EMM – E=mc²

Energia
Foto do casarão da Escola Municipal de Música, na Rua Vergueiro, 961, até junho de 2012.

A minha alma apresenta zonas escuras pela qual caminho de vez em quando. Devo supor que não só a mim assaltam presságios de agouros silentes, porém penetrantes. Como também, igualmente, não apenas a mim sinto chegar massas de energia que são transmitidas por pessoas, coisas e lugares. Creio que ocorram momentos dessa natureza com cada um de nós alguma vez na vida, em que sentimos vibrações benéficas ou maléficas que derivam de eventos e indivíduos.

Passei por várias situações em minha vida em que antecipava com a certeza de quem tinha os presenciado fatos que viria a saber, oficialmente, algum tempo depois. No entanto, isso não é algo que aconteça com tanta frequência comigo. O mais comum é que na maioria das ocasiões eu esteja alheio a acontecimentos que se desenrolam diante do meu nariz.

A introdução acima foi para apresentar uma dessas situações em que as minhas antenas apontavam fortemente em direção a um determinado ponto. Desde que comecei a frequentar a unidade da UNIP do Paraíso, em agosto de 2012, alternava a opção de descer nas estações Paraíso ou Vergueiro, sendo que achava mais interessante a última, por poder me desvencilhar o quanto antes da lotação dos trens do metrô de todas as manhãs.

Todas as vezes que caminhava em direção ao prédio da faculdade e passava em frente a um determinado imóvel na Rua Vergueiro, o meu olhar se desviava para a esquerda e eu sentia uma tremenda necessidade de desvendar o bloco que se apresentava por detrás do alto tapume de metal. O que dava para perceber é que se tratava de uma casa antiga, mas que não apresentava nenhum aspecto especial que a destacasse de outros casarões que estavam sendo abatidos na região, um após outro, substituídos por torres de vidro. Prometi a mim mesmo que usaria alguns dos instrumentos disponíveis na rede para visualizar o local fotograficamente e saber quem vivia ali antes. Por uma dessas situações que não sei identificar porquê, fui protelando meses seguidos essa providência. O número “1” do “961” chegara a cair e outros detalhes do imóvel se deterioravam paulatinamente. Percebi a urgência de realizar a averiguação, o que finalmente se concretizou em meados de abril de 2013. Pude, então, identificar qual a história daquele lugar que emitia uma carga vibracional que me lambia todas as vezes que eu passava por ali.

 

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Placa que identificava a construção do futuro prédio comercial.

Quando acessei as informações, me surpreendi, mas nem tanto. O fato de sentir aquela vibração especial irradiada por detrás do tapume não era vã. Ali funcionou, até junho de 2012, a Escola Municipal de Música. Essa instituição que agora funciona no Centrão, na Avenida São João, foi fundada em 1969. Não sei se operou desde o início naquele lugar. Eu fui aluno, por pouco tempo, da E.M.M., trinta anos antes, na unidade que funcionava na Rua Machado de Assis, ali perto. Talvez fosse a mesma escola, não sei. De qualquer forma, na época que frequentei não pude continuar porque não sabia tocar um instrumento razoavelmente. Talvez nenhum…

Passei em uma prova que é feita para ser a mais democrática possível. Quem tem ouvido musical, passa com certa facilidade. Segundo a proposta da E.M.M., “A escola tem por missão formar músicos profissionais, com destaque para os instrumentos de orquestra. Atende interessados de todos os instrumentos de uma orquestra sinfônica, além de regência, canto, saxofone, cravo, flauta doce e violão. Os cursos têm duração variável, de 2 a 12 anos, e o ingresso se dá por seleção interna, com inscrições sempre na primeira semana de outubro. Os cursos são gratuitos, e as exigências para ingresso são publicadas geralmente na terceira semana de setembro em edital no Diário Oficial da Cidade. A seleção de alunos é feita em duas etapas, sendo a primeira um teste auditivo realizado em grupo e a segunda uma prova prática individual, frente a uma banca examinadora”.

