13 / 05 / 2025 / Comemoração de Bodas

Hoje, a Tânia e eu completamos 36 anos de matrimônio, oficialmente. A nossa “comemoração” foi trabalharmos na casa, principalmente nos jardins — o do meio e o da frente. Enquanto isso, as notícias se sucediam apenas ouvidas e quase esquecidas, a não ser aquelas que nos tocaram de alguma forma — como a morte do grande Mujica, ex-presidente do pequeno Uruguay e uma figura ímpar em qualquer latitude do planeta. Outra figura ímpar é o impagável Mister T. Ele não me “decepciona” na sua trajetória obscena, mas não deixa de me surpreender.

Reproduzindo um processo realizado no Brasil no final do Século XIX e início do Século XX, em que o governo brasileiro iniciou a importação em massa de mão-de-obra europeia com o intuito velado de embranquecer a nossa população predominantemente de tez escura. Ele pretende receber sul-africanos brancos que se dizem descriminados racialmente. Não duvido, mesmo porque razões não faltam, convenhamos. Dominantes durantes séculos em que aplicaram o estúpido Apartheid, os brancos, também chamados de Afrikarnes, sendo 7% da composição populacional, dominam boa parte das terras produtivas da África do Sul, herança do período em que detinham o poder político.

Estamos preocupados com as cochonilhas que atacaram o abacateiro e vieram para mais perto da casa, começando a passearem pela grande jiboia que enfeita a frente, além da mangueira. Boa parte do trabalho foi o recolhimento dos galhos das podas do ora-pro-nobis e da mangueira. Eu também comecei a limpar o quartinho que será pintado. Nele, guardamos livros que ficaram fora da biblioteca, além de quinquilharias que vamos dispensar. Há alguns armários com peças hidráulicas, parafusos, ferramentas, utensílios como enxadas, tesouras, serrotes e outros utilizados na jardinagem.

Tenho que levá-los para cima e aproveitei para me exercitar utilizando o peso à linha da cintura, equilibrado para não trazer lesões nas costas na subida dos degraus. Amanhã, terminarei essa tarefa. O importante é que percebemos que cuidar da casa e lar é resultado de perseverança numa união com os seus devidos altos e baixos que uma longa relação ocasiona. As filhas estão distantes, a casa, grande para apenas um casal exige cuidados e dela fazemos um refúgio. Os velhos ainda guardam a energia necessária para levar adiante uma trajetória de quase quatro décadas.

25 / 04 / 2025 / BEDA / Horto*

Ontem, precisava estar comigo mesmo e sentir vibrar o meu corpo de uma maneira que pudesse me sentir vivo, apesar da catástrofe que se abateu sobre o País nos últimos dois anos e meio por escolha da maioria de nós.

A Pandemia de Covid-19 realçou a fratura exposta da sociedade brasileira, como se fôssemos um paciente em coma após um acidente. Se vamos nos recuperar coletivamente? Eu, não sei… Mas pessoalmente, estou tentando sobreviver da maneira que posso. Busquei estar comigo mesmo ao mesmo tempo que percebesse a minha conexão com o exterior natural.

Para isso, fiz o percurso de cerca de 4 Km a pé até o Parque Estadual Alberto Löfgreen e por lá caminhei outros 5 ou 6 Km e voltei. O acesso é permitido apenas com uso de máscara e a prática do distanciamento social, o que é fácil já que o espaço é amplo.

O sol inclinado da tarde outonal ajudava a tornar tudo mais belo e prazeroso. As indicações dos percursos são claras, mas isso não impediu que eu entrasse por um trecho fechado e “me perdesse”. Isolado, pude registrar uma foto sem máscara em meio a Mata Atlântica preservada do Horto Florestal.

O mais importante para mim foi conseguir me reconectar com a vida para além das notícias tenebrosas não apenas vindas do Brasil, mas do mundo afora. Nunca foi tão imprescindível buscar vida mundo adentro…

*Postagem de 2021

15 / 04 / 2025 / BEDA / Filadélfia*

“Mesmo cansado, estou indo dormir tarde para ver Tom Hanks iluminar Filadélfia… Miguel, estou pronto!… Ao mesmo tempo, dá para perceber que muita coisa mudou, mas nem tanto que possamos dizer que nos tornamos melhor. E isso é tão triste…”.

