20 / 09 / 2025 / Centopeia*

Está pequena centopeia caiu na cuba da pia do banheiro de fora e não conseguia vencer a sua curvatura. É muito frustrante escorregar com dois pés, imaginem com algumas dezenas. Ajudei o bichinho a superar o trajeto com um graveto e ganhei a minha tarde…

*Realizei esta postagem em 2013. Qualquer coisa para mim importava registrar, como se fosse um diário no Facebook. Situações aparentemente sem importância ganhavam proporções de acontecimento. Eu me sentia mais leve, mais saudável. Ainda não perdi o hábito de registrar fatos e circunstâncias sem aparente relevo. Apenas para lembrar que a vida é exatamente isso…

18 / 09 / 2025 / Morte Em Família*

Na saída do Terminal, na pista oposta, em direção ao Centro, jazia o corpo recém atropelado de um pequeno cão. Ao seu lado, pedindo para que os carros parassem, alguém que provavelmente o retiraria do asfalto, cena que não presenciei, já que o meu ônibus havia partido.

No dia seguinte, uma faixa colocada entre dois postes pedia, aliás implorava, que na eventualidade de alguém encontrar uma cadelinha com determinadas características, seria bem recompensado, caso a devolvesse. Ao final do apelo, o motivo recorrente: “criança doente, família desesperada”.

Só mais tarde, vinculei um fato ao outro, já que as características da cadelinha perdida eram bem próximas a do bichinho estendido no chão, pelo que eu pude perceber à distância no dia anterior, pela janela do ônibus. Seria uma, a outra? E a proximidade, o sumiço, e a morte, todos itens do mesmo episódio?

Passei a especular sobre as várias possibilidades relativas à história. Na versão mais feliz, a cachorrinha seria encontrada, a criança ficaria bem, a família estaria contente e alguém acabaria recompensado. No entanto, um cãozinho morrera, de qualquer forma. A quem pertencia, provavelmente faria falta a sua companhia e o sentido de perda persistiria. Na pior versão, aquele corpo que jazia no cinza era o objeto de estimação perdido e, nesse caso, perdido para sempre. Restaria a lembrança eterna na memória de quem conheceu Jully… 

*Texto que compõe REALidade, meu primeiro livro de crônicas, lançado em 2015, pela Scenarium Livros Artesanais.

17 / 09 / 2025 / Elipse Lunar*

A imagem acima é estritamente ilustrativa. Há um ano*, escrevi:

“Noite de eclipse lunar, quando a sombra da Terra é projetada sobre a Lua, fazendo com que fique com uma coloração avermelhada. Aqui em São Paulo não há eclipses solares, lunares e ou de quaisquer ares. A poluição não nos deixa ver… ou como geralmente está nublado, apenas podemos imaginá-los. Para depois poder ver os registros de outros lugares. Faz um friozinho gostoso — 13°C — e a garoa de vez em quando dá a sua cara. Noite perfeita para tomar banho de Lua encoberta”.

Aliás, neste ano, não foi diferente…

Foto por Ajinkyaaa em Pexels.com

13 / 09 / 2025 / A Celebração Da Feminilidade*

Em nosso trabalho com a Ortega Luz & Som, vivemos momentos que nos marcam de uma forma ou de outra, principalmente quando envolve movimentos que nos deslocam para sensações inéditas e, muitas vezes profundas. Sobre a imagem acima, escrevi:

“Ontem, como estava há quatro dias ‘virando’ de um evento para outro, não estranhei que me sentisse em um sonho quando começou o cortejo dos candelabros conduzidos pelas bailarinas do grupo de Nazira Izumi. Ao adentrarem ao “Picadeiro”, com o auxílio generoso da bela trilha sonora, o clima da apresentação pareceu o de uma reunião de modernas bruxas na floresta, a homenagear os mistérios femininos. Cumpriu a nós, expectadores, apenas nos deixarmos levar pela beleza dos movimentos ritmados…”.

Eu sou um homem que ama as mulheres em sua profundidade e força. Quando acontece de encontrarmos a celebração de seus mistérios de maneira explícita, ainda de que forma delicadamente artística, mais poderosa ela se mostra. Foi o que aconteceu no dia 11 de setembro de 2016*. Publicado no dia 12 de setembro do mesmo ano, reproduzo neste blogue como a relembrar o quanto homenageio quando a minha atividade me traz prazer de alguma ordem.

08 / 05 / 2025 / O Dia Seguinte

Apenas para contextualizar, ontem houve uma passeata na Avenida Paulista pedindo anistia para aqueles que tentaram dar um Golpe de Estado comandado por alguns militares, militantes à mando do Ignominioso Miliciano que está em prisão domiciliar portando o delicado adereço da tornozeleira eletrônica. Essa é uma demanda “caso” o ex-capitão expulso do Exército com desonra por seus pares por arquitetar planos de explodir bombas no recinto da Força a qual servia. Eu, sinceramente creio que seja uma pessoa com sérios problemas mentais e, aparentemente de ordem genética, já que seus filhotes — do 01 ao 05 — apresentam deformações comportamentais parecidas. Ou isso ou nunca o exemplo de uma péssima criação deixou efeitos tão colossais nas mentes de crianças malcomportadas.

Uma dessas “crianças” — como o próprio o pai salientou — arquitetou um contra-ataque contra o julgamento de seu pai por quebra das regras democráticas. Com a ascensão do Agente Laranja nos Estados Unidos, ele conseguiu se imiscuir num grupo próximo ao presidente americano para levar adiante a aplicação de uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados para os EUA, mesmo que isso prejudicasse (como prejudicou) os próprios empresários e consumidores americanos. Tirante o tiro no pé contra o seu País, a contrapartida exigida foi a paralização do julgamento do seu espelho aqui. Portanto, vocês do Futuro que eventualmente vier a ler este texto, saibam que, um dia, uma enorme bandeira americana foi estendida tendo um pontinho verde-amarelo do seu lado, apenas para sinalizar onde estávamos como se fosse uma marca no mapa.

Quem foi à Avenida Paulista, antigo centro financeiro do Brasil, deslocado para a Faria Lima — porque nada é permanente — tomado de um ímpeto em defender um sujeito tão néscio que não trabalharia numa empresa para fazer os serviços mais simples: incapaz, inconsequente, destrambelhado e mal intencionado, que não dá para entender a razão de tal devoção. A explicação mais básica é terrível — essas pessoas pensam de igual maneira. São contra as regras democráticas, não admitem a inclusão, a diversidade cultural e de gênero, apoiam a misoginia e a homofobia como plataforma de defesa da família tradicional de cunho patriarcal. Além de envolver a religião cristã de cunho evangélico de viés americano como orientativo ou manipulador de ações governamentais.

E sabemos que já foi o tempo em que a Igreja está separada do Estado. Ao que parece, isso apenas serve de adesismo para caracterizar esse movimento como de ótica religiosa. Enfim, Deus, Família, Ódio, Propriedade, Rachadinha, Joias, Negacionismo e Antidemocracia devem ser defendidas. Nessa passeata do Mal, pelo menos se constatou que o Governador do Estado está nu. Finalmente revelou que por baixo do discurso indeciso de antes tornou-se francamente à favor do Golpe, militarista que nunca deixou de ser. E segundo eles mesmos já proclamaram — a verdade vos libertará.