Sou Filho De Darth Vader

Sou filho de Darth Vader. Não, não sou Lucas Skywaker, mas seu irmão bastardo. Ou seja, nem herói posso ser considerado. O meu pai quando estava presente, fazia questão de me considerar inapto para quase todas as coisas no qual ele era capaz. Talentoso com as mãos em termos de carpintaria, que aprendi o observando, enveredei pelo trabalho artesanal, mais artístico — também desenhava e pintava. Sempre gostei de escrever e quando percebi que ao fazê-lo, conseguia inventar o meu próprio mundo, (nele, eu era deus), deixei de me expressar pelas artes plásticas. Quer dizer, de certa maneira “puxei” esse lado delirante de grandeza.

Porém, ao contrário de meu pai, que destruía mundos inteiros, fazia procriar personagens em meus textos. Percebi cedo que não era difícil encontrá-las pelo meu caminho tempos depois, como se antecipasse o futuro. Vivia isolado dos outros garotos com os quais convivia. Dois deles eram mais próximos, mas um deles enveredou para o lado obscuro da Força. Hoje, estamos definitivamente rompidos. Também conversava com seres oníricos em meus sonhos e os reencontrava quando desejava. Até que com o meu crescimento físico e “amadurecimento” mental, os deixei fugir pelos tempos alternativos da minha vida.

Na falta de mestres, elegi Machado de Assis como o meu Obi-Wan Quenobi. Eu o lia como os outros apreciavam os gibis, que eu também gostava, mas cedo percebi as regras do Capitalismo imiscuído em suas histórias, principalmente nos de Walt Disney. Isso, me afastou do estilo até conhecer outras versões na manufatura de HQs. Maurício de Souza ajudou a resgatar o modelo, mas ao conhecer os mais ousados e adultos, percebi que a expressão por esse estilo de arte poderia vir a ser revolucionária, se o texto (ainda que muitas vezes prescindisse disso) viesse a se casar com a criatividade do desenhista.

Bem novinho, cu comecei a tocar violão, por influência de meu pai, mas desisti mesmo acertando as notas certas das antigas canções que ele me ensinava. O violão era de adulto e as cordas, de aço. Doía os meus dedos para que isso acontecesse. Hoje reconheço que deveria persistir. Que eu deveria aprender a manipular o sabre de luz sónico com perseverança a ponto de vir a dominar o mundo. Mas a escrita me dominava como a um espírito de um Mestre Jedi. Que até então não havia se materializado em corpo e alma. O meu pai talvez tenha começado a me rejeitar desde então porque eu passei a não seguir mais as suas orientações.

Mas a principal discrepância era de ordem ideológica. Não porque não comungasse de suas ideias básicas a respeito de Política, mas porque via com clareza que a proposição de uma vanguarda que levasse o povo a se armar para resistir à Ditadura não tinha futuro. Certa ocasião, lhe disse que isso nunca aconteceria porque o brasileiro foi sendo desinformado com o tempo pelo Sistema que, baseado na formação escravagista de sua História, o tornou apático quanto à mudança da realidade que impunha uma sociedade de castas que imprimiu na mentalidade da nação uma postura conformista. Nesse caso, o meu Darth Vader era um idealista que queria destruir a Estrela da Morte.

Mas como todo idealista, viajou na ideia que conseguiria alcançar a massa para esta se revoltasse contra exércitos e os agentes pagos e os não pagos — a população — afeita ao cotidiano que informava que os comunistas comiam criancinhas. Quando são os “pacíficos” que são os verdadeiros degenerados sociais. Preferem que a Sociedade continue o seu show ilusionista de Deus, Família e Propriedade. Propõem que a família deva ser preservada, a mesma que desenvolveu doentes mentais que se matam entre si em busca do “sucesso” representado por aquisições de bens. Querem ser chamados de “bons” assim que os obtêm, não trabalham para o bem comum e não toleram quando um desvalido alcança um patamar social mais elevado em termos econômicos. Enfim, meu pai queria destruir o Império, ao contrário do Darth Vader original. Talvez, por causa disso, ainda possa perdoá-lo, por ser tão sonhador quanto eu…

05 / 09 / 2025 / Independência Em 2020

Em 2020, por ocasião da comemoração do 7 de Setembro, o Google colocou na página de buscas essa imagem ilustrativa. Perguntei: “O que é que é isso, Google? Hoje é aniversário de independência dos Estados Unidos ou do Brasil?

