23 / 07 / 2025 / Coreografia*

Cheguei cansado e com fome, mas logo me restabeleço ao ver a dança das nuvens e do Sol no palco do horizonte. Eu me sacio com gosto dessa repetição diária, porém com infinitas possibilidades coreográficas! Quem não consegue perceber e valorizar esse espetáculo que se apresenta todos os dias em algum lugar do planeta?

*Imagens e texto de 2015

05 / 07 / 2025 / Zé Celso*

*Há dois anos, partia Zé Celso Martinez para realizar um espetáculo novo, em outro teatro que não o seu amado Teatro Oficina. Figura ubíqua da cultura nacional, influenciou seguidas gerações como diretor de montagens que transgrediam os parâmetros pré-estabelecidos da atuação teatral. Há mais de 30 anos, eu passava pelo Bexiga, quando cruzei com ele numa esquina. Nós nos olhamos nos olhos, porque eu acho que era assim que ele se apresentava a quem quer que fosse. Eu, bem jovem e muito mais tímido, não consegui desgrudar os meus olhos dos deles. Durou certa de dois segundos ou uma eternidade, por aí… Espero que voltemos a nos encontrar por lá, na esquina de algum dos cosmos desses tantos…

19 / 06 / 2025 / Indie*

Domingo primaveril… frio e nublado. Do meu lado, no sofá, elas descansam. Uma, Maria Bethânia, um ser estranho — um longo pescoço com rabo — mais velhinha na casa e na idade, deixa de provocar por um tempo a recém-chegada Pomarolla Indie Quitéria Mary Kay — nomes estampados nas caixas de produtos que fazem as vezes de caminhas provisórias. Indie e Quitéria são opções surgidas para dar identidade a uma cachorrinha resgatada na rua pela Lívia.

Peladinha, enrugada, com feridinhas causadas pela coceiras constantes, Indie apresenta um quadro de desnutrição. Nós a estamos tratando para que se recupere e possa ser adotada por alguém. Da maneira que está, parece mais um “filhote de cruz-credo” — um termo antigo que significa algo feio, eu acho… Mas, a seu modo, ela é bonitinha, talvez por parecer tão desamparada.

O que me impressiona é que, mesmo estando há apenas uma semana em casa, ela já passeia pelos cômodos com a confiança de quem sabe que é aceita. Brincalhona, como qualquer criança, Bethânia encontrou um par para as suas estripulias. Devido à lotação praticamente esgotada aqui em casa, essa fêmea abandonada terá que ir para outro lar que a receba com carinho que merece. Por enquanto, que esteja confortável enquanto estiver conosco e que fique logo saudável para alegrar a quem cativar com o seu olhar de anjo.

E, mais uma vez, aconteceu. A Indie Quitéria Janjão, oficialmente apenas de passagem por nossa casa, buscou e conseguiu a proteção amorosa da velha Penélope. De espírito aberto e carinhoso, mesmo que de início venha a estranhar a nova companhia, logo se rende à aproximação dos novos amigos. A Penélope tem o coração maior que o mundo!

*Texto de 2018