Da esquerda para a direita, temos Ingrid, Tânia, Lívia (com a Bethânia no colo), eu e Romy, a primogênita.
Ontem, foi Dia dos Pais. E eu sou um deles. Se alguém me perguntasse o que poderia me definir como homem, o fato de ser pai é o que mais se aproxima de como gostaria de ser reconhecido. Sou escritor, mas a minha história como pai tem sido muito mais desafiadora do que construir uma narrativa de qualidade. A ficção é mais fácil de ser desenvolvida do que a realidade cotidiana de cuidar de filhas num mundo em que as mulheres são tratadas como cidadãs de segunda classe, ainda que muitas sejam protagonistas de conquistas relevantes.
Como são as minhas filhas, em certo sentido. Elas são unidas, talentosas, bem sucedidas em suas atividades e, principalmente, boas pessoas, com uma visão progressista e solidariedade social com os despossuídos. O meu maior presente foi estar com elas num almoço gostoso e alegre. Considerando a roda viva que vivemos, foi um momento especial e memorável.
Há 14 anos, no dia 09 de Outubro de 2011, completava meio século de vida. Como legenda da imagem coloquei que estava me sentindo meio a meio. Estava fazendo o Curso de Educação Física e conseguia, mesmo estudando com jovens com metade da minha idade, acompanhar as atividades práticas. Esta foto foi feita num ambiente festivo — um evento surpresa — que reuniu parentes e amigos em um buffet próximo de casa. Nunca imaginei que o sujeito que jamais havia tido uma festa de aniversário quando menino, pudesse participar de uma montada especialmente para si. Agradeço à todos que dela participaram. E, principalmente, à minha família, que pôde me proporcionar esse momento único. Agora, eternizado.
Eu coloco, especialmente em minhas postagens no Instagram, “hashtags” como #amanhãser, #emtardeser e #anoiteser. Eu utilizo a mesma sonoridade de amanhecer, entardecer e anoitecer para reforçar o meu ideal de ser, sempre. No entanto, quando não somos? Eu digo que nem sempre. Na página da Ortega Luz & Som — #ortegaluzesom — anuncio: “Eu quero ser, além de ser, Ser!”… Com essa frase, eu tento demonstrar que diferencio simplesmente “ser” de “Ser”. O verbo Ser ou Estar é complexo em seu contexto do ponto de vista filosófico. É muito comum as pessoas confundirem ser com estar, especialmente na experiência de viver, a ter a condição de estado como descrição prática de ser. O meu objetivo primordial, desde que me dei conta de nosso estado físico transitório, e a crer que o espírito nos precede como repositório de nosso aprendizado realizado na Terra, é de Ser. Ainda que estejamos a viver no mundo material, Ser é o que pretendo ser.
Tive que resolver um problema com o meu aplicativo de banco no meu celular e fui para a Avenida Angélica. Quase chegando à minha agência, passei pela Praça Buenos Aires. Do lado de fora, visualizei um monumento que quis ver de perto. Havia outros, mas esse me chamou mais a atenção por sua temática. A placa indicava o título: Veado Lutando Com Três Tigres.
Como sou um sujeito que conhece razoavelmente a Natureza, achei estranho que três tigres se associassem em um ataque a um pobre veado. Os tigres são caçadores individualistas, solitários, com ação em um determinado território. Agem de forma diferente dos leões (ou leoas) que costumam se unirem para usarem conjuntamente estratégias de ataque.
Fiquei incomodado com a violência gratuita da obra, bem desenvolvida em termos técnicos. Aparentemente de origem francesa, não sei porque alguém poderia a ideia como algo de relevância que não seja somente a excelência dos traços. No mais, acho de mau gosto desnecessário que as artes plásticas produziu.
Ao me debruçar sobre o tema acima, fiquei imaginando quais imagens poderia colocar dentre as muitas que produzi de lugares e pessoas. Mas como estou a me sentir um tanto introspectivo sobre a passagem do tempo, decidi colocar a mim como alvo de elocubrações quanto à passagem do tempo marcado no olhar.
Nesta imagem de Janeiro de 2018 estou no camarim de um clube em Campinas, onde logo mais à noite, haveria um baile de salão. Faria a sonorização da Banda Ópera Show. Formada por Tânia Mayra e João Soares como cantores (dos melhores no estilo), permanecemos por mais dois anos, até o advento do isolamento social para conter a temível Covid-19. O resto é uma triste história, incluindo a passagem de João Sorriso, como o chamava, por causa de um câncer no Pâncreas.
Esta segunda foto ocorreu em Fevereiro de 2016. Usei um aplicativo para criar o tom rubro da imagem que já se destacava pela incidência dos raios solares do crepúsculo. Gosto dela porque prospecta o meu olhar de quem quer enxergar para além do imediato, apesar de tentar viver o agora.
Foto da minha primeira identidade com cara de terrorista. Eu a retirei em Março de 1979, tinha 17 anos e uma nascente barbicha. Logo, por efeito de ter me tornado vegetariano, começaria a emagrecer bastante até ficar um tanto irreconhecível. Depois de me adaptar pouco a pouco à alimentação sem carnes de qualquer tipo, consegui ficar menos magro. Essa fase, durou cerca de dez anos, até me casar, em 1989.
Esta imagem tem três anos. Talvez estivesse tentando me levar mais à sério naquele Abril de 2022. Apesar de ser séria a situação do País em que as ações do então (des)governante estava a progredir para a tentativa de Golpe de Estado colocada em pauta dia sim, dia não. A estratégia então empreendida era a de esticar a corda e agir no sentido de alicerçar a sua continuação no poder, obstada por aquele que hoje é o seu algoz quando estava no TSE. O interessante é que, preocupado com um eventual Golpe de Estado por parte da esquerda, promulgou no ano anterior a Lei 14197 que acabou por levar a ele próprio às barras do tribunal do STF.
Um pouco antes do início do Inverno em Maio de 2023, o País já havia superado uma tentativa de Golpe de Estado em 08 de Janeiro. Os raios do entardecer me aqueciam às primeiras brisas frias. Tanto eu quanto a Bethânia apreciávamos os crepúsculos que espero continuar a usufruir num Futuro mais promissor.
Chegamos a Junho de 2025 e esta é a minha última mutação. Envelheço com certa dignidade, escrevendo planos para o Presente, que é como eu vejo o Futuro. Sinto-me bem, mas algumas dores se fazem evidentes no corpo que são menores que as da alma. Assim como no Passado, nada de novo…. Vamos em frente!