvido. Mas creem que certamente Deus os ouve.

A igreja que ilustra a foto acima pertence à rua paralela abaixo. Num trecho de uns 150 metros tem-se uma sequência de uma congregação intercalada a um bar. Clientes diferentes, enquanto uns querem esquecer os pecados, outros querem se ser perdoados. A Porta Da Salvação estava com a porta de aço fechada. Tem horários específicos para funcionar, assim como ocorre numa casa de eventos. Eu me lembro de uma dito antigo em que nos é perguntado “por que o cachorro entra na igreja?”. A resposta era muito simples: “porque a porta estava aberta”. Era um tempo em que as igrejas neopentecostais não tinham a força que apresentam hoje. A Igreja Católica comandava o caminho rumo à salvação, associada durante muito tempo ao poder político vigente, ditando o percurso a ser tomado pelos fiéis.

As igrejas neopentecostais atuam utilizando o poder econômico através do dízimo e doações quase compulsórias. Muitas tem se envolvido na Política atuando através de pastores que se aliam a representantes políticos que performam como fiéis ao Deus bíblico dos primeiros cinco livros do Antigo Testamento e ainda assim se proclamam “cristãos”. Muito porque a mensagem cristã apresenta um viés socialista, o que vai contra as convicções de quem conduz os rebanhos, normalmente filiado ao Capitalismo como base de sustentação. As contradições não são respondidas e, ao contrário, abre uma fenda que não contribui para o equilíbrio da Fé.