07 / 08 / 2025 / BEDA / Três Tigres E Um Veado

Tive que resolver um problema com o meu aplicativo de banco no meu celular e fui para a Avenida Angélica. Quase chegando à minha agência, passei pela Praça Buenos Aires. Do lado de fora, visualizei um monumento que quis ver de perto. Havia outros, mas esse me chamou mais a atenção por sua temática. A placa indicava o título: Veado Lutando Com Três Tigres.

Como sou um sujeito que conhece razoavelmente a Natureza, achei estranho que três tigres se associassem em um ataque a um pobre veado. Os tigres são caçadores individualistas, solitários, com ação em um determinado território. Agem de forma diferente dos leões (ou leoas) que costumam se unirem para usarem conjuntamente estratégias de ataque.

Fiquei incomodado com a violência gratuita da obra, bem desenvolvida em termos técnicos. Aparentemente de origem francesa, não sei porque alguém poderia a ideia como algo de relevância que não seja somente a excelência dos traços. No mais, acho de mau gosto desnecessário que as artes plásticas produziu.

06 / 08 / 2025 / BEDA / Projeto Fotográfico 6 On 6 / Seis Meses, Seis Fotos (Mutante)

Ao me debruçar sobre o tema acima, fiquei imaginando quais imagens poderia colocar dentre as muitas que produzi de lugares e pessoas. Mas como estou a me sentir um tanto introspectivo sobre a passagem do tempo, decidi colocar a mim como alvo de elocubrações quanto à passagem do tempo marcado no olhar.

Nesta imagem de Janeiro de 2018 estou no camarim de um clube em Campinas, onde logo mais à noite, haveria um baile de salão. Faria a sonorização da Banda Ópera Show. Formada por Tânia Mayra e João Soares como cantores (dos melhores no estilo), permanecemos por mais dois anos, até o advento do isolamento social para conter a temível Covid-19. O resto é uma triste história, incluindo a passagem de João Sorriso, como o chamava, por causa de um câncer no Pâncreas.

Esta segunda foto ocorreu em Fevereiro de 2016. Usei um aplicativo para criar o tom rubro da imagem que já se destacava pela incidência dos raios solares do crepúsculo. Gosto dela porque prospecta o meu olhar de quem quer enxergar para além do imediato, apesar de tentar viver o agora.

Foto da minha primeira identidade com cara de terrorista. Eu a retirei em Março de 1979, tinha 17 anos e uma nascente barbicha. Logo, por efeito de ter me tornado vegetariano, começaria a emagrecer bastante até ficar um tanto irreconhecível. Depois de me adaptar pouco a pouco à alimentação sem carnes de qualquer tipo, consegui ficar menos magro. Essa fase, durou cerca de dez anos, até me casar, em 1989.

Esta imagem tem três anos. Talvez estivesse tentando me levar mais à sério naquele Abril de 2022. Apesar de ser séria a situação do País em que as ações do então (des)governante estava a progredir para a tentativa de Golpe de Estado colocada em pauta dia sim, dia não. A estratégia então empreendida era a de esticar a corda e agir no sentido de alicerçar a sua continuação no poder, obstada por aquele que hoje é o seu algoz quando estava no TSE. O interessante é que, preocupado com um eventual Golpe de Estado por parte da esquerda, promulgou no ano anterior a Lei 14197 que acabou por levar a ele próprio às barras do tribunal do STF.

Um pouco antes do início do Inverno em Maio de 2023, o País já havia superado uma tentativa de Golpe de Estado em 08 de Janeiro. Os raios do entardecer me aqueciam às primeiras brisas frias. Tanto eu quanto a Bethânia apreciávamos os crepúsculos que espero continuar a usufruir num Futuro mais promissor.

Chegamos a Junho de 2025 e esta é a minha última mutação. Envelheço com certa dignidade, escrevendo planos para o Presente, que é como eu vejo o Futuro. Sinto-me bem, mas algumas dores se fazem evidentes no corpo que são menores que as da alma. Assim como no Passado, nada de novo…. Vamos em frente!

02 / 08 / 2025 / BEDA / Agosto

O mês de Agosto é um dos meus favoritos. Quase fim de Inverno, auspícios da Primavera e mês que foi decisivo para mim de várias maneiras. Neste dia, há 37 anos, a Tânia e eu começamos a namorar. No dia 12 do ano seguinte, em 1989, nascia a Romy, a primeira das três filhas que tivemos. Optou-se por ser feita uma cesariana, já que não havia dilatação suficiente para que nascesse a criança. A Tânia, insatisfeita com o hospital em que nasceu a nossa menina, pediu para ir para a casa, com 14 horas de operada. Na imagem acima, lá está a Romy sendo cuidada pela mãe e por mim, que não queria deixar de participar desse evento que é cuidar da prole.

Eram experiências que sequer havia imaginado viver um ano antes e que mudou decisivamente a minha vida, justamente perto do Dia dos Pais. Esse não era o caminho que eu queria ter escolhido, antes. Mas abençoo que tenha tomado o rumo que tomei, totalmente diverso. Essa foto foi colocada no grupo da família, gerando comentários graciosos como o da própria Romy que disse que estava sendo cuidada pela caçula, Lívia, muito parecida com a mãe. As três mulheres são unidas entre si e cuidam umas das outras.

Nesse aspecto, apesar de todas as tribulações pelas quais passamos, sou um homem realizado. Ser pai quase me define como ser humano.

