11 / 03 / 2025 / Carroceiros*

A minha homenagem a uma das profissões mais antigas do mundo. Sempre que passo em frente desse pequeno quadrilátero de madeira, me impressiono com os detalhes mal vislumbrados, pois passo rápido o suficiente para não ser mal interpretado por quem lá estiver. Neste lugar ainda vejo, vez outra, cavalos serem ferrados e carroças sendo preparadas ou reparadas. Há muitos anos, era comum vermos passar cavalos e cavaleiros pela antiga fazenda que foi loteada para se constituir no bairro de Vila Nova Cachoeirinha. Nos dias de hoje, muitos cavalos, confinados em carros barulhentos e fumacentos, despejam outros tipos de dejetos (vaporizados) em nosso meio ambiente. 

*Texto de 2013

06 / 03 / 2025 / Projeto Fotográfico 6 On 6 / #TBT

Desfilarei por aqui algumas imagens através do tempo. As imagens têm o poder de preservar uma idade, uma feição, um corpo, um tempo, um lugar. Tanto quanto deveria preservar a memória. Mas isso cabe a nós que passamos por ele. E isso varia de acordo com a capacidade de cada pessoa. Há a condição de envolver certas cenas em torno de fantasias ou desejos. A memória prega peças e é comum que fiquemos saudosos de certas épocas ao rever-nos mais jovens. Eu, que tento viver um dia de cada vez, vou deixando a saudade de lado sempre que possível. É comum sentir que estou tratando de outras pessoas em cada visão.

E essa cabeleira? Pois, é! Devia ter meus 22 anos. Estou do lado de meu irmão, Humberto. Essa imagem foi produzida no centro da cidade de Matão, onde o meu pai herdara uma fazenda, a qual estava arrendada para uma usina de produção de etanol. Nessa visita, constatamos que a fazenda, antes distante da cidade, estava cada vez mais perto. Mais alguns anos, certamente os bairros se aproximariam do canavial. Nunca voltei por lá para constatar. Tempos depois, a fazenda foi vendida para usina.

Mais uma foto com o Humberto. Este registro foi feito no salão do Clube Piratininga, por ocasião de uma apresentação de uma orquestra de baile de salão, em 2005. Foi um tempo gostoso de ser vivido, apesar do desgaste físico que representava subir equipamentos pesados até o palco pelas muitos degraus de suas escadas.

Estava eu em frente ao mar, um sol para cada um, tempo de sobra depois de ter montado o palco… o que poderia fazer? Mergulhar nas águas quentes de São Sebastião, no Litoral Norte. O tempo gasto no trabalho pode ser também de usufruto de bons momentos. Fiz bem! Depois desse mergulho, trabalhei por 30 horas seguidas…

Em 2021, completei 60 anos. As minhas filhas me deu de presente uma viagem à Paraty (RJ), cientes de meu apreço pelo Mar. Foram dias incríveis que eu e a Tânia usufruímos com prazer. Nessa viagem também tive contato com a História e a Natureza em momentos inesquecíveis.

Houve uma época que era totalmente avesso a fotos. Fugia como se quisesse proteger a minha alma, feito um indígena que imaginava que ela ficaria refém da imagem. Nessa, devo estar com 19 anos, num visual típico dos Anos 80. Na época, era vegetariano e acreditava que sequer namoraria, quanto mais que me casaria. Mas o mundo dá voltas…

Para finalizar, volto ao início, de onde trago esta foto junto àquela através da qual aprendi amar às mulheres. Eu devia ter por volta de um ano de idade (1962 ou início de 1963) e as praças de São Paulo eram lugares bem mais aprazíveis do que são agora. Ao fundo, provavelmente, pelo que pesquisei, apesar de não haver sequer uma foto para identificá-la, está “Mulher Nua“, de Charis Brandt. Ela desapareceu da Praça da República em julho de 1994; era uma obra em bronze com 1,70m de altura e pesava cerca de 105 Kg; ficava sobre um pedestal de granito rosa.

22 / 02 / 2025 / Cinéfilo*

Em *2017 publiquei:

“Gosto muito desta camiseta, dada a mim por uma das minhas filhas. Aliás, os seus nomes foram inspiradas em atrizes às quais admiro muito — Romy (Schneider), Ingrid (Bergman) e Liv (Ulmann). Sou cinéfilo desde garoto e, durante algum tempo, acalentei o desejo de ser diretor de filmes. Enveredei por outros caminhos, mas percebi que se cinema é a vida em movimento, cumpro o papel de diretor do meu corpo em função do meu trabalho com eventos. Em vários lugares por quais passo, alguém sempre estará a filmar o momento que vivo…”.

Post Scriptum: Nessas voltas que o mundo dá, conheci um jovem cineasta — Wes Matta —amigo da minha filha mais nova, que decidiu adaptar textos meus para produções independentes. Outra pedido dele foi o de que eu atuasse, o que eu já fiz algumas vezes, com gosto por estar dentro daquele processo criativo.

21 / 02 / 2025 / De G… Para J…*

Este quadro, eu encontrei na rua, jogado junto ao lixo para ser levado dali a pouco. Tela simples, traços básicos, paisagem típica de uma marinha. Quase não o trago para casa, mas percebi que havia algo escrito à lápis atrás da tela, que se iniciava assim:
“De G… para J
É um prazer muito grande estar lhe presenteando com um pedacinho de mim”. Era uma declaração de uma funcionária para a sua “chefe” que acabou por se tornar amiga. Discorre sobre as razões pelas quais a admira. E se encerra desta maneira: “Continue sempre assim. Te desejo muita paz de espírito e felicidade e a todos que convivem com você. Beijos!”
G… 15/03/01″. Imagino que quem quer que tenha jogado fora, não foi J… Talvez, um filho ou neto que não tenha conexão com a arte… da amizade…

*Texto de 2019