Dividida em várias escalas de classificação, o sistema de seleção da grade ensino me jogou para o 1º Ano Teórico. Quando fiz a primeira aula, me senti totalmente deslocado. Todos os alunos já tinham conhecimento teórico e sabiam tocar algum instrumento, quase sem exceções, muito bem. Pedi que me transferissem para um patamar abaixo e fui para o 1º Ano Básico. Não era muito diferente da classe anterior. Quando o nosso professor, Mário Zaccaro, foi fazer uma demonstração de notação musical e pediu para um aluno tocar algo no piano da sala, um jovenzinho “debulhou” nas teclas pretas e brancas, de modo que percebi o quanto seria difícil me equiparar àquele pessoal. Ainda tentei entrar para um dos cursos – me restava o canto – que sabia também ser quase impossível. No dia do teste, o professor selecionador foi muito gentil, me ajudou na postura e observou a minha entonação de “Cio da Terra”, de Chico Buarque, com atenção. Enquanto isso, os outros candidatos se revezavam em peças de Verdi e Puccini. Lá, permaneci um bimestre, tirei a nota mínima na aula teórica (7,0), mas senti que não daria para continuar. Músico frustrado, mas amante incondicional da arte e de músicos, trabalho bem de perto com essa “raça” diferenciada. São seres especiais, sem dúvida.

Não me admira que aquele lugar projetasse tanta energia para fora do tapume. Lá, foram formados alguns dos melhores músicos do País. Naquele lugar se estudou uma arte que carreia a possibilidade de viajarmos para fora de nós mesmos rumo a planetas formados por frequências harmônicas. Uma arte que privilegia e busca a união entre instrumentos e corpos para produzir beleza. Ali, pessoas conjugavam os seus melhores esforços para alcançar a plenitude em produção de música. E aquele ponto de encontro de força criativa, mesmo depois dos envolvidos no processo o terem deixado há vários meses, ainda emitia o seu quantum de energia.

Logo após eu descobrir todo o histórico da casa, ela foi abaixo. Desapareceu qualquer traço visual identificador de que ali funcionou um centro de arte. Rapidamente, fora retirado o entulho resultante, tijolos de história enchiam as caçambas. Foi escavada a terra que fundava o casarão que conectava o chão ao lar de cultura. Mais um tanto de tempo, reinará naquele trecho de rua a mesmice visual e carga energética burocrática e plana de mais um prédio comercial. Não creio que alguém desviará a cabeça para observar mais uma torre envidraçada comum a tantas…

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Remoção dos “restos energéticos” e escavação do solo onde se situava a E.M.M., em maio de 2013.

Cantora Maior

ANGELINA

Uma das maiores cantoras deste planeta e, atualmente, minha preferida, tem 13 anos de idade, é norueguesa e costuma se apresentar liricamente descalça. Seu nome? Angelina Jordan. Sua curta carreira, no entanto, já ocupa mais da metade de sua vida. Ela se mostrou ao mundo aos 7 anos na edição da Norske Talenter 2014. Desde a sua primeira apresentação, todos ficaram embasbacados – juízes e público – devido a grandiosidade de sua voz especial em corpo pequeno. Sentenciaram: tratava-se de uma “old soul“, tanto pela maturidade vocal quanto pela escolha de repertório – standarts de jazz.

Em seu canal do Youtube, em que faz covers de várias canções, as interpretações de Angelina vem a demonstrar, ano a ano, seu crescimento musical. Tudo assombra nesse ser tão jovem – a talentosa utilização de melismas, vibratos e gradações tonais, variações de voz de cabeça e de peito, além de seu exímio controle vocal, alicerçado pelo desenvolvimento de seu timbre único, profundo. Além das peças jazzísticas tradicionais – Billie Holiday, Dinah Whashington, Nina Simone, Frank Sinatra, James Brown, sua preferência desde o início – começaram a ganhar espaço interpretações de canções pops mais atuais, de Lana Del Rey, Whitney Houston, Amy Winehouse, Rihanna, John Legend a Adele, entre outros. O toque refinado no tratamento de suas versões trouxe frescor e maior sofisticação a elas. A única vez que nos foi dado ver perda de controle total sobre sua emissão vocal foi na homenagem a seu avô, com “You Were Always On My Mind”, bem no finalzinho da canção. Só os pouco sensíveis deixariam de se emocionar.

