05 / 05 / 2025 / No Azul

Manhã de abril,
outono no hemisfério sul…
Na parede,
a refletir no teto,
um caminho azul…

Olhos cerrados
e desnudos de lentes —
miopia cativa
e imaginação ativa —
pronto!
A minha vida a se perder
nas primeiras horas do dia,
a invadir o azulado ponto…

04 / 05 / 2025 / A Decaída

Flor solta de um ramalhete,
cortada de sua origem,
a trouxe para casa
e a pus em um pequeno vaso
com água…

Ainda que por alguns dias,
a bela decaída passeou
o seu poder sedutor pelos recintos…

Antes de juntar os seus átomos
decompostos aos outros
que a esperavam,
a coloquei para ver o sol a decair,
para que percebesse que tudo
ao nosso redor
vive o seu ciclo…

Por fim, a flor cumpriu o seu destino:
a de inspirar e morrer…

03 / 05 / 2025 / Pobre E Bela

A Periferia é pobre, mas a tarde é bela.
O povo é despossuído, mas a sua natureza é singela.
A rua é íntima amiga, muitas vezes serve de abrigo.
A violência existe e, em contrapartida muito amor.
Que a tarde abrigue este momento confortador…

02 / 05 / 2025 / Só, Mas Acompanhado

caminho só mas acompanhado
circunspecto
quem bem eu quero não está por perto
sei que ela pensa em mim
assim como penso nela sim
em nossos encontros esporádicos
erráticos
arrancados feito saborosas goiabas no pé
aos quais nós comemos até o caroço
deixamos os lençóis em alvoroço
passeamos sem culpa por avenidas e ruas
baixo a sóis e além de luas
quase alcançadas mas nunca vivenciadas
quem sabe um dia?
enquanto isso nos servimos de ambrosia
para mitigar da distância as dores
para nos alimentarmos de sabores
saudosos de beijos e ventanias
que nos abatem por onde formos
porque somos o que somos
a soma de desejo e paixão
e bem querer em demasia
em cortejo de procissão
adoradores do coração
caminhantes e amantes
se quero uma vida alternativa a que tenho
vou em frente não me detenho
sonho e componho
na ausência do toque de sua boca
um poema que me acompanhe…

Foto por Vika Kirillova em Pexels.com

01 / 05 / 2025 / Arya Stark*

“Vinha a minha sobrinha, Verônica Ortega, a caminhar pela rua em direção à minha casa, quando percebeu que uma mocinha acompanhava os seus passos. Quando chegou ao portão, recebeu uma comidinha, um pouco de meu carinho e o olhar desconfiado dos outros moradores de quatro patas. Logo que a Verônica entrou, começou a chorar. Eu a deixei entrar, o que fez sem dar bola para os seus iguais, a distribuir simpatia, percorrendo a garagem como se a conhecesse. Mais tarde, ela e a saíram para buscar os eventuais cuidadores que estivessem a procurá-la. Sem sucesso. Alguém disse que ouviu falar de um motoqueiro que deixou um cachorro por ali, mas não saberia dizer se fora ela. Enfim, de volta a casa, recebeu banho e mais um pouco de comida. Cansada, dorme desde a tarde, tranquila e afável. Talvez, o nome pelo qual comecei a chamá-la não seja tão adequado, visto o viés intenso e tenso guerreiro da Arya Stark original, mas senti necessidade de homenagear uma moça porreta. Com vocês, Arya!”

*Esta postagem é de 2019. O interessante é que um tempo depois, a Arya desenvolveu Cinomose, uma doença tão severa que a maioria dos cães afetados vem a falecer. Então, ela se mostrou tão guerreira quanto a personagem de The Game Of Thrones e sobreviveu, apresentando apenas pequenas sequelas que cuidamos, como uma certa irritação no órgão urinário. Seu comportamento continua doce e, sendo tão fofa, frequentemente a chamamos de “Clemosa“.