repudio quando cantam “vodka ou água de côco (sim, eu acentuo!) gosto quando fica louca cada vez eu quero mais”… a loucura é normalizada no sentido de comportamento e se sentir dividida perdendo as estribeiras o controle sobre o destino se esquecem do sentido da demência alienante sendo que a verdadeira loucura se faz com consciência cônscio de si e aberto ao verdadeiro sentido da vida que é se perder e se achar — se buscar e buscar alcançar o outro a quem amar…
Registro fotográfico de 2014, no Litoral Norte de São Paulo.
A Ingridé uma mãe. Eu e a Tânia, brincando, a chamamos de mãe. Não apenas do Bambino e da Maria. Com o seu talento para ser mãe, conseguiu unir pelo amor um cachorro e uma gata num espaço pequeno. Quem dela se aproxima, logo é envolvido por sua energia boa, seu sorriso contagiante e sua postura de mulher madura em corpo de menina. Seus amigos a idolatram, suas irmãs — Romy e Lívia — a amam, a procurando para conselhos ou desabafos. Profissional competente, ninguém imagina que naquele corpo pequeno esteja uma exímia advogada, reverenciada por despossuídos e poderosos aos quais ajuda para se desvencilharem de seus problemas legais.
Quando pequena, já queria se tornar advogada (quem sabe, um dia talvez juíza?), para defender os injustiçados. Mas todos sabemos que nem todos o são e, mesmo assim, ela tem consciência que deve cumprir o seu dever de defensora dos seus clientes diante da Lei. Sempre voluntariosa, quando (mais) pequena, me deixava de cabelo (quando o tinha) em pé com as suas escapadas. “Por onde anda a Ingrid, gente?”… “Presa numa enchente no ABC, onde foi assistir um show de rock!”… Devia ter 12 ou 13 anos. Ela que me corrija, se eu estiver errado.
Muito inquieta, brincalhona, de feitio mais arredondado, ao crescer percebeu que tinha que controlar a alimentação que lhe acarretavam repercussões físicas indesejáveis. Corajosa, enfrenta os problemas psicológicos a que todos nós desenvolvemos com o tempo e a carga que a realidade nos impõe. Eu, mesmo, apenas neste quadrante, tomei essa atitude de fazer terapia. Muito, por sua influência indireta. Essa boa influência compartilha com as suas amigas e amigos, ao quais conheci de mais perto e pude verificar a riqueza de caráter da grandíssima maioria. É comum, ao nos aproximarmos mais de algumas dessas amizades, torcermos para que fiquem bem, desejando para que tomem os melhores caminhos, porque as queremos bem.
Chamado de “Tio” por algumas delas, busco não ser tão intrusivo e sigo os conselhos dela e das irmãs para que não pareça tão inconveniente. O que não é fácil… Mas, enfim, a aquariana que hoje aniversaria, cumpre quase todos os bons predicados do signo da Nova Era que está para se iniciar — o que proporcionará à maioria dos seres humanos a descoberta, a verdadeira vivência e o real conhecimento da Consciência Crística. Espero que não demore a chegar, pelo bem de Gaia…
Gosto muito dessa foto! Não sei como a minha mulher tolerava o meu estilo riponga! E a minha filhota do meio, Ingrid, com aquele olhar de quem estava sempre disposta a aprontar! O ano? Feliz!
Em Matrix, o filme, tomar a pílula azul representa para a personagem que depois se tornará Neo continuar a viver na ignorância, realizando as suas tarefas como um ser humano que não sabe de outra realidade além daquela: trabalhar para obter recursos para sobreviver dentro da certeza que a Matrix lhe impõe. Eu conheço a verdadeira realidade e, por isso, para entrar em ação nesta dimensão, tomo a pílula azul. Para mim, funciona o tempo em que atuo como ser produtivo na “nossa” sociedade. Não é fácil, mesmo porque a memória da organização dimensional alternativa volta e meia se infiltra nessa em que aceitamos como comum a todos. Mas não é para mim e sei que não é para muitos. Enquanto isso, sobrevivemos tendo a consciência de um mundo que nos dilacera a alma…
“O teu amor é uma mentira / Que a minha vaidade quer / E o meu, poesia de cego / Você não pode ver” — Cazuza
Eu não acredito em alma gêmea. Ou melhor, não acredito que a nossa vida deva se fundamentar na busca de alguém com a qual venhamos a se identificar a tal ponto que nos dê prazer apenas porque seja igual a nós. Considero que isso seja uma espécie de masturbação. Eu acredito no crescimento mútuo das pessoas pelo embate de ideias, pela diversidade de sentimentos, pela diferença de posturas, pelo confronto de mundos.
