… me sinto como a abelha que perdida tentava encontrar o rumo até perder as forças e perecer registrei a cessação de movimentos e bater de asas inúteis para movê-la de onde permaneceu logo me identifiquei com ela eu mesmo meio que perdido meio que se decompondo como se cada fase da minha vida parecesse desconectada da minha história íntima não me reconheço desvirtuado desestimulado a continuar caminhando caminhante ficar parado ajuda? não… reflito que talvez fosse melhor subir a cume mais alto e saltar quem sabe as minhas asas voltassem a bater…
desmesurado calado em pés contra o pouco calado do canal Sempre Verde carregado trava no Suez com o peso da civilização humanal na estrada d’água desvia do caminho encosta seu corpanzil na linha marginal como se navegasse simples ribeirinho por imperícia, termina encalhado interrompe a circulação da riqueza empobrece um pouco o rico abestalhado imerge o pobre ainda mais na pobreza previsão de prejuízo, bilhões de dinheiros chama-se técnicos, consulta-se cientistas move-se fundos, usa-se máquinas, traz-se engenheiros faz-se planos, formula-se teorias mecanicistas a personagem longínqua no espaço a tudo testemunha, eterna observadora de guerras, vida, morte, a discórdia, o abraço de idas e vindas, marés e secas, a causadora intervém o astro feminino, a Lua, filha da Terra mostra a altaneira, pacífica, estival, face plena com a sorte sazonal da fase ideal, encerra com a elevação das águas, a crise terrena lição para os seres que se colocam como supremos? terão percebido os donos do poder o quão são pequenos? alienados conseguirão se situarem longe dos extremos? buscarão no centro da Força a grande a oportunidade que temos?