01 / 03 / 2025 / Trabalho Na Diversão

Em meus eventos, através da Ortega Luz & Som, passeio pelos espaços normalmente voltados para a diversão. Mas atento a todos os detalhes técnicos, fico relaxado apenas quando, depois de tudo, termina o evento e a programação é cumprida com sucesso. Sempre ocorre de algum detalhe ou outro não sair como o desejado. Muitas vezes sem aparecer para o público, para nós, que trabalhamos nos bastidores, resta aprendermos com os erros.

Nada é feito sem esforço, muitas vezes brigando com aqueles que promovem os eventos, mas mantém uma postura antiquada em que não somos tratados como colaboradores, mas simples “paus mandados” sem cérebro. Usamos a força física, sim, mas aliada à atuação da mente. Costumo dizer que vestimos a camisa do time para quem trabalhamos. Algo que só o tempo e a experiência de longo trato conseguem demonstrar cabalmente.

É uma relação de confiança, tanto para quem nos contrata quanto por quem somos contratados em relação a eles. O que nem sempre um contrato formal consubstancia. Com o tempo, vim a descobrir que 99,9% não significa 100%. Num dia, está tudo confirmado, no outro, não. Essa característica que, de resto, mostra um quadro típico da instabilidade das relações humanas, serve especialmente para a vida do brasileiro como um todo.

Quando decidi empreender essa jornada na prestação de serviço em algo “evanescente” — como são os eventos que se assemelham em característica com a montagem de um circo que ergue a sua lona em cada lugar — foi justamente por causa dessa instabilidade como, de resto, é a vida do brasileiro — mas que proporciona certa liberdade para a minha atuação. Quando mais novo, estudante de História percebi claramente que num futuro próximo, que acabou por se concretizar, as relações trabalhistas seriam intermediadas por códigos bastante variáveis, incluindo profissões tradicionais, por balizas que ainda viriam a serem estipuladas.

Essa cara séria acima demonstra uma postura que tento manter durante a minha atividade. Obviamente, ao mesmo tempo, não deixo de tentar manter uma perspectiva que dê espaço para a descontração, principalmente nas relações com quem trabalho. É uma questão de sintonia fina, como tudo na vida, principalmente quando trabalhamos. Pode parecer algo natural, mas há quem sinta que o trabalho impede que atuemos de uma forma mais leve como entes sociais que somos.

28 / 02 / 2025 / O Índio*

Os Pataxó são um povo indígena brasileiro de língua da família Maxakali, do tronco Macro-jê. Em sua totalidade, os índios conhecidos sob o etnônimo englobante Pataxó Hãhãhãe abarcam, hoje, as etnias Baenã, Pataxó Hãhãhãe, Kamakã, Tupinambá, Kariri-Sapuyá e Gueren.

Apesar de se expressarem na língua portuguesa, alguns grupos conservam seu idioma original, a língua Patxôhã. Praticam o “Xamanismo” e o Cristianismo. Vivem no sul da Bahia e em 2010, totalizavam 13.588 pessoas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A Ingrid trouxe da região onde os portugueses desembarcaram pela primeira vez em Pindorama, esse colar de contas. A minha ascendência indígena me permite usá-lo para além de objeto decorativo, por carregar vários significados. Para mim, é como voltar para a kijeme.

*A imagem acima data de 2021. Estava refugiado em Ubatuba, tentando sobreviver à grave crise de Ansiedade. Como trabalho com eventos, estava parado e pude ajudar na implantação de um projeto de uma amiga da minha filha mais velha, relativo à entrega de alimentos leves, a qual fazia de bicicleta. Ao mesmo tempo, pude usufruir das lindas praias da região e ao participar de um curso de literatura da Scenarium, escrever um livro que veio a se chamar Curso De Rio, Caminho Do Mar, do qual gosto muito. Foi lançado no mesmo ano pelo selo comandado por Lunna Guedes.

27 / 02 / 2025 / Meu Povo

“Talvez eu não consiga estar em outro lugar que São Paulo, aqui no Brasil. Por aqui, já estive em muitas cidades, mas ainda não consegui me ver vivendo fora desta loucura, principalmente em termos profissionais.

A Europa, autointitulada de Velho Mundo, alcançou a atual qualidade de vida tendo 2 mil anos a mais de História e por meio da exploração da riqueza do Novo Mundo, Ásia e África. Muitos europeus, conscientes desse fato histórico, tentam fazer um belo trabalho na área social, através de organizações não governamentais que atuam na América do Sul, África, Ásia e algures.

Na América do Norte, temos os Estados Unidos, que seriam uma exceção, por sua própria formação, em que os seus colonizadores fugiram da Inglaterra por incompatibilidade religiosa com a realeza para criar um novo país e permanecer definitivamente na terra.

Para colaborar, a religião desses colonizadores americanos preconizava que a riqueza angariada era sinal de benção divina, bem diferente dos colonizadores portugueses e espanhóis, de formação católica que pregava para seus fiéis que o reino dos céus pertencia aos pobres, enquanto a elite extraía o máximo de benefícios, para que ricos voltassem para a Metrópole nobilizados, inclusive pela compra de títulos.

