BEDA / A Paixão Pelo Jogo*

Nesta mesma época, há um ano*, versei sobre a paixão pelo jogo que seria pouco tempo depois regulamentado, com as devidas taxações federais, além de prevenções quanto aos sites serem usados como meio de lavagem de dinheiro pelo crime organizado ou grupos terroristas. A Medida Provisória (MP) nº 1.182/2023 altera a Lei 13.756/18, a fim de regulamentar as chamadas apostas de quota fixa, também conhecido como “mercado de Bets”. Trata-se dos sistemas de apostas associados a eventos reais de temática esportiva. O que deu chance a que atletas fossem assediados para facilitarem resultados em competições do calendário profissional. Como trata-se de uma paixão (no que ela tem de mais doentia), apresenta aquela atração em que o perigo de perder, longe de afastar, atrai os seus apaixonados. Seja que dia for, incluindo os “dias santos”…

Desculpem-me se no Domingo de Páscoa, que para mim o mais importante é celebrar a Paixão de Cristo, venha a colocar algo que supostamente não tenha nada a ver com a data. É que ainda que venhamos a lembrar o verdadeiro motivo desta efeméride, muita gente não deixará de jogar em sites de apostas.

Vejo proliferar anúncios publicitários de jogos de apostas protagonizados por jogadores de futebol e até famosos de outras áreas de atuação. Em meados de 2018 versei sobre o fascínio do jogo como fenômeno nacional, em 82% Jogam. O agravante é que os atuais sites de jogos não são apenas entretenimento, mas lidam com apostas em dinheiro.

É uma espécie de retorno virtual do fenômeno dos Bingos (depois proibidos) que causou várias situações de desespero em famílias que viram seus membros mergulharem em vertigem no fundo do poço, as prejudicando gravemente no aspecto financeiro. E no bom relacionamento entre seus membros.

É sempre bom lembrar aos que se sentem atraídos pelas peças de propaganda que são veiculadas mostrando cenas de pessoas felizes ao ganharem na jogatina que, para haver lucro para os patrocinadores, para cada vencedor, deve haver muitos perdedores.

Foto por Pixabay em Pexels.com

Participação: Lunna Guedes Mariana Gouveia / Claudia Leonardi Roseli Pedroso / Bob F.

BEDA / Projeto Fotográfico 6 On 6 / The Color Of The Rain

Eu gosto da chuva como expressão, mas devido ao fato de estarmos causando o aquecimento global através de nossa ganância, o anúncio de sua chegada tem sido causa de preocupação. Principalmente para aqueles que moram em áreas instáveis, em que os mais pobres arriscam viver, sempre no limite, um olho aberto e outro fechado, os ouvidos sempre atentos ao primeiro trovão, dias, noites, madrugadas. Antes, havia meses específicos em que a chuva era mais abundante, como já foi cantada em versos. Em contrapartida, afora a inconstância dos intervalos, há período de secas que tem demonstrado que o clima adquiriu um humor imprevisível. Mas aqui eu anuncio períodos em que a chuva foi criadeira, como quem planta diria ou como o escritor aprecia.

TRABALHO (2013)

Primeiro dia de outono e não importa que parte do dia estejamos – manhã, tarde, noite ou madrugada – sempre haverá chuva, amena ou intensa, em algum ponto da cidade pelo qual qual passamos. Como tivemos problema com a nossa “kombosa”, emprestamos uma outra de amigos que conhecem como dividir as horas do dia. Neste momento, passávamos por trás de uma igreja. Em São Paulo, isso não significa estar no lugar mais calmo da cidade, mesmo porque, tratava-se da Catedral da Sé, no Centrão. Um lembrete, mesmo agora sendo noite, estamos, meu irmão, Humberto, e eu, trabalhando no lugar onde os outros se divertem…

ACADEMIA (2011)

Chuva forte, preguiça e outras coisas para fazer – tudo seria motivo para eu deixar de ir à academia neste dia indefinido, que não sabe se é útil ou feriado – até que eu recebi o devido incentivo do DJ Ari (um senhor vizinho a nós), com seu eclético repertório a todo volume. Naquele momento, acabei por receber a motivação necessária para partir para a suadeira. Obrigado, DJ Ari!

PISCINÃO (2015)

Após as chuvas da noite, no Piscinão Guarau, os urubus esperam a água baixar para celebrarem o almoço de domingo, em família.

SÃO FRANCISCO (2016)

Antes da chuva noturna, o dia de São Francisco proporcionou um entardecer em que os astros encenaram a troca de guarda. Mas não por muito tempo, já que nuvens negras e espessas assumiram a linhas do horizonte. A pontuar, o Santo foi dignamente representado pelo canto de seus companheiros, os pássaros…

CHUVA E SOL (2022)

Neste primeiro dia do ano, subi para a varanda, tentando capturar as gotas da chuva contra a luz solar. “Chuva e Sol, casamento de espanhol. Sol e Chuva, casamento de viúva!”. Quando criança, ficava a imaginar se seria o caso do espanhol ter se casado com a viúva. E viajava nas possibilidades. A Bethânia subiu comigo e se postou na mureta, tentando encontrar alguma novidade pelo entorno. Pedi para que fizesse uma pose para enviar para as outras filhas e ela não se fez de rogada. Feliz 2022 para todos os seres!

ROMANCE (2013)

A Chuva, ciumenta, assumiu o controle do curso do dia. No entanto, agora à tarde, ela não pôde impedir o triângulo amoroso entre a Terra, o Céu e o Sol. Silenciosamente, os três combinaram de se encontrar no leito macio do horizonte… O encontro foi breve, porém! Logo, soltando raios e trovões, a chuva, furiosa, reassumiu o controle da situação. Pois é, quem está na chuva, tem que se saber amar!

Participação: Lunna Guedes Mariana Gouveia / Claudia Leonardi Roseli Pedroso / Bob F. / O Miau Do Leão

BEDA / Insônia

eu tive um episódio de insônia
acordei às 4h da manhã
fiz exercício para voltar o sono
tomei um chá de mel gengibre cúrcuma
quem sabe um leão me domasse
comi um tomate para preencher o estômago
mergulhei no nada eclipse mental
acordado mas sem acordo com a realidade
estou retomando a consciência aos poucos…
à base de notícias de terremotos
assassinatos assaltos mortandade
pelo trânsito devemos continuar
a circular a performar produtivos estáveis
mergulhados em sangue e dor
os oceanos aquecidos águas-vivas
medusas mães-águas alforrecas
envenenam os corpos que invadem o reino marinho
muita chuva enchentes
seca intensa deserto assumindo a paisagem
sobreviverão os insetos
imortais depois de milhões de anos
crise respiratória aguda os vírus revivendo
o seu poder de nos colocar em nossos devidos lugares
seres passageiros ainda que anjos
ainda que bestas feras
seremos extirpados indiscriminadamente
porque a natureza não discrimina cor da pele
posição social financeira arrogância
suposta proeminência importância
eliminados enfim da equação
a terra voltará a brotar livre de nossa pulsão
de morte vazio desejo frustração…

Participação: Lunna Guedes Mariana Gouveia / Claudia Leonardi Roseli Pedroso / Bob F.