quando a encontro fico na expectativa de voltar a mergulhar em momentos de entrega e sedução ela confessa que sem mim passeia de pés descalços pelo chão da solidão pede para que eu me deite e vem em minha direção pronta para me abocanhar inteiro ainda que seja apenas uma parte de mim primeiro me deixa com o coração extasiado meu pelo arrepiado transcendo e fico me sentindo sendo mais do que sou torno-me vivo aceso louco de paixão e desejo quando a possuo boca à procura da sua menina enveredo por caminhos quentes vibrantes língua a bebê-la a sentindo plena emoções profundas mas leves como uma pena quando estou com ela permaneço fora do tempo ainda que o meu relógio interno me chame para fora dela porque provavelmente eu me perderia e o meu espírito indeciso de mim se sentiria em perigo de abandonar-me de vez para ir a norte de mim mesmo e, por lá… ficar…
praça de alimentação de um shopping famílias homens mulheres crianças cães vez ou outra ladram os sinos de avisos repercutem sonoros agudos pessoas falam alto pensativos um ou outro dos presentes permanece mudo ausente do presente muitas mulheres estão sós esperam olham pelo celular possíveis mensagens a hora que passa nada pediram intimamente pedem talvez que não se atrasem ou mesmo que isso ocorra que venham eu me intrometo em suas histórias proponho alternativas viáveis e poucas escapam de uma constante esperam homens compromissados com outras com deveres familiares tentam fugir de suas prisões uniões que se esgarçaram com o tempo buscam viver novas emoções encontros com o furor juvenil já envelhecidos se sentem remoçados e quem os espera sabe disso algumas conhecem as companheiras possíveis amigas mas se sentem apaixonadas não assumem que sejam invejosas mas estar com o objeto de desejo as fazem se sentir poderosas mas aqueles a quem esperam são simplesmente homens num mundo em que seu poder se desmorona se comportam como seres sem honra ou apenas escapar da rotina da lida sentirem que estão vivendo novas sensações na vida talvez nem gostam de quem venham a encontrar porém querem se enganar que ainda têm o poder de brincar com os sentimento das mulheres viver a emoção da conquista quando sempre serão elas que se permitem também brincam com a capacidade de seduzir buscam conquistar novas possessões num mundo utilitarista apenas visitar outros corpos como turistas não querem que eles se apaixonem que fiquem pegajosos grudentos ciumentos brincam com fogo transformam ambos em um jogo que se nisso ficassem não seria de todo mal gozo prazeroso acima das leis patrimoniais abaixo das obrigações sociais para os outros mentirosos pessoas de vida dupla para si mesmos mulheres e homens portentosos sem culpa…
Foto por UMUT ud83cudd81ud83cudd70ud83cudd86 em Pexels.com
manhã de amena insolação café na mesa pão crocante manteiga sem sal creme de ricota mel mamão uva geleia de morango chocolate e surpresa com toda a delicadeza você se esgueira entre os pés do tabernáculo sagrado da refeição matinal abaixo da elevação ouvimos o som da água descendo em correnteza que se choca entre as pedras retumbante em dança e música da natureza de ser livre presente em se desfazer e se reagrupar em poças filetes remansos rebeldes limpos aproveita que estou apenas de calção retira a proteção e fico exposto à sua adoração eu que já adivinhava a sua intenção já estava a intumescer aquele que pensa por si só e você ama que ele responda mesmo depois de tantos anos a sua boca o beija passeia a língua por onde deseja o possui estamos ao sul de qualquer norte a luz solar a invadir a nossa intimidade fluida e inocente sem mancha enquanto reza busca a profundeza de si geme eu quase urro sem testemunhas de tamanha beleza quase choro não é pelo gozo não é pelo prazer não é pelo vazio que me preenche não é pelo abandono de consciência de que sou um com o todo com a sua entrega me tem sob seu controle apenas consigo entender que sou possuído enquanto me sinto liquefeito mole passeio por outros mundos vívidos me energizo me perco me integro me entrego enquanto você me engole… me deixa exangue mas me arranca um sorriso quando agradece: “obrigada pelo gole!”…
*Corria o ano de 2020. Em plena Pandemia de Covid-19, aquele que deveria zelar pela saúde pública não quis enveredar pelo cuidado da população brasileira. Como seguia a cartilha professada pela extrema direita vinda diretamente de influenciadores como Steve Bannon e Olavo de Carvalho, o sujeito proferiu uma declaração que refutava o uso de vacinas porque seríamos todos transformados em “ma… (quase disse ‘macacos’) jacarés”. Quando ficou claro que não conseguiria suplantar a pressão pública, junto com a quadrilha que comandava o seu (des)governo, urdiu um plano de contratar uma vacina indiana sem nenhuma comprovação de eficácia, mas que prometia render um valor exorbitante de dividendos aos seus companheiros de quadrilha, com depósitos realizados em uma conta desvinculada ao devido processo legal de contratação da vacinação. Enfim, como o “mundo plano” dessa turma não dá voltas, mas capota, hoje o Ignominioso Miliciano cumpre pena por tentativa de golpe. Maas o mais triste é que sua recusa às medidas sanitárias custou um sofrimento atroz a vários brasileiros e ainda que tivesse 3% da população mundial, foi responsável por 11% da mortandade pela Covid. À época, dezembro de 2020, escrevi o poeminha abaixo…
Quem é você, quem sou eu? Sou homem, mas não filisteu. Sou de Libra, sou de cabaré. Sou menino, sou Jacaré**. Aquele que cocou sete vezes, não pagou, enfrentou revezes. Sou um tanto estimado, um pouco odiado. Tranquilo em minha raiva, barco a vela à deriva. Sou réptil a sobreviver de resto, do frágil, de cadáver. Melhor símbolo pantaneiro que podia haver, agora me tornei opositor ao poder.
** Certa ocasião, fui à região da Rua Santa Efigênia comprar produtos eletrônicos referentes ao meu trabalho e numa parede estava escrito “Jacaré cocou sete vezes e não pagou (um recado de uma das trabalhadoras do sexo da região) alertando para a geral o sobre o tal caloteiro. E eu só fiquei a especular porque não recusou serviços depois do terceiro calote, por exemplo…
uma terça-feira perdida da semana no início de dezembro — um inesperado dia solar empurrado pelo vento vindo do interior me encaminhei em direção ao Mar pela previsão do tempo à tarde choveria como choveu mas para mim não importa eu não busco o Sol vou em direção ao líquido amniótico como a criança com saudade do útero da mãe as águas límpidas já prenunciavam a chegada da frente que baixaria a temperatura e revolucionaria o movimento das ondas em desencontros como se um gigante balançasse um copo descomunal sabia que mais tarde as águas estariam mais interessantes para quem busca o embate líquido que me jogaria de um lado para o outro como acontecia com a criança fui-sou-serei porque sei que assim morrerei não que me considere jovial mas porque continuo a ver a vida como novidade caminhando olhando para os lados com imensa curiosidade um garoto perdido em corpo envelhecido…