04 / 05 / 2025 / A Decaída

Flor solta de um ramalhete,
cortada de sua origem,
a trouxe para casa
e a pus em um pequeno vaso
com água…

Ainda que por alguns dias,
a bela decaída passeou
o seu poder sedutor pelos recintos…

Antes de juntar os seus átomos
decompostos aos outros
que a esperavam,
a coloquei para ver o sol a decair,
para que percebesse que tudo
ao nosso redor
vive o seu ciclo…

Por fim, a flor cumpriu o seu destino:
a de inspirar e morrer…

03 / 05 / 2025 / Pobre E Bela

A Periferia é pobre, mas a tarde é bela.
O povo é despossuído, mas a sua natureza é singela.
A rua é íntima amiga, muitas vezes serve de abrigo.
A violência existe e, em contrapartida muito amor.
Que a tarde abrigue este momento confortador…

01 / 05 / 2025 / Arya Stark*

“Vinha a minha sobrinha, Verônica Ortega, a caminhar pela rua em direção à minha casa, quando percebeu que uma mocinha acompanhava os seus passos. Quando chegou ao portão, recebeu uma comidinha, um pouco de meu carinho e o olhar desconfiado dos outros moradores de quatro patas. Logo que a Verônica entrou, começou a chorar. Eu a deixei entrar, o que fez sem dar bola para os seus iguais, a distribuir simpatia, percorrendo a garagem como se a conhecesse. Mais tarde, ela e a saíram para buscar os eventuais cuidadores que estivessem a procurá-la. Sem sucesso. Alguém disse que ouviu falar de um motoqueiro que deixou um cachorro por ali, mas não saberia dizer se fora ela. Enfim, de volta a casa, recebeu banho e mais um pouco de comida. Cansada, dorme desde a tarde, tranquila e afável. Talvez, o nome pelo qual comecei a chamá-la não seja tão adequado, visto o viés intenso e tenso guerreiro da Arya Stark original, mas senti necessidade de homenagear uma moça porreta. Com vocês, Arya!”

*Esta postagem é de 2019. O interessante é que um tempo depois, a Arya desenvolveu Cinomose, uma doença tão severa que a maioria dos cães afetados vem a falecer. Então, ela se mostrou tão guerreira quanto a personagem de The Game Of Thrones e sobreviveu, apresentando apenas pequenas sequelas que cuidamos, como uma certa irritação no órgão urinário. Seu comportamento continua doce e, sendo tão fofa, frequentemente a chamamos de “Clemosa“.

29 / 04 / 2025 / BEDA / Humanos*

A minha luta constante, interna, é contra a vaidade (mental, não física) e o egoísmo. Inveja, presumo não ter. Pelo simples fato de que eu, sendo eu, não posso desejar ter o que o outro tem, na aparência, sem saber o que outro vive profundamente. E eu preso muito a minha profundidade, muitas vezes indecifrável para mim mesmo.

Eu, sendo um mistério em meu âmago, quero continuar a me descobrir. Em conversa informal com a Romy, me dei conta de uma coisa muito simples e que, por isso mesmo, era quase invisível, pelo menos para mim: se desejo o bem da humanidade, devo necessariamente desejar o meu próprio bem. E isso não é egoísmo. É altruísmo. É desejar o bem estar do próximo em mim mesmo, o ser mais próximo de mim.

Se eu não estiver bem, não há como compartilhar o bem estar. Se estou sofrendo, não há como enxergar a paz para além do imediatismo limitado pela dor a ser superada. Para amar o próximo como a mim mesmo devo, antes de tudo, amar a mim mesmo e, em mim, a minha humanidade. Que todos tenhamos um dia melhor. Que todos possamos nos valorizarmos individualmente e nos amarmos coletivamente. E humanamente…

*Vivia Abril de 2021. Em Janeiro, havia tido uma séria crise de ansiedade. Eu me refugiei por Fevereiro inteiro em Ubatuba e de lá voltei renovado. E com um livro escrito: Curso De Rio, Caminho Do Mar.