27 / 11 / 2025 / Blogvember / Decomponde-Se A Cada Voo, A Cada Passo…

… me sinto como a abelha que perdida tentava encontrar o rumo
até perder as forças e perecer registrei a cessação de movimentos e bater de asas inúteis
para movê-la de onde permaneceu logo me identifiquei com ela
eu mesmo meio que perdido meio que se decompondo como se cada fase
da minha vida parecesse desconectada da minha história íntima
não me reconheço desvirtuado desestimulado a continuar caminhando caminhante
ficar parado ajuda?
não…
reflito que talvez fosse melhor subir a cume mais alto e saltar
quem sabe as minhas asas voltassem a bater…

Participação: Lunna Guedes

09 / 08 / 2025 / BEDA / A Tentativa

Estamos perto de resolver a questão da tentativa de Golpe de Estado com o resultado do julgamento do Ignominioso Miliciano e seus asseclas. No dia 08 de Janeiro de 2023, pessoas alinhadas ao (des)governo anterior invadiram as sedes dos Três Poderes. Desculpas sinceras aos que sofrem de dependência química, mas a horda que atacou a Democracia na forma dos edifícios dos Três Poderes constituídos, estão sob o domínio de um sintoma idêntico daqueles que acabam por sofrer, como consequência alucinógena, da abstenção da realidade. A droga que usam é igualmente propagada, traficada, estimulada e financiada por criminosos. Incluindo àqueles anónimos que se escondem no tráfico “inocente” de mensagens golpistas. Um dos filhos do Ignominioso Miliciano — o 03 — deputado licenciado e com licença para atacar as instituições e também a Economia brasileira, continua cotidianamente a vociferar contra o Judiciário, o mesmo que impediu que a Democracia fosse aviltada definitivamente. Como aqui costumamos a apelidar todo ou qualquer autoridade, o Ministro Moraes se tornou Xandão e, dessa forma, passará à História.

25 / 03 / 2025 / Varredura*

“Hoje, estou em um quase inusitado dia de folga neste mês de março. É certo que tive uma vacância um pouco maior na semana retrasada, mas quase não conta, já que passei pelo pior período da Dengue que me assolou. Vivemos uma situação de epidemia dessa doença em minha região, que fica na Zona Norte de São Paulo. De manhã, fui à UBS do meu bairro levando os exames de sorologia que comprovavam o contato com a Dengue. O que fiz é o procedimento necessário para a notificação da mesma e soube, pela enfermeira que me atendeu, que já temos 180 casos relatados oficialmente por aqui.

Nunca pensei que, mesmo morando na Periferia, viveríamos uma situação tão precária na área da Saúde. Afinal, estamos na maior e mais rica cidade da América Latina, a de maior desenvolvimento econômico do Hemisfério Sul. Não estou aqui a acusar especificamente nenhum governo em particular. Somos todos responsáveis pela situação que ora se apresenta. Mesmo porque somos nós que elegemos os nossos representantes legislativos e executivos. E uma condição como a que passamos não se estabelece de um dia para o outro. É um longo processo que devemos saber resolver, mais cedo ou mais tarde, através da conscientização coletiva.

Neste meu dia de folga, limpei o meu quintal, verifiquei possíveis focos de reprodução de mosquitos e resolvi problemas burocráticos da minha pequena empresa. Em determinado momento, deixei de varrer para atender telefonemas, responder e-mails e comer alguma coisa. E adivinhem? Quando voltei, fiquei surpreso com o fato de que a sujeira que eu estava a varrer… continuava no mesmo lugar.

Sim! Nada acontece magicamente! Se não terminarmos nossas tarefas, elas não se resolverão por si só. Continuei a varrer-conjecturar e não deixei de lembrar que a símbolo da vassoura é muito forte para designar um movimento. Estudioso de História e Filosofia, sei que a vassoura já foi muito utilizada para se chegar ao Poder e de que qualquer boa intenção é normalmente manipulada pelos espertos de plantão.

Percebo que o efeito da simbologia sobre a consciência dos Homens é tão poderoso que os manipuladores (nem sempre os mais sábios, mas sim os mais práticos) conseguem tornar até mesmo as pessoas mais bem-pensantes em títeres na busca pelo Poder. Limpar nossas ideias de falsos pressupostos e deixar de nos envolver por sofistas é um trabalho constante.

Bem, vou continuar a varrer…”

*O texto acima data de 2015. Com o passar dos anos e dos governos, não houve maior conscientização da população ou, ouso dizer, piorou e, muito principalmente, com o advento do Negacionismo como tática política, patrocinada por um projeto de Poder que inclusive afetou o país mais influente do planeta. Para azar do resto da Terra. Apenas para marcar o quanto, o Secretário da Saúde nomeado pelo presidente eleito é uma pessoa que abomina o uso de vacinas, a ponto de um surto de Sarampo se alastrar pelos EUA, ameaçando ultrapassar as suas fronteiras. Será que no futuro alguém acreditará? Teremos futuro?