Sintomaticamente, tanto naquela época, como agora, há uma parcela de cidadãos que expressam seu amor ao País de Trump com muito mais fervor e admiração do que para o nosso. Não se importam de prejudicarem a nossa Pátria em busca de ganhos pessoais — tanto economicamente quanto pessoalmente. Aliás, muitos dessas personagens confundem uma coisa com a outra — família e Pátria — aduzindo ganhos econômicos como tempero indispensável. Afinal, tudo gira em torno do dinheiro, mesmo. A Ideologia passa longe dos projetos políticos para se tornarem mecanismos de apropriação de meios para faturamento financeiro. Enquanto isso, vamos tentando sobreviver a tanta negociação entre as forças que dominam o País — políticos que passeiam entre as demandas populares e os interesses particulares.

O Dia De Quem Ensina São Todos Os Dias

DIA DE QUEM ENSINA SÃO TODOS OS DIAS

Todos nós, em algum momento da vida, assumimos mesmo sem pretensão, a função de professor. Ainda que de forma indireta, por erros que cometemos ou por ações afirmativas e conscientes que servem como exemplos. Jovem, ao projetar o meu futuro, eu me vi como um professor. Escolhi História porque percebia que nessa seara eu poderia cultivar assuntos que me inspiravam – Filosofia, Geografia, Sociologia, Economia, Literatura, Biologia, Psicologia – e tantas outras vertentes do saber humano.

Na FFLCH-USP, dei de frente com a complexidade de como a História se desdobrava em compartimentos que deveriam por fim integrar o conhecimento da matéria que deveria retratar a Realidade. A partir da visão de estudiosos, vi formulações de teorias de como a vida do Homo sapiens na Terra em Sociedade se formou através de provas documentais, visando preencher lacunas sobre fatos desconhecidos. Para além da Epistemologia – ou teoria do conhecimento – surgiram defensores de caminhos que tornassem os meandros de nosso desenvolvimento social não somente mais compreensíveis, mas mais aceitáveis. Nesse instante, surgem ideologias que deveriam “explicar” a soberania dos donos do poder e, em contraponto, a razão das relações humanas caminharem para serem mais justas e equânimes.

Daí, chegamos à história da História, a perceber que a manipulação dos fatos se dá desde sempre. Quando entrei na faculdade, me surpreendi com a ideia de a matéria em questão ser uma Ciência. A própria ideia do que seja Ciência é revisada ao colocá-la como Humana. Aqui, me permito rir ao lembrar da frase que “errar é humano”. Errar também pode ser sinónimo de caminhar (sem destino). O embate ideológico naturalmente faz parte do próprio ensino. Sou daqueles que defende que a Educação, a meu ver, tem que caminhar no sentido de tornar a Sociedade menos tensionada. Isso só se dará ao colocar o Conhecimento como prioridade capital. Não se trata de defender a minha classe, tendo em vista que a minha renda familiar, neste País depauperado, me coloca na “Média”. A mesma classe média que quer que a situação continue do jeito que está.

Que uma parte significativa da população defenda o nosso atual status de “Pátria Pária”, não me surpreende mentalmente, mas me instabiliza psicologicamente. Os argumentos que utilizam para se manterem com o pescoço sob a bota do Capitão do Mato são baseadas em “conhecimento” apreendido por mecanismos modernos de desinformação. Porém, a explicação tem as suas raízes bem mais profundas. Tem muito a ver por ter sido esta Nação formada por discrepâncias como a defesa religiosa da dominação e posterior escravidão dos povos originários, quando da invasão do território de Pindorama por europeus. Nomeá-la de Santa Cruz é icônico por si só – símbolo do calvário de Cristo. Como os escravizados não suportavam o jugo e logo pereciam, recorreu-se à mão-de-obra trazida de outro continente. A escravização dos africanos e o modo “industrial” de como foi feita a operação de captura, transporte e venda das “peças” é algo que deveria nos envergonhar dolorosamente todos os dias.

Ao colocar alguém que conscientemente estipula em arrobas – a forma antiga de pesagem no Brasil – a um homem preto chamou para si a simpatia daqueles que, como ele, pensam de forma idêntica. E são tantos… Tanto que continua a agir impunemente com a anuência de colaboradores de ocasião e simpatizantes permanentes. São filhos de nossas mazelas em que o período da Escravidão representa seu cerne de formação e desenvolvimento.  Dos um pouco mais de 500 anos de “existência” do Brasil, quase 400 foram vividos sob a égide da escravização de homens, mulheres e crianças. Pessoas usadas como objetos como são os móveis, os automóveis, talheres e roupas. Pessoas que foram punidas quando se rebelavam contra o desmando, a ignomínia, a dominação sexual e a venda de seus filhos, pais e irmãos. Sem colocar em pauta esse período tenebroso para a nossa História, não há como superarmos o atual desiquilíbrio social. Quem defende o contrário disso, se filia como (com o) algoz de nosso povo, assim como foram nossos antepassados.

