10 / 02 / 2025 / 15 Anos*

Raquel,
as mulheres, aos quinze anos,
adquirem alguns poderes…

O poder de concentrar
quinze séculos de paixão
em quinze segundos de olhar…

O poder de paralisar
quinze homens ativos
ao toque de quinze beijos furtivos…

O poder de levar
quinze viajantes à Lua
à vista de seus quinze primeiros passos
dados na rua…

O poder de remover quinze montanhas
à caminho do Mar para mergulhar
em seu desejo de amar…

Mas, enfim, use com cautela
os seus novos poderes
para o bem da rapaziada…

*Versejar encontrado em um papel, de ano indeterminado, em homenagem ao aniversário de uma prima, mas que eu poderia estender a todas as mulheres.

Foto por Connor McManus em Pexels.com

04 / 02 / 2025 / Coaxar*

Para Marineide e Diovani

Pelos amigos, fui chamado para versar
Sobre a expressão dos bichos no campo
O zumbir dos grilos, dos sapos, o coaxar
Não os vejo mais, tal e qual o pirilampo

Vivo na cidade — duro asfalto, frio cimento
Apenas os busco na terna e fugidía memória
No reencontro da infância, no pensamento
Chego a pensar que são invenção, uma estória

Serão esses seres originários de ficção?
Sonhos de uma vida que tive ou ainda terei?
Como o brilho das estrelas, uma mera ilusão?
Pois mesmo já mortas, as vejo e ainda as verei?

O que me diz Diovani, o bardo cristalino?
O que me conta Marineide, a fada central?
Vivemos todos uma igual fantasia e destino?
Mentimos a mesma verdade universal?

*Versejar de 2015

29 / 01 / 2025 / Amantes

Quem acha que seja impossível 
chupar cana e assobiar, 
não conhece os amantes…
Amantes são capazes de caminhar 
sobre o chão em brasa 
com o sorriso despercebido 
de quem esconde um grande segredo…
Desencarnam os pés,
porém disso não se apercebem,
pois confundem a dor com prazer…

Amantes dão nó em pingo d’água.
Trocam o certo pelo duvidoso.
Não creem nas certezas perenes 
e apostam quase tudo no imediato.
Amantes só tem como certo
o aqui e o agora…
E juram que o futuro conjura 
contra as suas paixões…

Amantes
intuem que passarão…
Que passará a sensação de vertigem…
Que cairão… em si…
Vazios…
alheios…
desamados…
E como se sentem morrer de sede,
bebem do veneno
até a última dose, 
a sonhar morrerem
apaixonados…

Foto por Anthony ud83dude42 em Pexels.com