25 / 04 / 2025 / BEDA / Horto*

Ontem, precisava estar comigo mesmo e sentir vibrar o meu corpo de uma maneira que pudesse me sentir vivo, apesar da catástrofe que se abateu sobre o País nos últimos dois anos e meio por escolha da maioria de nós.

A Pandemia de Covid-19 realçou a fratura exposta da sociedade brasileira, como se fôssemos um paciente em coma após um acidente. Se vamos nos recuperar coletivamente? Eu, não sei… Mas pessoalmente, estou tentando sobreviver da maneira que posso. Busquei estar comigo mesmo ao mesmo tempo que percebesse a minha conexão com o exterior natural.

Para isso, fiz o percurso de cerca de 4 Km a pé até o Parque Estadual Alberto Löfgreen e por lá caminhei outros 5 ou 6 Km e voltei. O acesso é permitido apenas com uso de máscara e a prática do distanciamento social, o que é fácil já que o espaço é amplo.

O sol inclinado da tarde outonal ajudava a tornar tudo mais belo e prazeroso. As indicações dos percursos são claras, mas isso não impediu que eu entrasse por um trecho fechado e “me perdesse”. Isolado, pude registrar uma foto sem máscara em meio a Mata Atlântica preservada do Horto Florestal.

O mais importante para mim foi conseguir me reconectar com a vida para além das notícias tenebrosas não apenas vindas do Brasil, mas do mundo afora. Nunca foi tão imprescindível buscar vida mundo adentro…

*Postagem de 2021

15 / 04 / 2025 / BEDA / Filadélfia*

“Mesmo cansado, estou indo dormir tarde para ver Tom Hanks iluminar Filadélfia… Miguel, estou pronto!… Ao mesmo tempo, dá para perceber que muita coisa mudou, mas nem tanto que possamos dizer que nos tornamos melhor. E isso é tão triste…”.

*Nessa postagem de 2022, vivíamos a situação de um País sitiado pela possibilidade de Golpe de Estado, claramente exposto em redes sociais pelo Ignominioso Miliciano, então, no poder. O seu governo já havia tentado desmontar o programa Anti-AIDS, em 2019, já em seu primeiro ano de (des)governo. Como vivia na própria bolha na qual seus seguidores também estavam imersos, produzia provas de planos urdidos diariamente, aliás, desde de antes tomar posse. Agora, desdiz tudo o que disse. Mente e todos ao seu redor sabem que mente, mas a estratégia é mentir, como sempre foi. O ladrão de joias (provavelmente recebidas por serviços prestados aos árabes que compraram uma refinaria à preço de banana), achou que sendo “suas”, tentou vendê-las no exterior, também à preço de banana. Mas o mais grave foi continuar com os seus planos golpistas até desembocar no 8 de Janeiro de 2023. Usando o gado que obedece cegamente ao Capitão, se meteram a invadir e a depredar as sedes dos Três Poderes. O Ignominioso Miliciano e seus asseclas foram finalmente indiciados pelos diversos crimes, através da delação de seu Ajudante de Ordens, que auxiliou a Polícia Federal a produzir provas em profusão para que fosse aberto o processo pela Procuradoria-Geral da República. Nos próximos meses, essa história que se desenrola desde 2018, quando surgiu a candidatura do sujeito no centro da trama, terá um termo provisório. O que constato é que nunca mais verei o Brasil da mesma forma. Sei que há um povo maravilhoso que ainda sustenta a minha visão de adolescente que cria na ascensão de uma raça miscigenada e de valor cultural natural, fruto das melhores influências dos vários povos que nos formaram como nação. Comecei a duvidar há tempos. Mesmo porque, são os retrógrados que estão no poder, postos justamente pelos oprimidos que se contentam com as migalhas caídas da mesa dos Senhores do Engenho.

08 / 04 / 2025 / Em 2012*

Esta foto, do final de 2012, registra a mim cinco anos depois da chegada da Diabetes. Sobrevivente anteriormente de uma gastrite hemorrágica e, há cinco anos, de uma dengue, espero ultrapassar está fase difícil na vida de todos nós. Sigamos em frente, com dignidade e paciência.

*Postagem de 2020, quando começamos a viver o vazio proporcionado não apenas pela Covid-19, assim como a descoberta de um Brasil que nunca imaginei ser tão retrógado. Deveria imaginar, afinal na maior parte de nossa História vivemos o mal do Escravismo. E isso não deixaria de nos legar tamanho atraso…

01 / 02 / 2025 / Frebero

Gosto de Frebero, o nome de Fevereiro em espanhol. Lembra febre, o que é uma característica do Carnaval. Só que neste 2025, ocorrerá no começo de Março. Isso deve à adequação que a Igreja estabeleceu entre as festas pagãs e as católicas — uma espécie de cooptação formal dos novos “adeptos” ao novo sistema de medição temporal.