A menina Angelina Jordan Astar, aquinhoada de uma personalidade grandiosa de artista-referência, tal como foi Michael Jackson, chegou para ficar no panteão das grandes cantoras. Evidentemente, a não ser que mude tremendamente de estilo, ela não alcançará a penetração popular do Rei do Pop. Mas quem puder acompanhá-la no lançamento de suas incríveis interpretações, viverá o prazer sempre renovado na apreciação de uma música popular de qualidade. Entre as minhas buscas de suas interpretações, encontrei no Youtube a seleção feita no final de outubro de 2018 por Martin Cropper (https://www.youtube.com/watch?v=WhmLra5lAlk), ainda que seja de um e meio antes, mostra um pouco de sua trajetória. Algumas de suas faixas estão entre as melhores versões já feitas.

No início de janeiro, para a minha grata surpresa, Angelina se apresentou na edição 2020 do America’s Got Talent – Champions. Assim que entrou no palco, simpática e desenvolta, fiquei apreensivo por ela se apresentar diante de um público normalmente estimulado por pirotecnias vocais mais simples e efetivas. Respondeu às perguntas dos juízes com simplicidade, elogiou Simon Cowell – uma lenda, segundo ela – e foi se posicionar para a sua apresentação. Fiquei impressionado com a sua altura. Mesmo descalça, ombreava com os técnicos que ocupavam o palco na mise-en-scène improvisada-ensaiada na preparação do espaço. Minha expectativa era de que interpretasse um dos clássicos do jazz que a catapultaram ao mundo artístico.

À emissão das primeiras notas de Bohemian Rapsody, do Queen, percebeu-se que não ouviríamos algo comum. A nova versão de um dos maiores hits de todos os tempos iniciou-se por versos da metade da terceira estrofe. Angelina sopra-sussurra as palavras, a causar o efeito do ar a circular pelos ouvidos dos presentes:

“Anyway the wind blows
Doesn’t really matter to me
To me…”

Ainda a nos acostumar com a estranheza estilística inicial, em vez do tradicional piano da gravação original, um plangente violão nos encaminha para os próximos e cortantes versos, entoados com a voz “jogada para trás” de Angelina, ao contrário da voz aberta, bela e límpida de Fred Mercury:

“Too late, my time has come
Sends shivers down my spine
Body’s aching all the time
Goodbye everybody, I’ve got to go
Gotta leave you all behind
And face the trut”

Neste momento, Angelina sobe o tom para alcançar a dimensão do desespero:

Mama, oh!
I don’t want to die
But sometimes wish
I’d never been born at al”…

Em seguida, volta à calma aparente de quem está conformado com o crime que sabemos que cometeu, pela versão original, cantando apenas a parte final dos versos que mostravam a luta interna da alma da personagem, atormentada por visões dantescas:

“Oh baby, can’t do this to me baby
Just gotta get out
Just gotta get right outta here”

O encerramento se dá com os mesmos versos originais. Angelina entoa lindamente a segunda linha da estrofe, trazendo extrema leveza à certeza de que nada realmente importa, afinal:

“Nothing really matters
Anyone can see
Nothing really matters
Nothing really matters to me”…

Os cortes realizados na letra original, necessários para fazer a longa Bohemian Rapsody caber no formato da apresentação para o programa – um minuto e meio – em vez de prejudicá-la, acabou por expor a dor excruciante da personagem que decidiu se matar. Os versos escolhidos para a versão de Angelina acabou por me convencer que o homem a quem matou foi ele mesmo, ao contrário do que eu supunha até então pela quarta estrofe: “Mama, just killed a man / Put a gun against his head / Pulled my trigger, now he’s dead / Mama, life had just begun / But now I’ve gone and thrown it all away” – trecho ausente na canção de Angelina.

