06 / 01 / 2025 / Projeto Fotográfico 6 On 6 / Cult Coffee And Books / Lançamento de REALidade*

No dia *25 de Março de 2017, realizou-se o lançamento de títulos da Scenarium Plural — Livros Artesanais, com a presença de seus escritores e amigos. Usamos as dependências da Ekoa Café, na Vila Madalena. Assim foi porque o café é uma bebida-símbolo dos escritores do selo — coffee always…

Homens machos e a sua editora… — com Lunna Guedes e o poeta Joaquim Antonio.
Aconteceu o meu encontro com a escritora do “Diário Das Coisas Que Não Aconteceram“…
— com Aden Leonardo.
Brinde à Scenarium! — com Lunna Guedes,  Aden Leonardo, Marco Antônio Guedes e Maria Florêncio.
Com Roseli V. Pedroso, querida componente de nosso grupo de amizades plurais.
Família Ortega presente, esposa e filhas — Tânia, Romy, Ingrid e Lívia.
Autografando um dos exemplares de meu primeiro livro pela ScenariumREALidade — de crônicas.

Participam: Lunna Guedes / Roseli V. Pedroso / Claudia LeonardiMariana GouveiaSilvana Lopes

14 / 01 / 2025 / Lembranças Pandêmicas

Em 2020, escrevi: “Tenho TOC. Estava acostumado a ter a disposição seis copos no repositório. Como demos alguns para a Lívia, passamos a ter cinco. Não pensei duas vezes, comprei um copo de requeijão do bom. Daqui a pouco, estará apto a ser usado. Logo mais, à tarde, passarei o que resta no pão italiano amanhecido e comerei com leite quente misturado ao café solúvel em vidro de geleia. Ah!… Apenas para constar, o meu pote de sorvete às vezes tem feijão congelado…”.

Em Janeiro de 2021, por mais que tentasse disfarçar, eu estava depressivo e percebia crescer uma imensa crise de ansiedade. Por mais que gostasse das atividades caseiras, só restava para fazer lavar louça, cozinhar, varrer o chão, passar pano, lavar-estender-recolher roupas no varal. Passei a viajar para o passado, buscando momentos que pudesse me resgatar daquele marasmo. Postei: “Devido à minha atividade profissional, ligada aos eventos artísticos no campo da música, de várias matrizes, que diminuía muito em Janeiro, eu aproveitava para descansar mentalmente e fazer minhas incursões pelo litoral paulista, normalmente à Praia Grande, onde a família tem uma casa. Mas em 2014, passei uns dias em Itanhaém, a convite do amigo Coimbra. Foram dias incríveis, dos quais apresento dois registros. Atualmente, a Pandemia de Covid-19 tornou tudo mais difícil. É preciso evitar aglomerações, o que impede que eu tenha o contato com o Sol e o Mar que tanto amo.”

Coimbra, Romy & eu…
Na Praia do Centro, em 2014

No final de Janeiro de 2021, sabia que se eu não tomasse uma atitude, eu teria outra crise. Em outras duas oportunidades, o meu corpo respondeu veemente revoltado, me levando a ficar na UTI, com graves crises orgânicas: na primeira vez, uma gastrite hemorrágica (com 6 de hemoglobina); na segunda, hiperglicemia (900 mg/dL), me levando à Diabetes. Nessa última oportunidade, fiquei quatro luas em Ubatuba. Eu me salvei. Ajudou-me escrever “Curso De Rio, Caminho Do Mar“, lançado pela Scenarium no mesmo ano.

10 / 01 / 2025 / Retribuição

Quando construímos a casa onde moramos, decidimos preservar duas mangueiras ainda em fase de crescimento, apesar de já estarem já um tanto altas, não tanto quanto hoje. Para isso, para ocuparmos uma área maior na parte de cima da casa, avançamos cerca de um metro, com o uso de “mãos francesas” para isso. Eu já intuía que as plantas fossem seres sencientes, mas quando li “A Vida Secreta Das Plantas“, obtive corroboração através de experimentos realizadas por quem escreveu o livro, dois botânicos: Peter Tompkins e Christopher Bird (que sobrenome incrível!).

Com o tempo e o alargamento de seu tronco principal, fomos adaptando o piso do quintal, assim como realizamos podas necessárias para que se desenvolvesse bem. Como resposta, está firme e forte, de copa ampla, onde abriga pássaros e até morcegos, e toda a mini fauna decorrente dessa estrutura. A produção deste ano está sendo bastante frutífera, para ficar num lugar comum. Não apenas nós a consumimos, mas para quem doamos aqui e ali para quem deseja. Essa retribuição me deixa bem comigo mesmo, o que já é um agrado a mais nessa minha batalha para construir a minha relação benigna com o mundo.

Nessa última imagem, uma manga caída no jardim central, está mordida ou roída por um dos moradores e/ou frequentadores da “nossa” mangueira.