O calendário que adotamos no Brasil é o Gregoriano, criado em 1582 pelo Papa Gregório XIII. De inspiração solar e cristã, nosso calendário é baseado no movimento da Terra em torno do Sol. Ele tem 365 dias, divididos em 12 meses, se iniciando no dia 1º de janeiro e terminando no dia 31 de dezembro. 

No calendário, o intervalo entre o Carnaval e a Páscoa dura 47 dias e as duas datas são móveis, já que a Páscoa é sempre no primeiro domingo após a Lua Cheia que marca o Equinócio de Primavera no Hemisfério Norte e o Equinócio de Outono no Hemisfério Sul. Por isso, o Carnaval pode ser em fevereiro ou em março.

Nessa barafunda de referências ligadas à agricultura, ao movimento celestiais observados pelos habitantes do Hemisfério Norte, trazida pelos portugueses, invasores de Pindorama e imposta pelo poder da Igreja — pela catequese ou à ferro e fogo, sangue e genocídio dos povos originários — vivemos sob o império do tempo imposto à força, sem direito de escolha, já que é norma, incluindo a de titular este projeto. Entramos pelo segundo mês do ano ou o último, de acordo com o Calendário Juliano, de origem imperial romana. Ou seja, não escapamos à regência de impérios passados… e todos passam…

23 / 01 / 2025 / Mister T. E As Indicações Ao Oscar

Como se fora um roteiro de um filme nonsense, um sujeito com todos os predicados de um clown, assumiu a cadeira mais visada do planeta Terra. Está deixando gradativamente de ser a mais importante e, com a sua posse, ingressará num período de decadência “moral” — parte da Filosofia que trata dos costumes, dos deveres e do modo de proceder dos homens nas relações com seus semelhantes — muito pela influência pernóstica que o “líder” da nação dá como exemplo comportamental. Único presidente americano a tomar posse tendo uma condenação na Justiça, tripudia da Lei libertando aqueles que tentaram impedir a nomeação do eleito em 2020, invadindo o Congresso Americano. Seis pessoas morreram e dezenas ficaram feridas.

Fazendo um discurso que prima pelas palavras ditas com a calma de um canibal prestes a devorar a sua vítima, enumerou as decisões que agridem a dignidade humana de um País que se desenvolveu através da imigração de povos de todas as latitudes. O viés Supremacista de sua fala destoa da tradição de uma nação que foi à guerra contra os nazifascistas que agora ocupam vários cargos na alta administração americana. Antigos aliados europeus já se preparam para se oporem à ameaça de uma radicalização baseada na extemporaneidade de um homem pequeno mas poderoso e que, por isso mesmo, é mais perigoso.

Eu achei ridícula a expressão “as outra nações terão inveja de nosso país”. Por mais que eu admire a pujança dos EUA, a eleição de um tipo desqualificado como o homenzinho-cenoura os deixam menores. Há setores que resistirão ao avanço da agenda neofascista, como os artísticos. As indicações de alguns dos filmes ao Oscar demonstra a opção por divergir de falas como “a partir de agora, só existirá ‘homem’ e ‘mulher'” — “Emilia Perez” (França), está aí para afrontar a diretiva tacanha. “Ainda Estou Aqui” (Brasil), que explicita as consequências da Ditadura na vida das pessoas, alterando as mais simples atividades, sonhos e percursos de uma família pareceu indicar claramente a sua nomeação como peça de resistência. Os decretos do Mister T. serão contestados, como já estão sendo pela Justiça, já que ofendem a Constituição e agridem os códigos tradicionais do País.

Um recuo óbvio que realizou foi não taxar os produtos importados, já que causaria inflação de forma imediata. Bem se percebe que ao ser eleito, o sujeito cria que estava sendo entronizado, como se Imperador fosse. O seu gestual e sua falta de habilidade para lhe dar com contrariedades, o torna uma figura fácil de ser ridicularizada. Mas assim como o personagem de “It“, é um monstro. Teremos que conviver com essa ameaça por pelo menos mais quatro anos ou mais, lembrando que o efeito da condução semelhante de um tipo de mesma (falta de) visão aqui no Brasil, trouxeram repercussões que ainda reverberarão por mais de uma década.