BEDA / Mares & Humores

Mares

Em março de 2012, a Tânia e eu embarcamos em um cruzeiro pelo litoral de São Paulo e Rio, ida e volta. Eu, que considero morrer no mar bastante poético, à bordo do Navio Costa Fortuna usufruí de facilidades e serviços que evitaram que a minha experiência com o poderoso reino de Poseidon fosse mais íntima e muito mais cômoda do que em muitos lugares em terra neste planeta Água. Não mareei, assisti a espetáculos, brinquei na piscina, frequentei à academia, consumi bons jantares e sequer pus o pé longe do barco nas paradas. Foram três dias intensos e inesquecíveis.

Texto de 2021

Foto por Prayag Bhowmik em Pexels.com

Maus Humores

Estou sem nenhuma paciência com certos tipos. Bloqueei preventivamente um sujeito que talvez nunca visse na minha vida. Nos comentários de uma postagem sobre a viúva de Theo Van Gogh, irmão de Vicent, que foi quem guardou e depois divulgou a obra do grandíssimo pintor, tenta minimizar seu trabalho. Ele se diz conservador. Como se esse tipo de postura o isentasse de ser minimamente plausível, coerente ou perspicaz. Tenta desvalorizar a contribuição de Joanna para não dar protagonismo a uma mulher…

Texto de 2023

BEDA / A Natu…Reza

Os abraços que recebemos…
As amarras que a vida tece…
Somos silhuetas sob o Céu e o Sol…
Somos sombras vivas…
O que é nebuloso?
O que é claro?
O que passa?
O que fica?
O que temos?
O que vemos?
O que somos?…
Talvez, a soma de tudo isso…
Talvez, nada…

BEDA / Notas De Agostos*

Para compensar o erro de tomarmos a estrada errada, nos deparamos com o outro lado do Pico do Jaraguá — o ponto mais alto da Cidade de São Paulo. Logo depois, retomamos o caminho. Quilômetros a mais, gastos a mais, fruição a mais. Muitas vezes, pagamos por nossos erros com o maior prazer do mundo… *(2015)

Sol amarelo do Super Homem, um alienígena que deu de cair no Meio-Oeste americano para confirmar o poder da grande nação do norte como líder da liberdade vigiada e do Capitalismo. *(2015)

Frio e nebulosidade. Clima de serra, por aqui… Recomenda-se o abraço apertado de seu amor. *(2014)

BEDA / Meus Anos 50*

Vivo meus anos 50. Mais um pouco, inaugurarei a sétima edição anual da década. Este decênio foi totalmente diferente do que idealizei. E completaria: graças a Deus! Ao final dos meus Anos 40, tive um episódio de saúde que modificou minha interação com a vida. Cinquenta anos em cinco – emblemática frase de Juscelino Kubistchek — apenas emprestava números ao desejo de fazer crescer o país dos Anos 50 — cuja a inauguração de Brasília, no início dos 60, foi um marco. Nestes meus Anos 50 particular, esperarei ter crescido, ao final de tudo, cem anos em dez — a crise hiperglicêmica foi a minha marca inicial, em 2007.

Definir datas como pontos cardinais, com números redondos parece ser uma tentativa para justificar situações que teriam começo e fim, sem causas anteriores e repercussões posteriores — uma espécie de “Big Bang” histórico, assim como anuncia a frase: “nunca antes, neste País…”. O Brasil parece ser uma nação de ciclos, sempre a se repetir, rota sem saída para o mar, com o apoio luxuoso de nossa falta de memória. Tento manter a lembrança daquilo que me levou a enfrentar determinadas situações. Sem isso, não há como saber como cheguei aonde estou. Adotei a imprudência de me arrepender apenas do que não fiz. No mais, apesar da tentação de deixar tudo ao “acaso”, se é que ele existe, sei do rumo que tomei. E das consequências que ele gerou.

O contexto em que vivo os meus Anos 50 tem sido incrível. É como se tivesse aberto os meus olhos apenas agora, nos meados do meu século de vida. Eu me deixei levar pela aventura de amar — dizem que o mocinho morre no final. Eu retomei os estudos, entre compromissos profissionais e pessoais. Lancei o meu primeiro livro e estou prestes a lançar o segundo, dia 25, antes que este Agosto se encerre**. Nunca me senti tão pleno, talvez viva o ápice que todos visitam, antes do fim.

Ainda aguardando as surpresas que me reservam esta era, já vislumbro as possibilidades dos Anos 60. A década histórica do século passado, na qual nasci, foi uma das mais importantes dos 1900. De alguma forma, aglutinou todos as potencialidades que vivemos depois. Marcou mudanças estruturais que ainda repercutem nos dias atuais. Guerras (frias e quentes), luta pelos direitos civis, emancipação da mulher, revoluções político ideológicas e comportamentais, viagem à Lua e a propaganda da ideia do “País do Futuro”, entre tantos fatos possíveis.

Saúdo a todos e a todas que estão chegando aos seus próprios Anos 50. Saberão que a vida ganha frescor, com o início de novos e estimulantes formatos e término de antigos e infrutíferos projetos. Muitas vezes, com pesar, porém com convidativos e bem-vindos significados.

*Texto de 2018

**O livro de contos curtos “RUA 2”, editado pela Scenarium Plural Livros Artesanais, foi lançado em 25 de Agosto de 2018