Atividades Na Pandemia*

Depois do jardim, que ainda não acabou, entramos pela casa e a sala é o próximo alvo. Eu sempre gostei de atividades caseiras, mas devo confessar que nunca foram a minha especialidade a parte da manutenção. Ainda reverbera a frase desencorajadora do Sr. Ortega nesse quesito, muito talentoso: “Você cola as coisas com cuspe e amarra com barbante”. Ele talvez não apreciasse que eu gostasse de ler o que caísse às minhas mãos ou ficasse horas escrevendo em folhas soltas, as quais guardava em caixas de sapato. Se não há tentativa, não ocorrerá o erro, porém muito menos haverá o acerto. E se há algo de certo nesta vida é que o conhecimento se constrói de erro em erro, até aprendermos a fazer. Além disso, é uma terapia incrível, fora eu me sentir produtivo em tempos de intervalo na minha atividade profissional…

*Texto de dezembro de 2020

Projeto Fotográfico 6 On 6 / Quintal

Quando a minha mãe quis nos oferecer o terreno ao lado da nossa casa, também pertencente à família, conjecturou dividi-lo em duas partes. Eu respondi que preferia que ela o cedesse inteiro, nesse caso, para o meu irmão. Argumentei que sendo criado com quintal, caso fosse dividido, teria a configuração típica e opressora de casa assobradada e garagem para o indefectível automóvel com passagem estreita para a movimentação das pessoas. O meu irmão iniciou as obras para a fundação da casa. Sem recursos para continuar, cedeu a mim o terreno em troca da compra de uma casa já pronta.

Dessa maneira, idealizei desde o início a formação do quintal com uma área para um jardim intermediário e outro (fechado) na parte da frente. Lá, plantamos várias árvores frutíferas envasadas para não se desenvolverem demais, com exceção de duas bananeiras — uma prata e outra, nanica — além de jabuticabeira, mexerica, amoreira, goiabeira, ameixeira, pitangueira — além de abrigar muitas outros tipos de plantas, entre trepadeiras, como o “ora pro nobis”, “jiboias”, “sapatos de judia”, “costela de adão”, bem como ornamentais. Viver na Periferia me deu essa oportunidade de poder conviver com esses incríveis seres do Reino Vegetal.

A primeira visão que tenho ao acordar é o do quintal, tendo a Mangueira, rainha do meu espaço, moradia de pássaros que vivem nela, além dos visitantes eventuais. Vivemos a temporada de colheita e da chuva de mangas que despencam quando amadurecem. A cachorrada se refestela delas com vontade. Aqui, o cão chupando manga é lindo de se ver!

Ter uma árvore grande como a nossa mangueira implica em termos varrer sempre para não forrar o chão de folhas que caem em profusão. Essa mangueira já existia antes da construção da casa e fizemos questão de conservá-la, há mais de 30 anos. Ela nos retribui com um fruto saboroso, doce. Além comê-lo in natura, fazemos sucos que nem precisam ser adoçados. Sinto que é um agradecimento à nossa decisão.

Esse é o Alexandre. Resgatado há mais de dois anos, bem magro e descomposto, ganhou ares confiantes dignos de um Pincher do qual parece descender, misturado. Ele é o que toma a iniciativa de proteger o quintal, latindo para qualquer coisa que se move na rua. O seu latido é forte e encorpado. Não parece sair do seu pulmãozinho. Nem parece que passou duas semanas sem emitir um som quando chegou…

Outros frequentadores do quintal incluem desde o Tortuga, nosso jabuti de prováveis 100 anos (meu falecido pai que morreu com 82 anos o conheceu quando menino), passando pelos outros companheiros da turma — Arya, Bethânia, Dominic, Lolla, Alexandre e do velho Nego (que apareceu na foto da varrição) e, eventualmente, o Bambino, meu neto, que aliás está de visita. O Tortuga é bastante curioso e gosta de caminhar bastante. É mais rápido do que se imagina e “some” de uma hora para outra.

Na varanda junto ao meu quintal consigo apreciar o crepúsculo sempre que tenho oportunidade — esse registro foi feito hoje, dia 6. É um horizonte ainda não tomado por construções mais elevadas, mas considero que seja questão de tempo a chegada dos perfis alinhados de edifícios a tornar a linha uniforme e retangular.

Ao Sol se por ainda conseguimos delinear plantas como a jabuticabeira com floração que logo se tornarão apetitosas jabuticabas. É de uma hora para outra e muitas vezes não chegamos antes dos pássaros que não são bobos de bicá-las antes de nós. Capturei sem querer a Bethânia que não sei o que fazia parada no degrau da escada. As samambaias também comparecem, além de uma parte da mexeriqueira que, infelizmente, deixou de produzir…

Participam: Claudia Leonardi / Mariana Gouveia / Lunna Guedes / Roseli PedrosoSilvana Lopes