“Esse #TBT de 2016 é muito especial para mim. Além da Bethânia, recém chegada, mais afastada, vê-se à esquerda, Frida, que há uns três anos deixou de estar conosco fisicamente e, à direita, Domitila, que encantou-se há pouco. Não são poucas as vezes que acabo por pegar vasilhas a mais para dar comida para as meninas… e me lembro que elas não precisam mais se alimentar de ração, mas apenas do amor que não lhes faltam em nossas lembranças”
maria do arouche lembro pouco cor de entardecer em dia fechado babá gostava manipular meu saco era muito novo ainda conectado com vida antes de chegar ao útero via fantasmas nos corredores andava parapeitos namorava amiga morte chama cama de estrelas meu avô logo cortou nosso laço engatei com maria da penha cresci em liberdade peripécias fazia tudo que queria sem compromisso apenas gozo não me importava mas amava parece outra vida deixei porque fui para longe bárbara encontrei fiquei anos achei nunca terminaria paixão bater bolas contra a bunda na parede na cama no chão sonhava era santa eu gritava entusiasmo feito gol comi duas mesmo lugar épocas diferentes não se conheceram provaram minha torpeza primeira nunca disse amor segunda entreguei ao melhor amigo altíssima alternativa cabelo à la garçon conheci maria tenente olhos verdes amedrontavam nunca toquei sequer abraço somente olhares lenço sujo sangue ideal ilusão perfeição eternidade somente entregou irrealização nunca esqueci sempre amarei era bonito atraía sem esforço fiquei com duas anas a santificada bem mais tempo servia a muitos depois que deixei ainda trepei muitos anos muitas vezes outra ana loura sonhadora disse gostava de mim sou de ninguém de alguém sequer pertenço a mim vivo apaixonado maria maria noiva meu amigo usei muito a língua toques debaixo da mesa deus ausente como navio negreiro biologia estudo profundo casou la bergman foi intenso durou verões veros versos não comunicados alcancei seu corpo debaixo avental desilusão me jogou fora entulho removeu tati e amiga quis as duas na mesma casa não lembro tanque velho nos fundos bebi demais vomitei desmaiei eternas amigas refez história brilhou minha vida pintura de mulher ensinou nova posição bicicleta outra noiva nunca a beijei 30 anos passados vi passar não a chamei augusta andrógina cheia altos baixos travesti do centro aos jardins comi da boca a bunda noites infindas vitória era inocente puta jacaré cocou 7 vezes não pagou vamos fazer neném? paguei sempre às vezes só olhava efigênia irmã mais rodada velha não envelhecida elixir da juventude atual virtual presencial dá a todos os gostos versátil sempre que posso como sem proteção maria antônia antônimo passado conturbado duas caras que se antepunham hoje vive calmaria comi atrás em palco plateia teatro verediana angélica cecília amores livres simultâneas especiais brigava com uma encontrava com outra consolação agitadas corcoveavam suava para satisfazer queria ser notado elas não se importavam tinham quem quisessem quando queriam estranho estrangeira maria paulista ama sem identificar despreza sem qualificar retilínea beleza sem cor amo desamo volto a amar amante inconstante ferina amável indigna perfeita anomalia amante infiel amo fielmente a sem nome aprendi amar foder amar trepar amar lamber amar bater amar puxar amar chupar amar rápido amar lento amar alento amar beber amar comer amar orar amar chorar amar sorrir amar gritar amar brigar amar voltar sem voltar amar amantes de hotéis baratos abençoados por santos centrais laterais três corações zardoz córregos regos monte carlo sempre haverá são francisco finalmente total sentido sem chance nascer outra vez eterna paixão que se fez sagrada porque acabou.
“Ao varrer esta plataforma, encontrei marcas que não havia percebido antes. Como faz alguns anos que foi feita, fiquei me perguntando quem teria deixado este registro para a posteridade. Lembrei das amigas que nos deixaram fisicamente. Não deve ter sido a Penélope, labradora de tinha o corpo e o coração grandes demais. Talvez fosse da Dorô, tão doce e amada por ter crescido junto com as crianças humanas. Ou da Frida, as de olhos de avelãs, quieta ilusionista, que surgia do nada em algum ponto da casa. Da Domitila, que ainda está conosco, também não, pelo tamanho maior do que está marcado. Enfim, o que sei é que daquele patamar as marcas poderão sumir um dia por alguma reforma. Do meu coração, enquanto eu existir, jamais!”.
Olha que esqueci das menores, a Lolla e a Bethânia, tão curiosas que é bem capaz de terem produzido a arte anônima. Infelizmente, Penélope e Dorô nos deixaram fisicamente por causa de câncer. Frida, atropelada quando saiu para cheirar as novidades da rua. Mas continuam existindo enquanto o meu coração bater.
Meninos jogando de bolinha de gude. Rio de Janeiro, 1940.
De antemão, já aviso que este texto pode parecer um tanto escatológico. No entanto, o que relatarei a seguir fala sobre algumas intimidades masculinas e, por extensão, sobre as nossas deficiências e eficiências em sermos tão patéticos.
Eu me lembro de meu pai dizendo que se surpreendera certa vez com um peido inesperado de minha mãe e exclamou: “Nossa! Pensei que as mulheres fossem divinas!”. Evidentemente, todos nós, como seres humanos normais, animais que somos, estamos sujeitos a arrotos e flatulências. Inclusive, é comum entre os garotos competições dos vários tipos de manifestações fisiológicas, além de cuspe ou esporro à distância, o que em último instância, demonstra admirável autocontrole.
Sim, mulheres — mães, namoradas, esposas e amigas de homens — nós somos nojentos. Nem todos, obviamente. Eu mesmo, nunca quis participar desse tipo de torneio ou mesmo de troca-troca. Mas não me deixava de sentir certa invejinha por não conseguir ser solto o suficiente para tanto. No máximo, jogava bolinha de gude na terra onde gatos e cães faziam as suas necessidades (o que me ajudou a aumentar a minha imunidade), porém eu não era tão bom assim em atingir as outras bolinhas de gude no triângulo ou emborcá-las no circuito de cinco buracos em “L”.
Eu adorava jogar futebol e apesar da minha inaptidão física e estilística, era esforçado e através de solitários e intensos treinamentos, melhorei bastante os meus fundamentos. O que me faz lembrar que o esporte favorito dos meninos quando descobrem a sexualidade é a masturbação. É uma prática costumeira, eu diria, costumeiríssima… E a prática leva à perfeição! Mães, se querem que os seus filhos não mintam, nunca perguntem porque o espinhento demora tanto no banheiro. Porém, se masturbar não se resume apenas à adolescência. Também é um costumeiro exercício masculino, mesmo entre os adultos — homens sozinhos ou já esposados. Mulheres, não achem que seja algo estranho. Aliás, não duvido que muitas não lancem mãos (ou dedos) da mesma ação. Saibam que isso garante a fidelidade de corpo aos respectivos cônjuges em muitíssimos casos. Já não posso garantir sobre a fidelidade na imaginação…
Tudo isso para dizer que há poucas diferenças entre meninos e homens. Talvez, o tamanho. Talvez, a perda da inocência. Talvez, a esperança de ser feliz como um passarinho quando voa, tal e qual foi na infância. Mas quem estiver atento, pode perceber o brilho no olhar do homem, como se fora um garoto, quando adquire um carro (brinquedo) novo, quando joga bola no domingo com os amigos ou quando recebe a benção de sua mãe. Muitas vezes, será por causa desse menino ainda existente no homem que uma mulher virá o amar…