28 / 05 / 2025 / Cidade-Paraíso*

A “mancha” mais clara entre os prédios (sem conotação pejorativa) é Paraisópolis. Já fiz um evento junto à esse conglomerado de casas sem acabamento e me impressionou o fato de que ao lado da “entrada” da comunidade estava sendo terminado um muro alto que cercaria um condomínio de alto padrão recém construído. São as contradições desta cidade a ser constantemente decifrada.

*2015

27 / 05 / 2025 / Bizarre Love Triangle*

Dia de outono, frio e chuvoso. Quase sem querer, enquanto estava mexendo nos arquivos do Gmail, acabei parar no meu perfil do moribundo Orkut. Entre as curiosidades que lá encontro, está a apresentação que fiz do vídeo “Love Bizarre Triangle”, com a banda “Frente!“. Esta versão faz parte da minha lista de preferidos até hoje e quando o postei, em 2006, escrevi o seguinte: “Um cara dos Oitenta como eu, que curtiu a versão original dessa música com o New Order, quer demonstrar que não está engessado em formalidades e adota esta versão da banda australiana ‘Frente!‘ como a ser vista aqui. O vídeo vai bem com a gracinha Angie Hart, até que começam a aparecer os marmanjos do grupo. Percalços à parte, sobram a voz pequena e agradável do anjo, com a letra cortante desta canção de amor desencontrado” –

23 / 05 / 2025 / Nave-Mãe*

*Corria o ano de 2020 e não bastasse o surgimento da Covid-19, tínhamos um governo que desejava levar o País para o Caos. A tática padrão era ir contra todos os preceitos aceitáveis de controle de uma Pandemia que acabou por matar pelo menos 700 mil brasileiros. Esse é um outro crime daquele que queria uma guerra civil em que 30 mil mortos resolveriam a oposição aos seus desmandos. Entre outras medidas que implementou foi a desestruturação dos serviços públicos de atendimento às populações carentes, além dos mecanismos de controle geracional do Estado. Não lhe parecem iguais às medidas do Homem-Cenoura na parte de cima do mapa da América? Pois, é! Existe uma planificação óbvia nascida desde as hordas da Extrema-Direita para fazer desmoronar as estruturas básicas da administração, incluindo a Burocracia que, de certa maneira, estabelece os parâmetros para o bom funcionamento administrativo. Quando criou-se um departamento para fazer especificamente esse trabalho de desmantelamento, o Rei do Mundo chamou o homem mais rico do planeta (em termos financeiros) para levar adiante esse projeto. Enfrentou problemas e decidiu deixar o (des)governo. Em 2020, o desejo de sonhar com um outro mundo parecia distante e, hoje, mais ainda. Então, escrevi:
“Para quem queria fugir para outros espaços, longe daqui, na Nave-Mãe, aviso que ela deu giro pela linha do horizonte e partiu rumo a destino desconhecido. Não será desta vez que voltaremos ao Planeta-Útero…”.

22 / 05 / 2025 / Santa Cecília*

Entro na velha igreja desgastada, que um dia já serviu de Matriz de São Paulo enquanto se construía a Catedral da Sé. É um oásis de silêncio e respeito em meio ao burburinho do Velho Centro. Ao passar o portal e o limite imaginário marcado no piso, vislumbra-se a grandiosidade do engenho humano impulsionado pela fé. Alguns mais sensíveis ainda podem ouvir milhões de palavras soltas em orações e pedidos de perdões e graças e ver os diáfanos fantasmas de pecados a escalar pelas paredes… Perdoados, mas nunca esquecidos…

*Texto de 2016

20 / 05 / 2025 / Ultimatum (Álvaro de Campos)*

Em 2017* publiquei: “Há cem anos, Álvaro de Campos, um dos heterônimos de Fernando Pessoa, escreveu e Maria Bethânia lindamente declamou… Fiquei emocionado, pois estou a ficar sem anos para contar até que chegue o fim dos meus tempos sem tempo. Os tempos se renovam em podridão de eternas e humanas doenças do espírito e sei que morrerei sem ver este País grande e justo, como um dia sonhou o menino que um dia eu fui…”.

O interessante é que por pior que estivesse a nossa situação social e econômica, tudo pioraria nos anos seguintes. Estávamos há um ano da eclosão dos seres nefastos que saíram do esgoto da História para não terem mais vergonha de assumirem as suas posturas ignominiosas, como se fossem perfeitamente normais. Não eram, mas se tornaram quase naturais. Como Álvaro de Campos proclamou em seu Ultimatum, que sejam despejados os “Charlatães da Sinceridade”.