*Nessa postagem de 2022, vivíamos a situação de um País sitiado pela possibilidade de Golpe de Estado, claramente exposto em redes sociais pelo Ignominioso Miliciano, então, no poder. O seu governo já havia tentado desmontar o programa Anti-AIDS, em 2019, já em seu primeiro ano de (des)governo. Como vivia na própria bolha na qual seus seguidores também estavam imersos, produzia provas de planos urdidos diariamente, aliás, desde de antes tomar posse. Agora, desdiz tudo o que disse. Mente e todos ao seu redor sabem que mente, mas a estratégia é mentir, como sempre foi. O ladrão de joias (provavelmente recebidas por serviços prestados aos árabes que compraram uma refinaria à preço de banana), achou que sendo “suas”, tentou vendê-las no exterior, também à preço de banana. Mas o mais grave foi continuar com os seus planos golpistas até desembocar no 8 de Janeiro de 2023. Usando o gado que obedece cegamente ao Capitão, se meteram a invadir e a depredar as sedes dos Três Poderes. O Ignominioso Miliciano e seus asseclas foram finalmente indiciados pelos diversos crimes, através da delação de seu Ajudante de Ordens, que auxiliou a Polícia Federal a produzir provas em profusão para que fosse aberto o processo pela Procuradoria-Geral da República. Nos próximos meses, essa história que se desenrola desde 2018, quando surgiu a candidatura do sujeito no centro da trama, terá um termo provisório. O que constato é que nunca mais verei o Brasil da mesma forma. Sei que há um povo maravilhoso que ainda sustenta a minha visão de adolescente que cria na ascensão de uma raça miscigenada e de valor cultural natural, fruto das melhores influências dos vários povos que nos formaram como nação. Comecei a duvidar há tempos. Mesmo porque, são os retrógrados que estão no poder, postos justamente pelos oprimidos que se contentam com as migalhas caídas da mesa dos Senhores do Engenho.

08 / 04 / 2025 / Em 2012*

Esta foto, do final de 2012, registra a mim cinco anos depois da chegada da Diabetes. Sobrevivente anteriormente de uma gastrite hemorrágica e, há cinco anos, de uma dengue, espero ultrapassar está fase difícil na vida de todos nós. Sigamos em frente, com dignidade e paciência.

*Postagem de 2020, quando começamos a viver o vazio proporcionado não apenas pela Covid-19, assim como a descoberta de um Brasil que nunca imaginei ser tão retrógado. Deveria imaginar, afinal na maior parte de nossa História vivemos o mal do Escravismo. E isso não deixaria de nos legar tamanho atraso…

01 / 02 / 2025 / Frebero

Gosto de Frebero, o nome de Fevereiro em espanhol. Lembra febre, o que é uma característica do Carnaval. Só que neste 2025, ocorrerá no começo de Março. Isso deve à adequação que a Igreja estabeleceu entre as festas pagãs e as católicas — uma espécie de cooptação formal dos novos “adeptos” ao novo sistema de medição temporal.

O calendário que adotamos no Brasil é o Gregoriano, criado em 1582 pelo Papa Gregório XIII. De inspiração solar e cristã, nosso calendário é baseado no movimento da Terra em torno do Sol. Ele tem 365 dias, divididos em 12 meses, se iniciando no dia 1º de janeiro e terminando no dia 31 de dezembro. 

No calendário, o intervalo entre o Carnaval e a Páscoa dura 47 dias e as duas datas são móveis, já que a Páscoa é sempre no primeiro domingo após a Lua Cheia que marca o Equinócio de Primavera no Hemisfério Norte e o Equinócio de Outono no Hemisfério Sul. Por isso, o Carnaval pode ser em fevereiro ou em março.

Nessa barafunda de referências ligadas à agricultura, ao movimento celestiais observados pelos habitantes do Hemisfério Norte, trazida pelos portugueses, invasores de Pindorama e imposta pelo poder da Igreja — pela catequese ou à ferro e fogo, sangue e genocídio dos povos originários — vivemos sob o império do tempo imposto à força, sem direito de escolha, já que é norma, incluindo a de titular este projeto. Entramos pelo segundo mês do ano ou o último, de acordo com o Calendário Juliano, de origem imperial romana. Ou seja, não escapamos à regência de impérios passados… e todos passam…