Eu acredito tanto nisso que me permito ser o outro, vez ou outra. Cada vez mais… Chamaria isso de compaixão — quando nos colocamos completamente na situação que o outro ser está vivendo. Essa viagem para outro é perigosa, conquanto não tenhamos certeza total de quem sejamos (se é que a tenhamos alguma vez). Enfim, essa transitoriedade deve ser buscada com cuidado para que não nos percamos no caminho.
Podemos de chamar de “EuLírico” o empreendimento de ser outros. Eu sugiro que possa ser visto como “eu, rico”. Graças a essa a personalidade lírica, podemos cometer pecados, dentro da escrita, buscar experiências, fazer quase uma peregrinação extracorpórea para construir histórias nas quais viajamos. De vez em quando escrevo me colocando no lugar de alguém que se apaixona ou se permite apaixonar facilmente na caça de outra pessoa que seja alguém com a qual se identifique. Como em “Coração, Mente e Alma”.
Passo por altos e baixos em minha própria autoavaliação, mas creio que tenha um ponto fulcral, uma linha mestra que me conduz que me permita dizer: “esse sou eu”. E esse ser não consentiria ferir quem quer que fosse ao buscar aventuras para se comprazer em se encontrar, ele mesmo, em outra pessoa. No entanto, aceito igualmente a possibilidade de que o indivíduo acredite que isso seja possível e tente empreender esse encontro.
Liberdade para os amores!
CORAÇÃO, MENTE E ALMA
Há, dentro de mim, uma briga Momentos em que o meu coração grita Debate-se dentro do peito Com o pulmão se atrita Rebela-se contra os órgãos que abastece de sangue Autoritário, tenta impor as suas certezas Rumar contra as correntezas Chega a sugerir que sonhe a mente Mente que não aguentará outras aventuras Que sofrerá com outra aversão Confia na sua característica demente A da mente que se engana facilmente Porque sabe que ela não se exprime Para além dos sentidos Aprecia pela visão Enternece-se pelo som Subjuga-se pelo toque Submete-se pelo gosto É uma mente limitada Ao mundo que apreende pelas demandas do corpo Porque é mais simples buscar o sentido de tudo Pela experiência sensorial? Onde está a minha consciência, Que não assume a posição de senhora? A tentar reencontrar a minha alma perdida Pelas vidas afora A cada manhã e aurora De mim, para mim Amém…
sei que sou mortal morrerei um dia mas há coisas que são imortais enquanto vivos viveremos de saudade e desejos de alcançar e perseverar passeios no vazio nos encontros e eventuais reencontros ainda que nunca tenhamos nos ausentado as lembranças sem nunca serem olvidadas vontade de retornar aos âmagos animados há momentos que não morrerão imagino que gravados na consciência universal um repertório infinito de dores e amores vivências de alegrias e tristezas grandiosidades e miudezas sonhos tudo recolhido e espargido pelas galáxias mundos e sistemas solares milhões de vezes reproduzidas em quem ama submergido nos genes das humanidades universais nesta terra que se desfigura em cada estação em cada canto esquinas bares casas casebres mansões peitos corações em cada canto dolorido doloroso em cada nota das flores que emitem mensagens sonoras inaudíveis apenas para os insensíveis o que tenho certeza é que o amor sobreviverá marcado pelos átomos dispersos do planeta destruído abarcado pela explosão do sol daqui a muitas idades caminhantes pelos universos embalados pela saudade…