04 / 05 / 2025 / A Decaída

Flor solta de um ramalhete,
cortada de sua origem,
a trouxe para casa
e a pus em um pequeno vaso
com água…

Ainda que por alguns dias,
a bela decaída passeou
o seu poder sedutor pelos recintos…

Antes de juntar os seus átomos
decompostos aos outros
que a esperavam,
a coloquei para ver o sol a decair,
para que percebesse que tudo
ao nosso redor
vive o seu ciclo…

Por fim, a flor cumpriu o seu destino:
a de inspirar e morrer…

03 / 05 / 2025 / Pobre E Bela

A Periferia é pobre, mas a tarde é bela.
O povo é despossuído, mas a sua natureza é singela.
A rua é íntima amiga, muitas vezes serve de abrigo.
A violência existe e, em contrapartida muito amor.
Que a tarde abrigue este momento confortador…

02 / 05 / 2025 / Só, Mas Acompanhado

caminho só mas acompanhado
circunspecto
quem bem eu quero não está por perto
sei que ela pensa em mim
assim como penso nela sim
em nossos encontros esporádicos
erráticos
arrancados feito saborosas goiabas no pé
aos quais nós comemos até o caroço
deixamos os lençóis em alvoroço
passeamos sem culpa por avenidas e ruas
baixo a sóis e além de luas
quase alcançadas mas nunca vivenciadas
quem sabe um dia?
enquanto isso nos servimos de ambrosia
para mitigar da distância as dores
para nos alimentarmos de sabores
saudosos de beijos e ventanias
que nos abatem por onde formos
porque somos o que somos
a soma de desejo e paixão
e bem querer em demasia
em cortejo de procissão
adoradores do coração
caminhantes e amantes
se quero uma vida alternativa a que tenho
vou em frente não me detenho
sonho e componho
na ausência do toque de sua boca
um poema que me acompanhe…

Foto por Vika Kirillova em Pexels.com

27 / 04 / 2025 / BEDA / Frida Calada*

Frida
fala pelos olhos…
Nasceu ressabiada de gestos bruscos,
como se trouxesse abusos
de vidas passadas…
Passou a se aproximar aos poucos,
a vencer a timidez,
a se colocar embaixo de mesas,
em cantos de sofás,
junto aos nossos pés…
Hoje, perdeu de vez as travas…
Sentiu o frio chegar
e arranhou a porta para entrar…
Frida, outrora calada,
vive agora a deitar falas
com o seu olhar…

*Poemeto de 2016. A Frida anos depois se encantou… arranhou a porta do Paraíso e entrou…