
A Lua,
quarto-crescente,
de 102 bilhões de anos…
A Aranha,
de 102 dias…
Um dia, ambas se extinguirão,
assim como todos nós…
Só o amor sobreviverá…
Participam do BEDA: Darlene Regina / Roseli Pedroso / Lunna Guedes / Suzana Martins / Mariana Gouveia

A Lua,
quarto-crescente,
de 102 bilhões de anos…
A Aranha,
de 102 dias…
Um dia, ambas se extinguirão,
assim como todos nós…
Só o amor sobreviverá…
Participam do BEDA: Darlene Regina / Roseli Pedroso / Lunna Guedes / Suzana Martins / Mariana Gouveia

sinais são importantes
a eles devemos ficar
atentos
caetano
perguntado se respeitava sinais disse
claro
são sinais
pergunto
por que queremos desrespeitar
o que nos sinalizam?
propaganda de cremes anunciam
serem anti-sinais
como se quiséssemos
apagar
a nossa trajetória
aos meus 14
uma senhora disse para seu filho
no ônibus
deixa o moço passar
fiquei espantado
eu me tornara um moço
barba branca no rosto
atendentes me chamam
de moço
sei que é uma maneira
de afagar a vaidade
estratégia de recepção ao cliente
mas o meu espanto persiste
sou velho demais
para ser chamado
de moço
cabelo rareado
redemoinho falhado
para suavizar discrepâncias
raspo a cabeça
cheia de mentais
reentrâncias
reafirmo a queda inevitável
palavras caducam?
tenho evitado escrever algumas…
sempre
e
nunca
tenho as considerado definitivas demais
aliás
tenho tentado evitar também
demais
aliás
também
e aliás
e sempre
é logo mais
o nunca
nunca mais
porque viver nos ensina que marcar
coisas como definitivas
não pertence
ao nosso mundo
imediatista
impermanente
se me contradigo aqui
é por falta de opção
como não há opção
para a morte do corpo
como sei que a energia
é infinita
enquanto este universo existir…
Foto por SHVETS production em Pexels.com
Participam do BEDA: Suzana Martins / Lunna Guedes / Mariana Gouveia / Roseli Pedroso / Darlene Regina

Noite de calor, manhã morna
Dormimos sem tirarmos os nossos fluidos
Os seus do meu, os meus do seu corpo
Acordo para a labuta
E antes de sair percorro os meus olhos
Pela pele que lhe recobre
Tento compreender a magia que faz
Com que me traga tantos e imensos prazeres
Mesmo depois de tantos anos a percorrê-la
Com a minha boca, mãos e pontas dos dedos
A penetrá-la com a minha impetuosidade
Saio do quarto sem beijá-la, sem tocá-la
Quase fujo
Para cumprir os compromissos do dia…
Foto por Angela Roma em Pexels.com
Participam do BEDA: Lunna Guedes / Roseli Pedroso / Darlene Regina / Mariana Gouveia / Suzana Martins
Vou para…

Vou para…
Onde a claridade busca a escuridão
Onde o azul encontra a imensidão
Onde os corpos se perdem e se dão
Onde não ofertarei o tempo em vão
Onde estarei para arar o meu chão
Onde colherei os frutos do coração.
Participam do BEDA: Roseli Pedroso / Lunna Guedes / Mariana Gouveia / Suzana Martins / Darlene Regina
Se pintasse a sua boca
de carmim, de rosa
ou de transparência pela saliva
plantaria beijos-flores,
beijos-de-sal-e-pimenta
Deitaria a minha cabeça em seu peito
beberia do leite imaginário
feito um menino-homem que deseja
saciar sua sede de prazer
Sentiria meu corpo crepitar feito lenha
na fogueira que nos queima
de paixão no inverno
moraria entre os troncos
de suas pernas-árvores.
Colocaria a minha boca no ninho fendido
doce, aquoso de querência úmida
encetaria a minha língua
por seus descaminhos.
Voaria com o meu pássaro
de cabeça altiva para dentro
desse mundo novo
fulgor de estrela que nasce
em explosão cósmica…
Foto por funda izgi em Pexels.com
Participam do BEDA: Lunna Guedes / Mariana Gouveia / Roseli Pedroso / Suzana Martins / Darlene Regina