Quando estive me Parati, o guia que nos guiou pela riqueza da vegetação, quedas d’água e fazendas produtoras de aguardente, citou o termo “escravizado” em vez de “escravo” ao se referir às pessoas que compunham a população de servidores nos engenhos, no transporte do ouro, nas tarefas mais pesadas. Qual seria a diferença? A meu ver, quando se é escravo é uma decisão tomada por si mesmo, muitas vezes. Eu escolho ser “escravo” de minha sensibilidade, apesar da dor permanente. Quando se diz “escravizado”, é algo que é imposto por terceiros, mesmo que se rebele. Como o que acontece com a obrigação que o Sistema que discrimina, alija e pune os cidadãos que não alcançaram ainda a cidadania plena, presente na Constituição.

Por isso, devemos valorizar os professores todos os dias. Esperança de um País melhor, não para mim, que vivo a parte final de minha vida terrena, mas para quem vier depois. Esperançar é o verbo oculto a cada vez que um professor ou professora toca o giz na lousa.  

Projeto 52 Missivas / São Dias De Olhar Pelo Buraco Da Fechadura…

E o que vejo pelo buraco neste primeiro quarto… de século, Gaia?

Próximo a mudança das estações, mais uma invasão. Homens, tanques, mísseis, blindados, irmãos matando irmãos. Passado o primeiro mês da guerra, não há solução na linha do horizonte…

Enquanto neste quadrante, a invasão de biomas inteiros aumentam dia-a-dia desde há muitas estações com motosserras, fogo e tratores, reduzindo a cinzas no solo empobrecido ou arrancando nossas irmãs árvores de seus lugares de origem para servirem aos que se intitulam senhores de seu corpo. Mais um efeito do Patriarcado, não importando a ideologia?

O clima tem se modificado, como sabe, por nossas interferências indevidas no fluxo natural da vida. Os ciclos não se cumprem, a não ser o de guerras de tempos em tempos para lembrarmos o quanto é fátuo matar e morrer por causas delirantes e ilusórias. Enquanto isso, a ferimos inoculando veneno em suas veias-rios, agredindo os seus úteros-mares, os entulhando de lixo.

Armamos armadilhas improvisadas as quais chamamos de casas em encostas de zonas degradadas que certamente virão a ruir mais cedo ou mais tarde. Ou próximos de nascentes e mananciais de água, as degradando. Sempre achei corajosa a opção de pessoas virem a viver em zonas com possibilidade de terremotos, como os residentes da cidade de São Francisco, localizada sobre a Falha de San Andrés. No Brasil, não é opção, mas falta de…

O buraco da fechadura tem se alargado e o que era para ser reservado e preservado, é escancarado e arrancado como se fosse infindável. Sei que nosso estilo de vida causa a morte de nossos companheiros de jornada. E que esse cortejo de seres extintos nos levará à nossa própria extinção.

O que eu especulo é se conseguiremos sobrepujar nossa atração pelo abismo e pararemos para voltarmos a nos conectar na mesma vibração que seu corpo emana, quando nos sentiremos como células-filhas acolhidas em seu corpo luminoso de azul.

Gaia, até onde deixará que iremos antes que faça o que for preciso para sobreviver?…

Participam: Mariana Gouveia / Lunna Guedes

Muito Além De Uma “Pisadinha”

De “it’s coming home” para “It’s coming to Rome”…

A semana começou com notícias vindas de vários lugares do mundo a demonstrar o quanto as realidades se intercalam em maiores e menores escalas de reconhecimento.

No Brasil, começamos com as repercussões segundo dia da derrota da seleção brasileira de futebol na Copa América pela Argentina de Messi. Trazida para a “Pátria Amada” pelo Governo Central que, mesmo enfrentando a Pandemia, preferiu banca em sua realização numa típica manobra da Antigo Império Romano de proporcionar o Circo e obter possíveis dividendos políticos. A final ocorreu na noite de sábado, quando eu estava trabalhando, situação que aparentemente voltará a ser menos ocasional, já que minha atividade envolve apresentações de bandas, cantores, bailarinos e/ou atores, com a reunião de pessoas em buffets, clubes e auditórios. O que poderá ser viável com o avanço da vacinação.  Eu só soube do resultado após o término da decisão e não senti nada. Em nada parecia com o garoto que amava o futebol e sofria com as derrotas como se fossem pessoais.