30 / 07 / 2025 / Quando Me Resgatei*

Numa quinta-feira, final de Julho de 2021*, escrevi: “#TBT recente, de Fevereiro deste ano, momento em que precisei voltar ao útero marinho para me salvar. Esta imagem, feita em Ubatuba, onde passei quatro luas, portava um colar de contas. Escrevi à respeito: ‘Os Pataxó são um povo indígena brasileiro de língua da família Maxakali, do tronco Macro-Jê. Em sua totalidade, os índios conhecidos sob o etnônimo englobante Pataxó Hãhãhãe abarcam, hoje, as etnias Baenã, Pataxó Hãhãhãe, Kamakã, Tupinambá, Kariri-Sapuyá e Gueren.

Apesar de se expressarem na língua portuguesa, alguns grupos conservam seu idioma original, a língua Patxôhã. Praticam o ‘Xamanismo‘ e o Cristianismo. Vivem no sul da Bahia e em 2010, totalizavam 13.588 pessoas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A @ingriidortega trouxe da região onde os portugueses aportaram pela primeira vez em Pindorama, esse colar de contas. A minha ascendência indígena me permite usá-lo para além de objeto decorativo, por carregar vários significados. Para mim, é como voltar para a kijeme“.

O uso do colar de contas representou para mim uma volta à minha origem. Quando garoto, nas brincadeiras em que havia simulação de lutas entre Cowboys e Guerreiros Indígenas, eu abdicava dos pedaços de madeira simulando revólveres Colts e adotava varetas simulando arcos e flexas. Quase sempre morria… mas morria com honra. Sentia que era um resgate do meu ser original…

28 / 07 / 2025 / Ódio (Ou Desprezo)

O ódio é um sentimento pessoal e intransferível? No meu caso, sim. Eu procuro não sentir ódio porque me sentiria intoxicado a ponto de adoecer. E nem quero exportar o meu sentimento íntimo ao próximo. Odiar me faz mal. Mas não deixo de sentir raiva. Para evitar um ciclo vicioso da raiva se transformar em ódio acabo por cultivar um sentimento que me desgastaria inutilmente, eu acabo por desenvolver um sentimento pior — o desprezo.

O desprezo é um sentimento pior porque pressupõe uma manifestação de superioridade em relação ao outro que não faz parte dos meus princípios. Além disso, sei que ninguém deve se considerar acima das forças da vida que equaliza a todos nós como seres pequenos demais para nos sentirmos superiores aos semelhantes. Ser um convicto também é algo que carrega um peso extra — o da imobilidade mental. É uma característica dos loucos.

Em contraponto, alguns considerariam que mudar de posicionamento seja uma questão de fraqueza moral. Por outro lado, a imagem que eu tenho é de estarmos sendo atacados com bolas de fogo jorrados por um vulcão em erupção e mudança de opinião é um movimento de autodefesa, evitando ser transformado em cinzas. Mas não fujo do campo de batalha. Pode parecer contraditório, mas considero uma maleabilidade racional, principalmente em tempos em que temos informações demais e, muitas, falsas, jogadas ao ar como se fossem bombas.

A batalha que mais se aproxima de soldado de uma guerra é a de me colocar contra o movimento de Ultra-Direita capitaneada a partir dos EUA pelo Agente Laranja. Assim como o veneno usado pelos EUA durante a Guerra do Vietnã,que ocorreu de 1962 a 1971um herbicida desfolhante que até hoje, segundo recentes pesquisas realizadas continuam a contaminar o solo e os habitantes do País asiáticoas suas ações, ainda que combatidas de frente, terá repercussões durante décadas.

Esse movimento encontrou dentro do Brasil aliados entusiasmados que mesmo ao prejudicar a nação não se importam em não apenas aceitarem como colaborarem com o movimento de ataque de guerra econômica ao País. O Agente Laranja, aproveitou seu posicionamento ideológico para justificar taxar em 50% todos os produtos exportados por nós ao País “amigo” por conta de uma suposta perseguição do Brasil ao seu “amante” –– como o próprio amante se coloca.

Essa tarifação supera qualquer outra impingida aos outros países e se configura como uma chantagem, como se fosse o resgate de um sequestro. O movimento que lidera, o MAGA, em suas bases carrega um grupo que mais se assemelha a componentes da Ku Klux Klan. Ou até do Neonazismo. Carregam a mesma raiz — ódio dirigido aos diferentes de suas convicções, com exponencial viés racial e um ideário religioso que avilta os mandamentos cristãos que dizem aceitar buscando, em última instância, a “purificação” do povo americano.

Querer a “América Grande” outra vez de fato idealiza deixar todos os outros países abaixo os seus pés. Isso não acontecerá. O inimigo anterior era a Rússia, agora é a China que cometeu o grandíssimo pecado de levarem o Capitalismo à sério, o transformando em política de Estado. Sua imensa população de 1,5 bilhão de pessoas tem saboreado com a paciência desenvolvida em 5.000 mil anos de existência alcançar pouco a pouco um patamar de desenvolvimento positivo como nunca na História da Humanidade.

A ideia de que se trata de um País comunista — apesar de não entenderem do que Comunismo se trata — faz com que encontre temerosos agentes de combate contra a sua ideologia. Mas a política empreendida pelo País asiático tem um método que não é usado pelos EUA — o de capacitar seu parceiro de negócios com estruturas que viabilizem as trocas comerciais como a construção de portos e vias de transporte como ferrovias e rodovias, além de fábricas locais. Talvez seja o comportamento mais próximo do que se significa, ainda que com características capitalistas, do que seja Comunismo.

O meu desprezo aos recalcitrantes de plantão, daqueles que estão à serviço do retrocesso, negociadores da pobreza para se sentirem ricos, de comerciantes do racismo e da negação de que somos iguais em direitos, aos defensores da religião como modo de desunião em vez de comunhão entre os cidadãos de um País e entre os povos do planeta.