07 / 07 / 2025 / Cassinos Online

Em 2023 foi aprovada a regulamentação da atuação das chamadas “Bets” no Brasil. Vista como uma boa fonte de arrecadação tanto pelo Executivo quanto para o Legislativo, em termos de impostos. Até poderia ser, se não trouxesse em seu bojo diversos fatores agravantes para o País e a população de modo geral. Estudos revelam que os brasileiros destinaram cerca de R$ 240 bilhões às Bets em 2024. Já a CNC indicou que varejo deixou de faturar cerca de R$ 103 bilhões ao longo do ano de 2024 em decorrência do redirecionamento dos recursos das famílias para as Bets, como ficaram conhecidas as plataformas virtuais de apostas esportivas e de cassino online

Em outro texto já mencionei o fato de que 82% dos brasileiros jogavam online de alguma maneira, algo que se equilibrava entre o vício e a distração, não havia o envolvimento de apostas, que é o viés apresentado pelas Bets. E casos de gastos exorbitantes que desestruturam as economias familiares se vê aqui e ali em índices cada vez maiores e mais rápidos.

Conheci alguns relatos bem próximos, como o caso de um jovem casal no qual a minha sobrinha cantora atuou trabalhando no casamento. Meses depois, foi novamente chamada para outro evento pela mesma família. Ao perguntar para a noiva como estava o marido, esta respondeu que haviam se separado pouco tempo depois do enlace. O noivo havia gasto 100.000 Reais no Tigrinho, um tipo de roleta online em que o jogador começa ganhando, mas depois só perde. O rapaz dilapidou a Poupança do casal em poucos dias. Ela ainda gostava dele e pediu que fizesse um tratamento de desintoxicação para se livrar do vício.

O incrível é que o aumento de propagandas, cada uma melhor do que a outra em termos de estratégias — movimentadas, alegres, coloridas, bem filmadas e acabadas — atraem fortemente quem as vê. Como advertência, ao final usam o mesmo jargão de quem bebe socialmente, sendo as bebidas mais leves a maior porta de entrada para o vício em álcool. Assim como a “leveza” da imagem de um tigrinho pode ocasionar males como de um uma horda de tigres e leões famintos atacando uma campina em que desprotegidos e famélicos habitam. O estrago é e continuará sendo grande…

Foto por Pavel Danilyuk em Pexels.com

05 / 07 / 2025 / Zé Celso*

*Há dois anos, partia Zé Celso Martinez para realizar um espetáculo novo, em outro teatro que não o seu amado Teatro Oficina. Figura ubíqua da cultura nacional, influenciou seguidas gerações como diretor de montagens que transgrediam os parâmetros pré-estabelecidos da atuação teatral. Há mais de 30 anos, eu passava pelo Bexiga, quando cruzei com ele numa esquina. Nós nos olhamos nos olhos, porque eu acho que era assim que ele se apresentava a quem quer que fosse. Eu, bem jovem e muito mais tímido, não consegui desgrudar os meus olhos dos deles. Durou certa de dois segundos ou uma eternidade, por aí… Espero que voltemos a nos encontrar por lá, na esquina de algum dos cosmos desses tantos…

02 / 07 / 2025 / Calma*

A minha sobrinha, Verônica Ortega, lançou ontem o clipe da música “Calma”, composta num momento em que precisava compreender como se colocaria diante de tantas tribulações pelas quais passava. Como já aconteceu comigo mesmo em textos e poemas, “Calma” foi recebida como resposta em forma de canção. A Pandemia apenas acentuou situações que recrudesceram as nossas mazelas e nunca o brasileiro sentiu como agora a necessidade de parar, silenciar, entrar em contato com o seu tempo pessoal e continuar a andar.

Para quem quiser entrar em sintonia com uma mensagem de paz, assista ao clipe com a participação especial de Malagueña, o Fusca 1973, cor verde místico.

Ou ouçam pelo Spotify.

*Postagem de 03 de Junho de 2022.

1º / 07 / 2025 / As Cicatrizes

não importa a estrutura que apresentemos
cicatrizes haverá
faz parte de existir
seja animal planta pedra
em nosso corpo seja em perna
braço cabeça mão
seja de amor no coração
na pedra a diferença da composição
mineral química cristalina vulcânica
não difere da estrutura do meu peito
endurecido após tantos revezes no amor
sou como o senhor da eternizada dor…