Esse comportamento predatório perdura até hoje, em todos os níveis da população, de modo geral. Dê a oportunidade de um despossuído alcançar uma benesse e ele irá brigar com unhas e dentes para mantê-la, passando por cima de qualquer ética. A minha terra é linda, mas o meu povo…”.

O texto acima foi escrito num momento de amargor, muitos anos antes. Talvez há 10 ou 15 anos. Não que eu tenha mudado muito a minha ideia sobre isso, mas creio que não deva deixar de tentar mudar a realidade em nosso entorno para que as coisas não fiquem ao léu, ao gosto dos poderosos comandando um Sistema predatório. Sem essa crença, nunca construiremos um país melhor. Por fim, caso eu pudesse, me mudaria para uma cidade no Litoral, ainda que saiba que seria um dos prováveis primeiros locais a serem atingidos pela subida do nível do Mar devido à crise climática.

26 / 02 / 2025 / Deus*

Imagine a possibilidade de que o Universo todo tenha surgido de uma explosão a partir de um ponto infinitesimal, há incontáveis bilhões de anos “antes” a considerar “antes” e “depois” como dois momentos decorrentes desse início do tempo, se fôssemos criar uma linearidade. Sendo assim, todas as “leis” que regeriam a expansão do Universo desde então — formação de massas gasosas, elementos químicos, estrelas, planetas, asteroides, cometas, galáxias, buracos negros, as leis físicas conhecidas e as que ainda a serem descobertas, a Terra, as plantas, os homens e os outros animais, as mulheres (seres especiais), eu, você e toda a complexa história da existência humana no planeta, até a extinção dele e de toda a vida que nele caminha — teriam a mesma origem e comungaríamos da mesma “natureza energética”.

Ou seja, o Universo todo estaria conectado, mesmo que não queiramos aceitar. Se convencionarmos chamar a essa “Energia Una” de “Deus“, estaríamos errados? E se ao longo do desenvolvimento do Universo, a multiplicidade de fatores desencadeados pela força inicial tiver estimulado um processo de autoconsciência, mesmo que originalmente não houvesse tido essa característica, e que essa autoconsciência se tornasse o padrão de reconhecimento de uma espécie de “divindade de ser”, em que as supostas leis arbitrárias que aparentam a violência dos elementos demonstrasse apenas que existe um processo infinito de criação, conservação e destruição, em um ciclo eterno de desenvolvimento que muitos poderiam chamar de evolução? Isso é possível?

Eu acredito que sim, porque creio que se um deus existe, Ele/Ela é o/a deus(a) do possível e se permitiu que eu possa imaginar isso e/ou qualquer outra coisa, Se “apraz” que assim seja. Portanto, até duvidar de sua existência, eu posso. Livre do peso de precisar aceitá-lo(a) como imposição, consigo ter um relacionamento mais aberto com a divindade da vida. De resto, o que eu tenho visto, ao longo da História, é o Homem a criar deuses à sua semelhança e a matar em nome deles…

*Texto que compõe REALidade, livro de crônicas lançado em 2017, pela Scenarium Livros Artesanais

Foto por Yihan Wang em Pexels.com

23 / 02 / 2023 / Um Golpe

Seg, 10/02/2025 15:04

Esta mensagem foi identificada como lixo eletrônico. Iremos excluí-la em breve.

g o v . b r

Atenção obdulio_ortega@hotmail.com
CNH EM PROCESSO DE SUSPENSÃO
ATENÇÃO: O sistema integrado de multas identificou uma infração GRAVE que não foi contestada a tempo junto ao DETRAN. Se não for regularizado IMEDIATAMENTE, a CNH será SUSPENSA PERMANENTEMENTE.
Regularize agora para evitar a suspensão definitiva de sua CNH.
Acesse: https://detran.gov.br e regularize agora mesmo.
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Equipe gov.br

Acima, está reproduzido o aviso recebido por e-mail. Sei que um golpe. Primeiro, porque o DETRAN não envia informações desse tipo através do correio eletrônico. Segundo, por mais que tenha um carro no meu nome, dirigido prioritariamente por minha filha mais nova, eu não tenho CNH.

Por uma opção que adotei quando moço, antes mesmo de vir a casar, decidi não dirigir. Decisão que fazia parte do meu projeto de vida que era não me deixar envolver pelas “obrigações” que o Sistema impõe, como a sacramentar que um homem só ganha . Depois de me casar, fui “estimulado” (quase obrigado) a tirar a carta de condutor. Esposa e filhas gostariam de ver o marido e o pai dirigindo.

Eu não fiz muitas aulas, mas considerava que conseguiria passar pela prova de volta no quarteirão, parada na subida, retomada de percurso, estacionamento (a chamada baliza) e fui bem até aí. Quando saí, a mesma motorista do carro à frente, que já tinha parado repentinamente na subida, parou e eu não tive o reflexo para brecar. O instrutor usou o seu pedal para não batermos o carro. Isso, na terceira oportunidade que empreendia a prova.

É claro que faltou aulas práticas para melhorar o meu desempenho, mas o problema é que sempre considerei que nem todos têm a capacidade necessária para conduzir um veículo. Nas mãos erradas, é uma arma letal. O Brasil tem um dos maiores números de mortos (quase 8 por hora), além de pessoas com danos físicos permanentes. São números de uma verdadeira guerra civil. Um golpe em nossa dignidade humana.