somos humanos
imperfeitos
nossa medida de amor
humana
como queremos amores perfeitos?
amamos humanamente
a desejar a perfeição
tão imperfeita medida e ação
em nossas incompletudes
sofremos
a buscarmos mais que a plenitude
amar sem medição
amores perfeitos as flores
constantemente regadas florescem
amores humanos descuidados fenecem
imperfeitos continuaremos amando
porque o amor é imperfeito
por isso nós vivemos
um perfeito amor…
Categoria: Poemas
Noite Branca
foi assim…
ela disse fica bem
respondi fica com deus
eu, que nem nele acredito
despedida marcada
sem uma palavra de adeus
se houvesse mensagens
as ignoraria com sórdido prazer
era uma noite branca
lua cheia por trás da nebulosidade
primavera em outubro rosa
veias cortadas sem sangue
olhos que não se viam
vozes que não se falavam
bocas sem beijos
mãos que não se tocavam
separados pela distância
unidos na mágoa
o frio que se impunha
termômetro nos 25 graus
sete invernos e uma pandemia
talvez já tivesse acabado no solstício
feneceu no equinócio
mas você não mudou, disse ela
você não me ama mais, disse eu
os prédios pintados de tarde
o escuro protetor
das noites nunca alcançadas
ficou para trás nas avenidas centrais.
Coração, Mente E Alma

Há, dentro de mim, uma briga
Momentos em que o meu coração grita
Debate-se dentro do peito
Com o pulmão se atrita
Rebela-se contra os órgãos que abastece de sangue
Autoritário, tenta impor as suas certezas
Rumar contra as correntezas
Chega a sugerir que sonhe a mente
Mente que não aguentará outras aventuras
Que sofrerá com outra aversão
Confia na sua característica demente
A da mente que se engana facilmente
Porque sabe que ela não se exprime
Para além dos sentidos
Aprecia pela visão
Enternece-se pelo som
Subjuga-se pelo toque
Submete-se pelo gosto
É uma mente limitada
Ao mundo que apreende pelas demandas do corpo
Porque é mais simples buscar o sentido de tudo
Pela experiência sensorial?
Onde está a minha alma,
Que não assume a posição de senhora?
A tentar reencontrar a minha alma perdida
Pelas vidas afora
A cada manhã e aurora
De mim, para mim
Amém?
Crisântemos*
Estamos em época de crisântemos
Que florescem como loucos pelos campos
Em tempo de crisálidas soltas pelos cantos
Em troca frenética de roupas em desencanto
Na temporada de cantos de pássaros enamorados
De shakespearianos namorados encantados
Período de sol e de girassóis que se beijam
Era de mudanças externas e interiores
Vivemos mutações profundas e avassaladoras
De mundos novos criados
Mundos novos vencendo velhos mundos
Estrondosa e mudamente, grande e miudamente
Destemperada, cuidadosa e minuciosamente
Estamos em época de novidades e de obviedades
De antigas e permanentes novas idades
De temperança, de esperança, de fazer diferença
Em fase de viver o melhor tempo que há de vir
Se assim viermos a permitir…

*Poema e imagem de 2013
Sem Importância
Moro na Avenida São João.
Vivo perto de tudo.
Tenho árvores em meu jardim,
de frente para a minha sala de jantar,
de estar,
de meu quarto,
de meu lugar.
Que muda de lugar.
O mundo é meu.
Pelas amplas janelas do meu olhar,
observo o movimento das pessoas
a passarem por mim.
Elas não se importam
comigo.
Espero que não se importem
por eu não me incomodar
com elas…


