16 / 02 / 2025 / O Jogo Do Amor*

Em *2015, escrevi o texto abaixo que versa sobre o amor romântico. Em 2023, escrevi um texto mais maduro, chamado Amor & Ser, que amplia a discussão sobre o eterno tema sobre os vários tipos de amores.

“Amar é como se fora um jogo. Normalmente, entre dois jogadores apenas. Porém esta é uma imposição por quem nunca percebeu que o jogo do amor é incriado e não apresenta regras formais. Pessoalmente, creio que o desejo de amar seja tão grande, deseja-se tanto participar do jogo, que ninguém sabe porque joga, como não sabe se ganhou ou perdeu quando acaba, já que muitas vezes, os participantes não percebem quando a partida acabou ou apenas se ilude que não, tentando prorrogá-la ad eternum.

Outras tantas vezes, os jogadores mal sabem quando a peleja começa. Outros, declaram que não estão participando da sempiterna peleja, tornando-se dessa forma, um jogador muito procurado, com passe muito valorizado. Se isso é uma arguta tática de jogo ou apenas inocência, o fato é que é comum esse craque marcar gols decisivos. Vencedores, quem o seriam? Como não há regramento, poderíamos dizer que não haja vencedores e vencidos. Mas na aparência, pode até haver, já que os próprios ‘atletas’ estipulam placares pessoais e serão justamente esses que se sentirão derrotados ou vencedores quando fizerem a auto avaliação. São o que chamaria de jogadores ‘profissionais’.

Eu, pessoalmente, acho que sempre ganhamos ao jogar. Como não há regras, podemos querer jogar (amar), quantas vezes quisermos, com uma companheira ou um companheiro, separadamente ou com muitos ao mesmo tempo (jogo perigoso!) ou com o mesmo ou a mesma a vida (campeonato) toda. Este é um jogo tanto ou mais perigoso quanto a outra modalidade. Para sentirmos que estamos jogando bem é necessário que nos reinventemos o tempo todo, buscando novas jogadas, estimulando a parceira ou o parceiro a melhorar o seu jogo, sabendo que mesmo que estejamos com a sensação de perda, será sempre possível revertermos a situação.

Melhor pensando, chego à conclusão (momentânea) que o sofrimento será uma boa medida de nossos ganhos e que se sentirá vencedor aquele que acumular maiores perdas, porque amou demais. Esse é o amador, para mim, o melhor jogador…”.

15 / 02 / 2025 / Um Jogo*

Eu trabalho com eventos. Volta e meia atuamos fora de São Paulo. Em *2016, escrevi, acerca de um episódio na estrada, no retorno de um deles:

“Na passagem da Rodovia Anhanguera (um bandeirante, portanto, violento, para a Bandeirantes (Anhanguera e todos os outros), faz-se uma leve curva, à direita. Ao emparelhar conosco, que estávamos a frente, um grande e pesado caminhão transportador de sementes (algumas delas se chocaram contra o nosso para-brisa) imprudentemente quase nos empurra para junto da murada… Ao nos aproximarmos, pudemos ler na sua traseira: “O jogo está apenas começando”. Quem encara a estrada da vida como um torneio, só tem a perder! E, enquanto joga, esse tipo vai acumulando vítimas (para quem joga, perdedores) pelo caminho. Perdemos todos nós…”.

14 / 02 / 2025 / Sobre Pragas*

Nesta mesma época, em 2020*, publiquei o texto abaixo, em plena vigência da Pandemia de Covid-19. Como a replicar a atual realidade, só que na parte de cima no Mapa Mundi, vemos acontecer a mesma gerência da realidade como se, por sortilégio dos deuses, um senhor tangerina de parca capacidade administrativa imprime uma visão de mundo como se brincasse de joguinhos de dominação, a narcísica criatura buscasse manipular a ordem com atitudes violentas — anexação, deportação, invasão, destruição.

