Crisântemos*

Estamos em época de crisântemos
Que florescem como loucos pelos campos
Em tempo de crisálidas soltas pelos cantos
Em troca frenética de roupas em desencanto

Na temporada de cantos de pássaros enamorados
De shakespearianos namorados encantados
Período de sol e de girassóis que se beijam
Era de mudanças externas e interiores

Vivemos mutações profundas e avassaladoras
De mundos novos criados
Mundos novos vencendo velhos mundos
Estrondosa e mudamente, grande e miudamente
Destemperada, cuidadosa e minuciosamente

Estamos em época de novidades e de obviedades
De antigas e permanentes novas idades
De temperança, de esperança, de fazer diferença
Em fase de viver o melhor tempo que há de vir
Se assim viermos a permitir…

Nesta imagem, podemos perceber uma reunião de urubus, separados em dois grupos maiores que, à farta, se alimentam de restos trazidos pelas águas das chuvas no Piscinão Guarau. O grupo de baixo, vi que realmente repartiam uma comidinha, enquanto o de cima provavelmente apenas conversavam sobre o tempo. Para quem acha estranho que eu coloque uma imagem que não teria a nada a ver com o tema do poema, o faço somente para lembrar que os ciclos da vida se sucedem e que as mudanças interiores são sempiternas, enquanto as exteriores se esvanecem no Tempo, senhor de todas as coisas terrenas.

*Poema e imagem de 2013

BEDA / Scenarium / Furacão

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Foto por Ray Bilcliff em Pexels.com

Eu,
que sempre quis ser brisa tépida,
remanso em paisagem cálida,
surpreendo-me
por querer transpor obstáculos –
casas,
cercas,
muros
e árvores –
com a violência de um furacão…
Quero-me assenhorar das paragens,
invadir os campos cultivados,
arrancar as ramas pela raiz,
revolver a terra molhada
com a força
de meu arado alado,
a semear com o meu falo
o chão revolto
e plantar a minha descendência
de ventania

no coração da amada…

B.E.D.A. — Blog Every Day August

Adriana AneliClaudia LeonardiDarlene ReginaMariana Gouveia

Lunna Guedes

Magas

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Por onde andam as feiticeiras da nossa cidade?
Magas e bruxas, por onde vocês se esconderam?
Estão com medo de serem acusadas de veleidade?

Caminham pelas ruas tentando esconder as suas idades?
Ocultam a sabedoria das vidas das que as antecederam?
Lutam para não parecerem mulheres de maior qualidade?

Filhas de Merlin, de Circe, de Morgana, de Dubledore e de anônimos
Percorrem campos, vilas, bairros, praças e centros do mundo.
Seres que cantam e labutam e amamentam, usam pseudônimos.
Todas trabalham para a construção de um novo tempo, fecundo.

Sonho de todos os homens, possuí-las em série e quantidade.
Querem dominá-las, dirigir-lhes o caminho, pô-las a parte.
Mas não vencem o espírito, não ultrapassam a sua capacidade
De viver, de amar, de entregar-se e fazer tudo com beleza e arte.

Foto por Pixabay em Pexels.com