Foto por Thapelo Boateng em Pexels.com

06 / 03 / 2025 / Projeto Fotográfico 6 On 6 / #TBT

Desfilarei por aqui algumas imagens através do tempo. As imagens têm o poder de preservar uma idade, uma feição, um corpo, um tempo, um lugar. Tanto quanto deveria preservar a memória. Mas isso cabe a nós que passamos por ele. E isso varia de acordo com a capacidade de cada pessoa. Há a condição de envolver certas cenas em torno de fantasias ou desejos. A memória prega peças e é comum que fiquemos saudosos de certas épocas ao rever-nos mais jovens. Eu, que tento viver um dia de cada vez, vou deixando a saudade de lado sempre que possível. É comum sentir que estou tratando de outras pessoas em cada visão.

E essa cabeleira? Pois, é! Devia ter meus 22 anos. Estou do lado de meu irmão, Humberto. Essa imagem foi produzida no centro da cidade de Matão, onde o meu pai herdara uma fazenda, a qual estava arrendada para uma usina de produção de etanol. Nessa visita, constatamos que a fazenda, antes distante da cidade, estava cada vez mais perto. Mais alguns anos, certamente os bairros se aproximariam do canavial. Nunca voltei por lá para constatar. Tempos depois, a fazenda foi vendida para usina.

Mais uma foto com o Humberto. Este registro foi feito no salão do Clube Piratininga, por ocasião de uma apresentação de uma orquestra de baile de salão, em 2005. Foi um tempo gostoso de ser vivido, apesar do desgaste físico que representava subir equipamentos pesados até o palco pelas muitos degraus de suas escadas.

Estava eu em frente ao mar, um sol para cada um, tempo de sobra depois de ter montado o palco… o que poderia fazer? Mergulhar nas águas quentes de São Sebastião, no Litoral Norte. O tempo gasto no trabalho pode ser também de usufruto de bons momentos. Fiz bem! Depois desse mergulho, trabalhei por 30 horas seguidas…

Em 2021, completei 60 anos. As minhas filhas me deu de presente uma viagem à Paraty (RJ), cientes de meu apreço pelo Mar. Foram dias incríveis que eu e a Tânia usufruímos com prazer. Nessa viagem também tive contato com a História e a Natureza em momentos inesquecíveis.

Houve uma época que era totalmente avesso a fotos. Fugia como se quisesse proteger a minha alma, feito um indígena que imaginava que ela ficaria refém da imagem. Nessa, devo estar com 19 anos, num visual típico dos Anos 80. Na época, era vegetariano e acreditava que sequer namoraria, quanto mais que me casaria. Mas o mundo dá voltas…

Para finalizar, volto ao início, de onde trago esta foto junto àquela através da qual aprendi amar às mulheres. Eu devia ter por volta de um ano de idade (1962 ou início de 1963) e as praças de São Paulo eram lugares bem mais aprazíveis do que são agora. Ao fundo, provavelmente, pelo que pesquisei, apesar de não haver sequer uma foto para identificá-la, está “Mulher Nua“, de Charis Brandt. Ela desapareceu da Praça da República em julho de 1994; era uma obra em bronze com 1,70m de altura e pesava cerca de 105 Kg; ficava sobre um pedestal de granito rosa.

26 / 02 / 2025 / Deus*

Imagine a possibilidade de que o Universo todo tenha surgido de uma explosão a partir de um ponto infinitesimal, há incontáveis bilhões de anos “antes” a considerar “antes” e “depois” como dois momentos decorrentes desse início do tempo, se fôssemos criar uma linearidade. Sendo assim, todas as “leis” que regeriam a expansão do Universo desde então — formação de massas gasosas, elementos químicos, estrelas, planetas, asteroides, cometas, galáxias, buracos negros, as leis físicas conhecidas e as que ainda a serem descobertas, a Terra, as plantas, os homens e os outros animais, as mulheres (seres especiais), eu, você e toda a complexa história da existência humana no planeta, até a extinção dele e de toda a vida que nele caminha — teriam a mesma origem e comungaríamos da mesma “natureza energética”.

Ou seja, o Universo todo estaria conectado, mesmo que não queiramos aceitar. Se convencionarmos chamar a essa “Energia Una” de “Deus“, estaríamos errados? E se ao longo do desenvolvimento do Universo, a multiplicidade de fatores desencadeados pela força inicial tiver estimulado um processo de autoconsciência, mesmo que originalmente não houvesse tido essa característica, e que essa autoconsciência se tornasse o padrão de reconhecimento de uma espécie de “divindade de ser”, em que as supostas leis arbitrárias que aparentam a violência dos elementos demonstrasse apenas que existe um processo infinito de criação, conservação e destruição, em um ciclo eterno de desenvolvimento que muitos poderiam chamar de evolução? Isso é possível?

Eu acredito que sim, porque creio que se um deus existe, Ele/Ela é o/a deus(a) do possível e se permitiu que eu possa imaginar isso e/ou qualquer outra coisa, Se “apraz” que assim seja. Portanto, até duvidar de sua existência, eu posso. Livre do peso de precisar aceitá-lo(a) como imposição, consigo ter um relacionamento mais aberto com a divindade da vida. De resto, o que eu tenho visto, ao longo da História, é o Homem a criar deuses à sua semelhança e a matar em nome deles…

*Texto que compõe REALidade, livro de crônicas lançado em 2017, pela Scenarium Livros Artesanais

Foto por Yihan Wang em Pexels.com