Clima*

visão do final de tarde
crepúsculo escavado em fogo…
duas horas depois noite feita
o clima mudou chuva se abateu
zona norte atingida
clima — palavra
que termina com o artigo “a” —
substantivo masculino
humor feminino…
indeterminado terrível exuberante.

*Baseado em texto de 2019

Nuvenzinha*

Acabou de chover pesado, após anúncios de raios e trovões. A luz do Sol foi escondida pelo corpo da Terra que gira sobre o seu eixo, enquanto passeia pelo espaço nesta parte da Via Láctea. Durante todo o dia a revolução atuou, a translação se perpetuou, as estações representada neste quadrante pelo verão, nos aqueceu e a minha lembrança permaneceu com uma solitária nuvem, desgarrada da grande nebulosidade, tão mais alta e distante. Com o tempo, deve ter sido absorvida pelas outras nuvens, maiores e mais fortes. Não duvido que tenha se precipitado em água agora há pouco, feito lágrimas do céu. Há casos em que a solidão não é uma opção, a liberdade não existe e o fim é compulsório…

*Texto de 2022, num dia como hoje, em 2024.

Versos Perdidos

Vendedor De Flores (2020)

Volto para a casa – Avenida dos Bandeirantes.
Hoje, noite de sexta, como todas as noites, antes,
um garoto a vender flores na chuva, encharcado.
Caminha entre os carros, passo largo, trânsito parado.
Investe em quem tenha algum desses sentimentos:
saudade, amor, carinho, culpa ou arrependimento…

Foto por Larbigno u2022 em Pexels.com

Eu, em foto de Outubro de 2023

Chovi (2011)

Nesta tarde, também chovi
Eu e a água lá fora percorremos
O caminho inevitável da queda
Do nosso lar etéreo até a pedra
Fria do chão do desassossego…

Excertos Temporais

Excerto de 2022

Após anúncios de raios e trovões, acabou por chover pesadamente. A luz do Sol ficou escondida pelo corpo da Terra que gira sobre o seu eixo, enquanto passeia pelo espaço nesta parte da Via Láctea a 100.000 km/h. Durante todo o dia a revolução atuou, a translação se perpetuou, as estações representada neste quadrante pelo Verão, nos aqueceu, No entanto, a minha lembrança se fixou na solitária nuvem, desgarrada da grande nebulosidade, tão mais alta e distante. Com o tempo, deve ter sido absorvida pelas outras nuvens, maiores e mais fortes. Não duvido que tenha se precipitado em água agora há pouco, feito lágrimas do céu. Há casos em que a solidão não é uma opção, a liberdade não existe e o fim é compulsório…

Excerto de 2017

A tarde findava em tons de azul. Debaixo da chuva leve, o homem solitário caminhava a esmo, a colher imagens da imensidão azulada… Convenientemente, o último dia de veraneio terminou sem a luz dourada do Sol… A solidão é azul…

Excerto de 2013

A chuva, ciumenta, assumiu o controle do curso do dia. No entanto, agora à tarde, ela não pôde impedir o triângulo amoroso entre a Terra, o Céu e o Sol. Silenciosamente, os três combinaram de se encontrar no leito macio do horizonte… O encontro foi breve, porém… Logo, entre raios e trovões, a chuva, furiosa, reassumiu o controle da situação. Pois é, quem está na chuva, é para se molhar!

Imagem de 2011, em excerto de 2022

Há onze anos, em Outubro de 2011, completava meio século de vida. Como legenda da imagem coloquei que estava me sentindo meio a meio. Estava cursando Educação Física e conseguia, mesmo estudando com jovens com a metade da minha idade, acompanhar as atividades práticas. Esta foto foi feita num ambiente festivo — uma festa surpresa — que reuniu parentes e amigos em um buffet próximo de casa. Nunca imaginei que o sujeito que nunca havia tido sequer uma festa de aniversário quando menino, pudesse participar de uma montada especialmente para si. Agradeço à todos que dela participaram. E, principalmente, à minha família, que pôde me proporcionar esse momento único.

#Blogvember / Os Meus Meios-Dias

O meu Meio-Dia, começou às 9h40 da manhã. Apesar do adiantado da hora, mais uma vez dormi as mesmas cinco horas de praxe, não importando que tenha, como ontem, estado em atividade o dia inteiro. Uma vez acordado, já é Meio-Dia. Sol a pino, ainda que chova. Meus Meios-Dias se repetem pelas horas que se seguem como estados d’alma.

Leio as postagens deste #blogvember e passeio por textos que me inspiram. No de ontem, Roseli Pedroso escreveu uma preciosidade em poucas linhas sobre encontros fortuitos, calados, mas definitivos. Como resposta, lembrei de um: “Foi assim que cruzei com os olhos verdes de uma moça que aguardava o ônibus no ponto. A porta traseira foi aberta para que entrasse passageiros – idos do final dos anos 70 – e eu me fixei no brilho do olhar de alguém que jamais voltei a encontrar. Escrevi versos para esse (d)encontro, guardados em algum lugar…”.

Lunna Guedes, deu por si ao Meio-Dia de ontem, quando aniversariava. Fala sobre os plúmbeos e chuvosos novembros de sua vida, incluindo o do dia de seu nascimento. Hoje, não foi diferente. Aproveitei o sol que despontava e saí para ir ao supermercado comprar ingredientes para o estrogonofe do almoço. Voltando das compras, as nuvens toldaram o Sol em dois minutos e uma pesada chuva desabou como se fosse um balde de água fria em cachorros no cio. Era Meio-Dia.

Mariana Gouveia homenageou a nossa editora aniversariante com uma linda missiva. A força do abraço que pulsa em coração lunar é expresso em “palavras que atravessam tempos e se esparramam em cadernos”. Concordo com ela que, com a Lunna, acabamos por criar uma comunidade afetiva em torno da boa escrita.

Assim como Suzana Martins lembra das belezas acidentais de novembro e nos diz que “gosta da confusão equinócia a rasgar o tempo!” – um elogio aos dias intempestivos que aprendeu a apreciar com Lunna.

Em casa, trocada a roupa molhada, começo a assistir mais um jogo da Copa do Mundo de Futebol. França e uma das suas antigas colônias africanas – Tunísia – reproduzem em campo a rivalidade derivada do saldo pesado que toda dominação de um povo pelo outro produz. Terminada a partida, o time do colonizador (carregado de jogadores oriundos de povos colonizados) perdeu o jogo. O time do colonizado ganhou, mas não levou. São os dramas operísticos a reproduzir a História do mundo em realidades simuladas.

Após a chuva, rápida e impertinente, raios solares são refletidos em janelas e paredes. A Luz incursiona por frestas, folhagens, fios elétricos, telhados e peles. Quem disse que chovera meia-hora antes? Minhas roupas molhadas juram que sim. Mas meu olhar perdoa o pequeno inconveniente diante de belos Meios-Dias desta tarde lavada que se repetirão até a chegada da Meia-Noite – o Meio-Dia final…

Participam: Roseli Pedroso / Suzana Martins / Lunna Guedes / Mariana Gouveia