Pode parecer incrível, mas quanto mais eu me interiorizo, mais eu me abro. Quanto mais eu me exploro, mais eu consigo me conectar com o resto de mim, que são todos, que são tudo. No entanto, alguns mistérios permanecem. Há alguns lugares em minha alma que estão inacessíveis… Tem sido mais fácil chegar ao Sol…
Categoria: Diário
02 / 08 / 2025 / BEDA / Agosto
O mês de Agosto é um dos meus favoritos. Quase fim de Inverno, auspícios da Primavera e mês que foi decisivo para mim de várias maneiras. Neste dia, há 37 anos, a Tânia e eu começamos a namorar. No dia 12 do ano seguinte, em 1989, nascia a Romy, a primeira das três filhas que tivemos. Optou-se por ser feita uma cesariana, já que não havia dilatação suficiente para que nascesse a criança. A Tânia, insatisfeita com o hospital em que nasceu a nossa menina, pediu para ir para a casa, com 14 horas de operada. Na imagem acima, lá está a Romy sendo cuidada pela mãe e por mim, que não queria deixar de participar desse evento que é cuidar da prole.
Eram experiências que sequer havia imaginado viver um ano antes e que mudou decisivamente a minha vida, justamente perto do Dia dos Pais. Esse não era o caminho que eu queria ter escolhido, antes. Mas abençoo que tenha tomado o rumo que tomei, totalmente diverso. Essa foto foi colocada no grupo da família, gerando comentários graciosos como o da própria Romy que disse que estava sendo cuidada pela caçula, Lívia, muito parecida com a mãe. As três mulheres são unidas entre si e cuidam umas das outras.
Nesse aspecto, apesar de todas as tribulações pelas quais passamos, sou um homem realizado. Ser pai quase me define como ser humano.
1º. / 08 / 2025 / BEDA / Estado De Negação
Acima, temos a imagem do monumento de Abraham Lincoln. Foi o 16º presidente dos Estados Unidos da América, liderando o País na sua maior crise interna, a Guerra Civil Americana, preservando a integridade territorial, ainda que tenha suscitado uma certa divisão ideológica entre o Norte (União) e o Sul (Confederação). Ocasionado principalmente pela abolição da escravatura defendida pelo Sul. Desde então, os EUA se tornou o centro da atenção do resto do Mundo. Terra prometida, recebeu imigrantes de todo o planeta que os ajudaram a prosperar e criar expectativas como exemplo de desenvolvimento tecnológico, social e ideal capitalista.
Durante os séculos subsequentes após a Guerra de Secessão, o crescimento do País abarcou possibilidades jamais imaginadas antes, servindo de modelo a ser alcançado. Até que… um suposto homem de negócios infalíveis que, de fato quase chegou à falência sobrevivendo ao cometer uma série de transgressões contábeis, manteve o seu império e, vaidoso, assumiu o desejo de se tornar o homem mais poderoso do Mundo. Conseguiu se eleger uma primeira vez e após um interregno de quatro anos, voltou a se eleger, algo que só não aconteceu por um centímetro.
Hoje, o Agente Laranja, em seis meses, conseguiu transtornar todo o sistema econômico que o próprio EUA ajudou a expandir. Foi uma iniciativa esdrúxula resultante por ter dormido sobre a ideia de que fosse hegemônico. Tendo o maior mercado consumidor mundial, passou a sobretaxar os produtos que chegam aos EUA numa espécie de chantagem comercial. As últimas notícias são mais graves ainda, pois deu ordens que submarinos nucleares se posicionem perto da Rússia após um entrevero verbal com o ex-presidente russo Medeved, um sujeito tão linha dura quanto o Agente Laranja é imprevisível.
Quer dizer que um homem repugnante em quaisquer termos, incluindo o moral, está colocando o planeta em suspensão também no sentido bélico. É tudo tão assombroso que a tentativa de intervir no Brasil com a nítida intenção de auxiliar um aliado ideológico de viés ultradireitista é até leve diante da tentativa de colocar uma outra potência nuclear contra a parede. Fico pensando se Abraham Lincon poderia imaginar que um dia, no futuro, o maior mandatário do País fosse um bucaneiro que brinca de desgovernar uma nação inteira, enquanto fatura, com as suas resoluções, bilhões de dólares ao apostar contra as moedas dos países sobretaxados.
31 / 07 / 2025 / Velho Aos 10
Desde jovem sou apaixonado por Maysa. Quando descobri um disco dela perdido entre outros, tão ou mais antigos quanto, eu simplesmente não parava de ouvi-lo, a ponto de deixar todo mundo em casa maluco. O meu pai tinha um disco de 48 rotações que de um lado tinha “Meu Mundo Caiu” e, do outro, “Ouça”. Eram belíssimos exemplos das chamadas músicas “dor-de-cotovelo”. Eu tinha cerca de dez anos e já sofria por amor não correspondido, vê se pode…
30 / 07 / 2025 / Quando Me Resgatei*
Numa quinta-feira, final de Julho de 2021*, escrevi: “#TBT recente, de Fevereiro deste ano, momento em que precisei voltar ao útero marinho para me salvar. Esta imagem, feita em Ubatuba, onde passei quatro luas, portava um colar de contas. Escrevi à respeito: ‘Os Pataxó são um povo indígena brasileiro de língua da família Maxakali, do tronco Macro-Jê. Em sua totalidade, os índios conhecidos sob o etnônimo englobante Pataxó Hãhãhãe abarcam, hoje, as etnias Baenã, Pataxó Hãhãhãe, Kamakã, Tupinambá, Kariri-Sapuyá e Gueren.
Apesar de se expressarem na língua portuguesa, alguns grupos conservam seu idioma original, a língua Patxôhã. Praticam o ‘Xamanismo‘ e o Cristianismo. Vivem no sul da Bahia e em 2010, totalizavam 13.588 pessoas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A @ingriidortega trouxe da região onde os portugueses aportaram pela primeira vez em Pindorama, esse colar de contas. A minha ascendência indígena me permite usá-lo para além de objeto decorativo, por carregar vários significados. Para mim, é como voltar para a kijeme“.
O uso do colar de contas representou para mim uma volta à minha origem. Quando garoto, nas brincadeiras em que havia simulação de lutas entre Cowboys e Guerreiros Indígenas, eu abdicava dos pedaços de madeira simulando revólveres Colts e adotava varetas simulando arcos e flexas. Quase sempre morria… mas morria com honra. Sentia que era um resgate do meu ser original…



