O sol invernal,
até quando se esconde,
deixa um rastro de beleza para trás.
Nesses momentos,
sem poder persegui-lo em sua trajetória
na qual espalha encanto pelo caminho,
só desejo acordar no dia seguinte
para contemplá-lo mais uma vez…
*Poema de 2015
Categoria: Poemas
Citadino*
Você me chamou e não a ouvi
Estava absorto na faina cotidiana
Navegava pelos rios de asfalto da cidade
Percorria os túneis de fuga terra adentro
Para fora de mim mesmo
Sempre apartado do meu corpo
O que poderia ser um sinal de independência
Não se cumpria
Pois os pensamentos arquitetados
Por outras mentes
Eram absorvidos pelos meus olhos
Invadiam o meu cérebro
E eram caminhados por minhas pernas
Se incorporando à minha rotina
Como se meus fossem através do poder de intervir
Consumado pela arquitetura citadina
Realizada pelos planejadores do ir e vir
Estava partindo para um lugar certo
Porém não pensava nisso
Mesmo querendo parecer borboleta
Ainda que formada e liberta
Voltava para o meu casulo
Que me atraía
Como tal, as minhas asas voavam um voo curto
Mais decorativas do que eficientes
E termino sendo um simples humano ser
Fingindo um próprio querer…
Foto por Erick Blanco em Pexels.com
*Poema de 2015
Pequenininhos* & Comestíveis*
Pequenininhos
“Paê, para onde está indo o Sol?”
“Filho, nem sempre as coisas são o que parecem ser… É a Terra que está a dar uma volta sobre si mesma, enquanto viaja no espaço em torno do Sol. E ele é apenas uma estrelinha entre milhões de outras na Via Láctea, em torno das quais giram outros tantos planetas como o nosso. E a nossa galáxia é apenas mais uma entre milhões de outras, neste canto deste Universo… Sendo assim, somos muito pequenininhos…”.
“Pôxa, paê, isso eu sei… Sou o menor da escola…”.
*Texto de Julho 2016
Comestíveis
Bananas ao Sol invernal na manhã
desta terça-feira de feira.
Estão, a manhã e as bananas,
lindamente vestidas
de amarelo comestível…
*Poema de Julho de 2015
O Ar
Quantas montanhas tiveste que escalar
Para chegar até aqui e agora, neste patamar?
Por quantos vales tiveste que passar?
Por quanta lama tiveste que chafurdar?
Quantas mentiras tiveste que revelar?
Quantas verdades tiveste que relevar?
Quanto amor tiveste que reivindicar?
Quanto amor tiveste que recusar?
Para ser o que és, quanto ódio tiveste que provocar?
Quanto ódio tiveste que aceitar?
Quantas vezes pintaste a boca de carmim para beijar?
Quanta boca carmim procuraste para borrar?
Quantas vezes tiveste o bom senso de evitar
O desejo que te condenaria ao eterno regurgitar?
Quantas vezes tiveste a loucura de se entregar
Ao fogo que te salvaria do instante perpétuo de amar?
Quanto ar tiveste que respirar
Para simplesmente, no fim, o expirar?