Ao final da apresentação, o público – que acompanhou sua apresentação entre “uaus”, silêncios e luzes de celulares acionados – aplaudiu de pé e ovacionou a menina-cantora-maior. Os quatro analistas teceram elogios rasgados, incluindo o temido Simon Cowell. Apenas faço o reparo ao que ele disse quando sinalizou que a versão de Angelina tinha a marca da “simplicidade”. Atrás do que parece simples, de fato se esconde um trabalho meticuloso na escolha do que cantar e como cantar, dando valor de obra-prima a uma versão de Bohemian Rapsody que ganhará outros intérpretes. Heidi Klum a elegeu para o Golden Buzzer, dando direito de ir direto para a Final do concurso/reality show.

Para quem não a conhecia, surgia uma nova estrela no firmamento. Para quem a acompanha desde os 7 anos, como eu, fã de programas de calouros do mundo todo, além de vídeos musicais desde garoto, era a confirmação de um talento especial. Que ao conhecer o que é tradicional tem maiores condições de inovar. Que a exposição que venha a sofrer com a continuação do programa, de grande audiência nos Estados Unidos e visto no planeta todo, seja encarada com a devida maturidade e a simplicidade que tem a caracterizado.

Apresentação de Angelina Jordan no America’s Got Talent – Champions 2020:

https://www.youtube.com/watch?v=VPuAl7ux7VY

https://www.youtube.com/watch?v=rn6nkX0h6Xw

Canal no Youtube:

https://www.youtube.com/channel/UC1Pwa4nFvIPbtYVLcBGDpjA

BEDA / Elton

Chamarei este texto de “Elton”, mas poderia ser chamado de Fred, Cazuza, Renato ou George. Em comum, nomes de pessoas conhecidas como artistas da música popular. Em comum, além da exposição midiática de suas vidas e vísceras, a criatividade, o talento para determinada função, o abuso no uso de substâncias químicas, a extremosa paixão que geraram. O mesmo vigor que empregaram para produzir momentos que marcaram gerações de fãs foi da mesma gênese que levaram a quase todos a nos deixarem mais do cedo do que gostaríamos, egoístas sugadores de energia que somos.

Insone, passei parte da madrugada a ver clipes musicais. Vivo no meio musical, a dar suporte técnico para as apresentações de artistas – instrumentistas mecânicos e vocais – músico frustrado que sou, se bem que não tenha perseverado a tocar ou cantar. Apesar do dom (no meu caso, pequeno), chama inicial que tem exercitada – a vocação – nada é tão fácil que não mereça treino, aperfeiçoamento, prática e disciplina, tudo em favor da melhor expressão possível.

A minha vontade sempre foi volúvel. E, cedo, os vários possíveis talentos que talvez tivesse, maiores e menores, foram sendo deixados de lados a favor da vontade de escrever. E, mesmo essa, coloquei em segundo plano em algum momento da minha vida. Ao voltar, percebi que a falta do exercício da escrita me conduziu a enganos – troquei a revelação da minha verdade pelos truques fáceis que podem até vir a seduzir, mas nem sempre eram autênticos – ou quase nunca.

Os temas que explorei durante a madrugada foram a ser sugeridos pela causalidade. Tento fugir das indicações normalmente ditadas por nossas preferências, perfeitamente captadas pelo sistema que nos vigia na Internet, mas logo vim a recair nos meus preferidos – Bowie, Prince, Clube da Esquina, Elis, Cohen… Tanto quanto os que citei anteriormente, a maioria destes nos deixou precocemente.

Em determinado momento, surge como sugestão a “Don’t Let The Sun Go Down On Me”, na versão ao vivo, trecho do show de George Michael em que convida o autor da música, Elton John, a cantar junto com ele, em uma apresentação climática, em atuações vocais e instrumentais memoráveis. A sugestão surgiu justamente porque David Bowie, Leonard Cohen, Prince e o próprio George Michael morreram em 2016. Todos viveram muito todas vibrações de seu tempo, ainda que a maioria tenha morrido cedo.

