BEDA / Ilusão Pela Paixão

O brasileiro é movido de tempos em tempos pela ilusão induzida pela paixão ao Futebol. De País que duvidava de sua capacidade de vencer até mesmo dentro de casa, como ocorreu na Copa do Mundo de 1950, quando perdemos para o Uruguay de Obdulio Varella, de virada, quando precisaria apenas do empate para ser campeão. A isso o escritor Nelson Rodrigues desenvolveu a ideia da “Síndrome de Vira-Lata“, em que identificava o auto menosprezo como povo, o que nos tornaria incapazes de fazer sucesso num campo como o esporte mais popular do Brasil. E não apenas… Éramos uma coletividade que pertencia ao chamado “Terceiro Mundo“, que surgiu em 1952 e passou a designar os países que não se alinhavam nem aos Estados Unidos da América ou a comunista União das Repúblicas Soviéticas. Vivíamos a época da Guerra Fria.

No Brasil, do eurocentrismo, passamos a perfilar no grupo ligado ao Capitalismo gregário, em que servíamos ao Grande Irmão que nos tratava como área de reserva — uma espécie de “quintal” — como aliás recentemente se pronunciou uma autoridade norte-americana. Mas voltando à ilusão de sermos campeões novamente, eu relutantemente me filiei ao otimismo apenas para não surgir como um estraga prazeres, mas estava claro que apenas por boa sorte conseguiríamos passar pelas fases subsequentes enfrentando equipes muito melhor preparadas. Assim como aconteceu em 2014 na Copa do Mundo do Brasil, em que a Alemanha deu uma aula de organização e competência.

Enfim, enquanto passamos por seleções apenas medianas, ao enfrentar uma que realmente tinha jogadores mais aptos, como os do Dinamarca, como Ramus Halojnd e Christian Eriksen. Com as contusões de Raphinha e Paquetá, percebemos a falta que Rodrigo e Estevão pesaram num time com limitações técnicas evidentes. Mas o pior veio antes, com a desorganização da Confederação Brasileira de Futebol, envolvendo seus dirigentes em corrupção e péssima administração. Nem a contratação de Carlo Ancelotti, um treinador de primeiro nível, conseguiria reverter tantos problemas na preparação para o torneio. A paixão, no final de tudo, se sobrepôs à realidade e a ilusão levou o povo a se embandeirar, enfeitar ruas e se aglomerarem para (dis)torcer pela seleção. Houve choro e ranger de dentes e a população voltou ao modo de homeostase da vivência na precariedade cotidiana.

12 / 03 / 2025 / OLS

Em certa ocasião, soube que um tal de “Português”, do qual apenas ouvira falar, estava propagando a “informação” que nós, meu irmão e eu, componentes da pequena empresa de locação de equipamentos de iluminação e sonorização — Ortega Luz & Som — éramos péssimos prestadores de serviço, que não entregávamos o que prometíamos. Fiquei indignado porque a nossa malandragem era justamente sermos totalmente claros, abertos e honestos quanto ao nosso atendimento.

Sem querer, provavelmente interferimos no seu nicho de clientela. Depois, decidi que, ao contrário de meu irmão e sócio (que não esquece), não valia a pena responder pessoalmente ao sujeito. A nossa melhor resposta foi continuarmos a trabalhar conscienciosamente. Para caminhar na contramão das atitudes correntes, quando não podemos servir a demanda, indicamos parceiros para que os clientes não fiquem sem atendimento. Não temos receio de “perdermos” os nossos contatos. “Quem tem competência, se estabelece”. Mas, principalmente, buscamos não me amesquinhar.

Nossa pequena empresa está há mais de 30 anos no mercado. Do tal de “Português“, nunca mais ouvi falar…