10 / 11 / 2025 / Blogvember / De Repente, Escrevo Uma Anti-Carta…

… antídoto de páthos
porque escrever é paixão não se expressar seu antídoto
como se isso fosse doença e é…
rara enfermidade que gerou civilizações
a história histórias contos falas poemas folclores caminhos
sem escrever não somos nem aqui estaríamos
foi preciso pioneiros aqueles que manusearam instrumentos inéditos
o que os levaram a sentir esse movimento íntimo em diferentes culturas
ainda que vivessem em diferentes latitudes?
ser ser humano propiciou que construíssem impérios
domínios e dominações controles e escravizações
palavras religiões o bem e o mal
sortes
e mortes
tão nefasta quanto uma carta em branco
plena de silêncios acaçapada de ranço…

Participação: Lunna Guedes / Mariana Gouveia

Foto por Pixabay em Pexels.com

09 / 11 / 2025 / Blogvember / As Palavras Mudam…

…de minuto a minuto…
de fato as palavras se reproduzem como larvas em carniça
ou como fogo em palha
ou como avalanche em estação de esqui
matando centenas de esquiadores
espinhas em adolescentes
ofensas em briga de casal
mas palavras também florescem feitos margaridas na primavera
jasmins nos jardins
beijos entre namorados
pássaros nos ninhos
frutos nos campos
e amor entre quem quer amar…

Participação: Lunna Guedes / Mariana Gouveia

08 / 11 / 2025 / Blogvember / Os Trajetos São Irreconhecíveis

porque nunca são os mesmos mesmo quando achamos que são
aliás ainda que tracemos o rumo exatamente igual ao anterior
será num tempo diferente ainda que cronometricamente idêntico
porque serei outro seremos outros sentiremos de forma diversa
estaremos menos ágeis mais experientes menos inocentes
menos inconsequentes mais óbvios mais capazes menos criativos
seremos menos singulares mais iguais a tantos menos incongruentes
as condições externas serão inconformes nossos corpos disformes
a pressão externa mais pesada ou mais leve a experiência menos sedutora
ainda que seja a vida tamanha
ao fim nada será como antes amanhã…

Participação: Lunna Guedes / Mariana Gouveia

Foto por Kaique Rocha em Pexels.com

07 / 11 / 2025 / Bologvember / Um Dia Se Despiu…

… para o sol e foi feliz!

sim
porque o sol é a razão da vida existir no planeta
e acredita o ser humano que seja singular no incomensurável universo
o único inteligente até mesmo na terra
e nisso erra
esquece de bichos que são sencientes de outra
maneira
que conseguem conviver com as forças naturais
que se adaptam até com as agressões daquele que está no topo
da cadeia alimentar que destrói em nome do poder
que detém o bicho homem a conceder
quem vive e quem morre
é tão triste o que ocorre
esse egocentrismo destempero desespero
por ser tão diminuto
sabendo que na eternidade vive apenas um minuto
que nos tempos estelares não passa de poeira cósmica
e que no grande teatro da metagaláxia
não passa de uma tragédia cômica…

Participação: Lunna Guedes / Mariana Gouveia



06 / 11 / 2025 / Blogvember / Projeto Fotográfico 6 On 6 / Inventário

Se eu fosse fazer um inventário, busquei em minha memória alguns objetos que me marcaram ao longo da minha vida. Nunca fui apegado a objetos. Pelo menos foi o que pensei até me deparar com coisas que assomaram a minha lembrança. Percebi que determinados artefatos, peças, trecos, ferramentas, dispositivos senti que fossem importantes. Eu, que tenho uma memória a qual chamo de randômica, do nada passei a me lembrar da primeira geladeira que tivemos em casa. Uma azul, de formas arredondadas, antiga, já na época que a adquirimos. Foi uma revolução poder guardar alimentos que seriam preservados geladinhos e não em temperatura ambiente no velho “guarda-comida”. Devia gastar horrores de energia.

Durante anos, tivemos uma TV Bandeirante de 14 polegadas PB. Por ela, acessamos o mundo do cinema, novelas, futebol, etc. Apenas em 1982, para a Copa do Mundo da Espanha, adquirimos um TV maior, de 18 polegadas em cores. Mas até hoje, é a antiguinha que representa melhor a minha infância.

Há três peças correlatas a uma função: tomar banho. Mas a primeira representa o acesso à água que utilizávamos para isso, lavar louça, regar as plantas das quais dependíamos para variar a alimentação, além de matar a nossa sede e dos bichos que criávamos, desde cachorros, gatos, porcos, galinhas e patos: é umA Carretilha — sobre a qual já fiz uma postagem. Com ela, puxava água do poço, já que durante anos não tivemos acesso à água encanada, bem como esgoto. Usávamos as tradicionais fossas pépticas.

Outro utensílio que usávamos bastante era um tacho onde esquentávamos a água num fogareiro improvisado com tijolos para tomarmos banho de canequinha. Em dias mais frios, tínhamos que ser rápidos no banho, já que às vezes a temperatura caía drasticamente, já que a região ficava próxima à mata da Serra da Cantareira.

Uma nova revolução se deu quando surgiu o chuveiro-regador. Com o dispositivo de abrir e fechar, quase nos sentíamos como que voltando a morar na Penha, no porão. O banheiro ficava do lado fora e era usado por nós e outras pessoas que moravam no terreno. O da imagem abaixo é semelhante, mas o meu pai dispôs de um cano transversal chumbado nas paredes lado a lado que sustentava o chuveiro-regador. E a bacia mostrada era bem parecida com a que utilizávamos.

Aliás, na foto acima, além da janela que ficava na mesma posição, surge o chão de vermelhão, outra característica semelhante a da nossa casa na época é o chão de vermelhão que pintava as nossas solas de chinelos e congas. Outra diferença é que as nossas paredes eram de cimento e tínhamos que tomar cuidado para não rasparmos os cotovelos nelas. Era ferimento na certa.

Por fim, outro item que permaneceu em minha lembrança foi a cama de molas na qual dormia. A minha mãe colocava papelão para fazer impedir que o colchão fosse rasgado por alguma mola solta. Além disso, como fiz xixi na cama até os 8 anos, ela envolvia o colchão com plástico, o que fazia com que eu acordasse um tanto suado. Foram anos em montava e desmontava a minha cama para dormir no corredor que era até um tanto largo e não impedia a passagem das outras pessoas da família.

O inventário acima, como se percebe, foi ocupado por artefatos simples e ligados firmemente ao estilo de vida simples que vivíamos. Recentemente, apesar da precariedade, percebi que foi uma época em que me sentia feliz de alguma maneira. Deu ensejo que valorizasse a condição em que vivo agora, além de me aproximar da maioria da população brasileira que ainda vive sob as mesmas condições. Viver como quase um garoto do campo fez com que percebesse a dimensão mágica de lidarmos com a Natureza e sabermos que devemos respeitá-la para que o suposto bem estar da população mundial não seja à custa do impacto de sua erradicação e, consequentemente, da nossa.

Participação: Lunna Guedes / Mariana Gouveia / Cláudia Leonardi / Silvana Lopes