A idade, em muitos casos, é apenas relativa a referendar a experiência de alguém. Há pessoas intensas que conseguem, com galhardia, aglutinar em si, as riquezas de processos vitais, a encetar lutas pessoais e se colocar à frente de combates coletivos e a favor de bandeiras libertadoras. No entanto, para tantas outras, é comum ocorrer o contrário. Brigar por espaço para a sua expressão, se expor corajosamente por um comportamento alternativo, refirmar a sua sexualidade, pode ser demais para as suas estruturas psíquico-físicas. Cedo ou tarde, cedem às pressões e queimam em praça pública.

O que não aconteceu com o querido Elton John. Ele esteve por terras tupiniquins no mês de março de 2018, quando completou 70 anos de idade. Sobreviveu ao pico da disseminação do vírus HIV, passou ao largo da metralhadora giratória que dizimou os melhores nomes de seu tempo, por abuso químico ou doenças graves. Sobreviveu à geração que preferiu “viver dez anos a mil do que mil anos a dez”, à sedução de “viver rápido e morrer jovem”.

Aquele que foi uma grande influência musical do jovem que começou a prestar atenção aos temas internacionais, depois dos Beatles, Frank Sinatra, Ray Charles e Nat King Cole (sim, o menino da Periferia era muito metido aos 12), continua ativo e produtivo. Eu e minha mulher fomos assisti-lo, com show de abertura de James Taylor, outro sobrevivente. O Poder Velho, na sua melhor definição, tomou conta de todos os espaços do estádio e arrebatou a platéia, que viu o final da apresentação debaixo de chuva torrencial. Lavou a nossa alma…

BEDA | Lágrimas Leves

Lágrimas Leves
Olhos de maré alta…

Eu já disse que sou um tolo? E um tanto louco? E que tento formular uma concepção pessoal do mundo através da minha escrita? Que me pretendo arte-sanar a palavra – ser um artista?

Quando fui ao cinema, em família, assistir La La Land, desde o início me surpreendi vivendo a história, saindo a cantar e dançar pelas ruas e ambientes do filme. Eu, que não canto (a não ser no banheiro) e nem danço (tristemente).

Gostei de tudo e suspeitei que provavelmente alguns odiariam tudo. “A música é simplista”. “O estilo é repisado”. “As canções são óbvias”. Sim, pode ser. E é assim que se pode contar uma história de maneira a atingir o que guardamos de simplicidade no coração. Aliás, esta última frase parece ter saído de livro de autoajuda.

Narrar histórias de desencontros amorosos é mostrar o quanto nos enganamos e acertamos ao longo de um relacionamento. E que toda forma de amar vale a pena, ainda que fiquemos à distância. De certa maneira, não ficar junto a quem amamos, muitas vezes, é a melhor maneira de eternizar o amor.

A produção que concorreu ao Oscar no ano passado, foi coparticipante involuntário de um dos maiores embaraços já ocorrido em uma cerimônia. Anunciado erroneamente como vencedor na categoria de melhor filme – em vez de Moonlight – por Warren Beatty e Faye Danaway. Quase os vi apresentarem o mesmo olhar antes de serem fuzilados como em Bonnie e Clyde, na produção de mesmo nome, de 1967.

A razão de discorrer sobre algo que supostamente parece estar boiando entre temas mais cotidianos é que quando preciso chorar, recorro ao infalível tema cantado por Emma Stone, com sua aparente fragilidade e olhos maior que o rosto – “The Fools Who Dream”. Invariavelmente, para acabar com o meu repositório de lágrimas, embarco no clipe de encerramento, em que Mia e Sebastian (Ryan Gosling) vivem imaginativamente a união que não se completou em todas as suas possibilidades, coalhado de referências a outros musicais, os quais amei desde quando os assistia na minha TV PB, ainda garoto.

Como para me trazer para a concretude da realidade, enquanto assistia os temas no computador, na TV a cabo passava O Menino de Pijama Listrado, ao qual quero assistir completo. Ainda assim, cheguei a ver a parte final, bastante impactante. Não derramei lágrima. A dor do que aconteceu nos campos de concentração nazistas é eterna e meu choro é n’alma. Lágrimas grossas e pesadas, impossíveis de escorrer por meus olhos carnais.

Participam: ClaudiaFernandaHanna LunnaMari