“Eu sei que tem muita gente gostaria de um Corona Vírus para apimentar a nossa vida de perigo. Não precisamos. Vivemos em um País com péssimo Saneamento Básico, causador de doenças endêmicas; crescimento de mortes por Dengue e Chikungunya; a volta da Paralisia Infantil, Sarampo e da Tuberculose, por falta de vacinação, resultado de pura ignorância estimulada pelas Redes Sociais — assim como ‘adquirimos’ este desgoverno —, que cogita diminuir a assistência aos doentes de AIDS, que resultaria no aumento de casos de doenças oportunistas, principalmente daquelas que se aproveitam de pessoas que não se previnem ou estão desassistidas por políticas públicas de saúde deficientes. O portador de AIDS normalmente se cuida, toma precauções e se medica convenientemente, segundo mostra estudos recentes. O comportamento de risco geralmente se dá por parte daquele que se considera eleito pelos deuses, geralmente ‘homens’ socialmente aceitos como acima de qualquer suspeita — os piores — que transmitem doenças às esposas, alheias a vida dupla de seus companheiros. Para piorar, a base de tudo — a Educação — que desenvolve cidadãos mais conscientes e aparelhados de conhecimento para sanear a Sociedade do lixo mental e da desinformação, está sendo alvo de um processo silencioso e paulatino de desmonte. O desinvestimento nessa área se inicia desde a infância, com a retirada de verbas para creches. Como estudante de História, parece que estou vendo acontecer no cotidiano uma representação de fatos antigos, de séculos passados, que julgava ultrapassados para este novo milênio. O que surge como exercício de distopia — um dos temas preferidos pelos escritores — está sendo reeditado como obra de péssimo autor. Já estou a prever a procissão de hordas de convictos caminharem, por ordem superior, até a beira da Terra plana para saltarem para o Infinito…”.

Foto por Julissa Helmuth em Pexels.com

13 / 02 / 2025 / 20 Anos Aos 50*

Eu estou me sentindo com 20 anos! Estou passando por uma fase de transição que está me renovando as forças! Nesta foto, devo estar com um pouco mais que isso, mas poderia passar por um garoto de 16. De certa maneira, eu era tão ingênuo que efetivamente era um adolescente, psicologicamente. Nos tempos em que era obrigatório apresentar carteira de identidade para assistir a filmes proibidos — como os considerados quase “subversivos” politicamente ou de conotação sexual — fui obrigado a fazê-lo até os 24. E depois? Depois, veio a abertura política e, enquanto eu perdia a virgindade d’alma, continuamos, como coletividade, a nos enganar com promessas de um País que será sempre (e apenas) “do futuro”…

Caiu a ficha! — termo antigo, do tempo do “orelhão” — armaram para mim!
— com Tânia Ortega e Lívia Ortega, na festa surpresa de 50 anos, em outubro de 2011.

*Texto de 13 anos antes.

12 / 02 / 2025 / Grana*

*Há dez anos antes, escrevi:

“Apenas hoje, ao passar pela milésima vez, ou mais, por aquela esquina, foi que percebi a sequência de edificações ocupadas para diferentes finalidades — um estiloso motel, uma agência bancária e a unidade de uma igreja cristã. Pensei em fazer uma observação atilada de como aquele espaço expunha o poder das necessidades básicas dos sentidos, dos sentimentos humanos e do desejo de poder pelo poder, passando pela feição espiritual e ou educacional.

No entanto, uma faixa de “Aluga-se” na frente da entrada do prédio onde ficava a igreja, me demoveu momentaneamente de fazer um comentário de efeito moral. Ao final de tudo, niilistamente, não deixo de constatar que esta é uma cidade em que reza a grana e qualquer outra coisa vem a reboque.

Como já disse Caetano é “… a força da grana que ergue e destrói coisas belas…”. Caetano compreendeu bem o processo que permeia as relações em um lugar como Sampa, para usar um codinome que ele consagrou para esta cidade. Mesmo porque, quando mudou para cá nos finais dos Anos 60, veio justamente atrás da sobrevivência financeira e da divulgação de seu trabalho musical. A aparente contradição reside no fato do dinheiro que enquanto ergue belos monumentos, enterra a História — exemplo determinante da personalidade deste lugar.

Não tirei foto porque trata-se de instituições particulares, principalmente o banco, com o apelo de sua fachada. Mas a configuração é esta — um motel em estilo kitsch, como tem que ser, dividindo o muro com o banco, que divide o muro com a igreja batista que, junto com escola que mantinha, mudou de endereço — sexo, dinheiro e fé — ainda que pé quebrado…”.