08 / 03 / 2026 / “Minhas Mulheres”*

Mulheres às quais pertenço: Lívia, Ingrid, Tânia e Romy

Hoje é o Dia das Minhas Mulheres, internacionalmente comemorado. Em todo mundo, tecem-se loas a ela, deitam-se versos em sua homenagem, fazem-se referências à sua luta pela emancipação no trabalho e nos estudos, além da sua capacidade de salvar o planeta pelo amor.

Por uma mulher eu nasci – minha mãe, Madalena – e por outras eu renasci, Tânia – minha esposa e namorada –– Romy, Ingrid e Lívia –– minhas filhas. Quando digo “minhas”, coloco em proporção contrária o tanto que sou “delas”. Pertencem-me, porque fazem parte de mim, de minha alma, de meu corpo. Mesmo a minha mulher por matrimônio entranhou-se de tal modo em minha pele e avançou tanto para dentro de mim, que não consigo imaginar-me sem a sua presença. Reciprocamente, de uma maneira extraordinária, e talvez não tão benéfica, interferi na proporção de seu corpo ao longo do tempo, ao gerar as nossas filhas.

Enfim, amo as minhas mulheres e confesso que as amo muito mais por serem mulheres, esses seres que me fascinam e busco codificar, muito provavelmente em vão. Talvez seja esse o segredo sobre elas – amá-las sem entendê-las, com todo o entendimento de saber que não as decifraremos totalmente. E olha que coisa incrível — pode-se continuar a ama-las ainda depois que se retiram de diante de nossos olhos e até muito mais, talvez. De outra maneira, como compreender que a minha mãe esteja tão mais presente em meus pensamentos, mesmo após o seu passamento físico?

*Texto e imagem de 2012

20 / 11 / 2025 / Blogvember / Fiz Misérias Nos Caminhos Do Conhecer

a mais difícil jornada do conhecimento é conhecer a si mesmo
sou um ser curioso quero saber (as versões) de tudo
a ideia do que fazem de mim por minhas exterioridades e intimidades
estão no plural por sou muitos ao longo dos tempos
tanto que muitas vezes não me reconheço
ao acordar tento comprovar se estou mesmo lidando comigo
ou um outro que se esqueceu de mim apesar de estarmos no mesmo corpo
fico espantado com o sol estrelas a lua fico a registrá-los imageticamente
a me atrair magneticamente
por suas versões ilusórias são meus sóis minhas estrelas luas
minhas ideias de mundos não apenas as referências deste que comungamos
estamos juntos mas separados nós mesmos mundos estanques
saber que somos múltiplos iguais mas diferentes
e que o conhecer é um processo infinito de infinitos espaços-tempos
e só seremos plenos de conhecer ao nos tornamos igualmente infindos…

Participação: Lunna Guedes

1º / 09 / 2025 / Nossa Casa

Registro de 2011, no Clube Spéria, onde fazíamos as atividades práticas do Curso de Educação Física da UNIP — Marquês

Quem conhece a casa onde mora? A resposta parece ser óbvia, no entanto poucas pessoas dão-se a saber sobre o seu próprio corpo e de suas necessidades básicas. Normalmente, isso só ocorre quando tentamos reparar algum dano causado por um acidente ou por nosso estilo de vida. Para quem quer colocar a sua casa em ordem, antes que algum mal lhe aconteça, procure um Educador Físico. Neste dia, 1º de setembro, comemoramos o Dia do Educador Físico. Esta lembrança de 2011, mostra uma pequena parte da minha turma na preparação de atividades práticas. Ao centro, dois de nossos professores. Dois anos depois, acabei por me tornar Bacharel Em Educação Física.

12 / 08 / 2025 / BEDA / Veio À Luz

veio à terrena luz…
foi difícil durou horas…
a porta não se abria
criaram um outro caminho
chegou chorou nos fez sorrir
dias depois novas possibilidades
novos olhares
algumas dores
o serzinho de boca pequena
desejante de vida plena
se amamenta da mama da mamãe
conexão com a existência
que será difícil árdua complicada
mas ela é voraz abocanha o mundo
profícua em imaginação luta
se desloca para o antigo mundo
caminha como se lá tivesse nascido
faz amigos sangue antigo
o mesmo que lhe traz perigos
mas não deixa de alcançar abrigos
leoa na estepe do viver
se recusa a morrer
mas se isso acontecer
não deixará de a si mesmo vencer
em conversa com as luzes
percebeu que estará em paz com seu novo corpo
de frequências fugazes
sem consistência e espessura
apenas alma pura
viajante pelo universo
finalmente liberta e aberta
para a Vida desperta…

18 / 07 / 2025 / Mão De Obra

Sou escritor. A minha personalidade é de alguém que cogita escrever para poder estabelecer uma relação entre o feito e o dito. Gosto do trabalho braçal-manual porque me “relaxa”, no sentido de que os pensamentos pelos quais sou atravessado se direcionam para “outro lugar”. Não sou adepto apenas de tarefas ou atividades que envolvem o meu trabalho, eminentemente físico, mas não deixa de ser intermediado por processos mentais que são necessários em qualquer movimento humano. No meu caso, proporcionamos, meu irmão e eu, condições técnicas ideais para a expressões artísticas e outras que envolvem um palco, púlpito ou cenário — teatro e outros espaços — atores, palestrantes e cantores.

Outro gosto que cultivo é do trabalho caseiro — o mais intenso e difícil de ser feito pela multiplicidade de fatores. Varrer, lavar louças e roupas, estender para secar, recolher, passar, arrumar o espaço, deslocar móveis, limpá-los. Num eventual jardim que possamos ter e eu tenho, regar as plantas, preparar o solo, cuidado com as podas, replantio, adubação, controle de pragas ocasionais também é algo que gosto. Quando novo, acalentei a ideia de me tornar dono de um sítio autossustentável. Mas há tarefas as quais prefiro em relação a outras — lavar louça e varrer o quintal se configura quase em momentos de meditação.

O ser humano, no desenvolvimento das sociedades, acabou dividir tarefas e estabelecer estamentos sociais para separar quem faz determinadas tarefas lhes conferindo valores diferenciados — das mais nobres a menos, além do uso de palavras para designá-las divididas como dignas enquanto outras nem tanto. Ainda que saibam que sem os que as realizam atividades essenciais e outros que são beneficiados por elas estabelece uma relação de poder destes que detêm o poder econômico, para aqueles em forma de recompensas normalmente aviltadas para baixo. Criando clara dependência mútua, mas que é dominada por quem é servido.

Eu não queria, quando mais novo, me envolver com o Sistema — trabalhar, casar, ter família — encontrar uma posição relevante na Sociedade. Apenas, era o meu plano, caminhar a esmo, me tornar um viajante sem rumo, sem lugar para chegar. Envolvido com as religiões orientais, meu objetivo era transcender o corpo, fazer um percurso que não precisasse criar liames. Não aconteceu. A mão mostrada acima é a mesma de quem se casou, criou três filhas empoderadas, trabalhou e trabalha para se manter produtivo e que ainda tem desafios a realizar. Sem deixar de transcender a realidade imediata.