O sentimento de ausência de alegria ou tristeza, certamente tem a ver com a situação que vive o País, em que comemorar vitórias ilusórias diante de tantas derrotas reais impingidas pela Covid-19 a fez campeã negativa de nossos dias. Quando vi a reportagem sobre o jogo e constatei a emoção de Leonel Messi, caindo sobre os joelhos sob o peso de sua história particular, um talentoso e vencedor atleta em seu clube, mas que nunca havia angariado um título pela seleção nacional, me alegrou um pouco. Do outro lado, estava o “menino Ney”, um sujeito que infelizmente não cresceu como homem e vive “pisando na bola”. Uma das crônicas de REALidade, meu primeiro livro, o enaltece no episódio de sua contusão na malfadada Copa de 2014. Daí em diante tem se mostrado um ídolo com pés de barro, ainda que talento futebolístico não lhe falte.

Em Wimbley, estádio lotado de torcedores de ambas as agremiações, vimos a seleção da Inglaterra perder a decisão nas penalidades máximas para o da “Azurra” italiana. Gostei da vitória da Itália, que mesmo estando acostumada a vencer títulos mundiais, ficou fora da Copa de 2018. A vitória está sendo considerada um sinal de reavivamento do seu futebol. De antigo destino dos sonhos de meninos do planeta bola, o País perdeu projeção internacional nos últimos 20 anos. Adotando a valorização da posse de bola e do ataque além da tradicional defesa forte, desenvolveu a formulação de um futebol total, estando há mais de 30 jogos sem perder.

A maior derrota inglesa, porém, se deu fora de campo. O aparente ressurgimento dos famigerados holligans marcou a realização do jogo. Houve ataques racistas contra os jogadores que perderam os pênaltis, de origem não caucasiana. Os torcedores racistas ingleses não conseguem alcançar que mesmo nascido como esporte de elite, o futebol se popularizou a ponto de penetrar em todos os recônditos do planeta, praticado por todas as etnias de originários do Brasil, a asiáticos, passando por africanos, árabes e aborígenes. Eles não perceberam que só chegaram aonde chegaram por causa da miscigenação do time. Os rapazes pretos tiveram a coragem de fazer as cobranças numa decisão de tamanha importância, enquanto os brancos se eximiram de fazê-lo não deveriam também serem cobrados por isso? Quando Saka teve seu chute defendido pelo goleiro italiano Donnarumma, considerado o melhor jogador da competição, chorou porque sabia o que viria pela frente, não apenas por ele, mas por outros de sua origem.

Em contraposição, vemos os campos vazios do Brasil atrasado na imunização por vacinas contra o SARS-COV-19, muito devido a “tenebrosas transações” nos corredores do Ministério daDoença”, restaurantes e gabinetes palacianos de Brasília. Processo levado adiante por sujeitos que se arvoravam ilibados porque nunca se provou nada contra suas práticas espúrias apesar de sabidas ou porque considerassem seu comportamento “normal” dentro de um sistema viciado. Entre a hipocrisia ou a falta de consciência por parte dessa gente, voto pela simples desfaçatez: “me chama de corrupto, porra!” enquanto a CPI do Senado sobre ações e omissões do Governo Federal continuará a buscar comprovações da política nefasta na condução da boiada porteira afora. Quanto ao perigosamente cada vez mais desconexo Ignominioso, vejo a possibilidade de quatro ocorrências: impeachment, renúncia (para evitar o processo e consequente inelegibilidade) e tentativa de Golpe de Estado. Se houver eleição, perderá…

Acontecimentos considerados inéditos, em Cuba, houve passeatas em nome da liberdade política e por avanço na imunização precária, enquanto a notícia divulgada antes é de que sobrava vacina, a ponto de estrangeiros serem vacinados quando chegavam à Ilha. As imagens são inegáveis e não devemos deixar, por miopia ideológica, de verificar o que acontece, uma longa ditadura que empobreceu o País. Na Espanha, uma morte causada por comportamento homofóbico contra um gay de origem brasileira, ainda repercute no país inteiro, com passeatas e cobrança por justiça. No Brasil, nada inédito no país considerado o mais perigoso para quem se identifica para além da dicotomia de gênero, uma cidadã trans foi morta por ter o corpo queimado por um adolescente que carregava, apesar de novo, os preconceitos passados de pai para filho neste sistema patriarcal que prejudica a homens, mulheres, transgêneros e identidades diferenciadas.

Em Fortaleza, um expoente (em termos de veiculação) da música popular atual apareceu, por imagens gravadas por câmeras de segurança interna de sua casa, espancando sua ex-esposa, estivesse ela sozinha, diante de outras pessoas ou de sua filha de nove meses, com socos, pontapés, puxões de cabelo e, não devemos duvidar, por palavras ofensivas de fundo moral. Para se justificar, o acusado culpou a vítima. Só se a mulher espancada buscasse se defender de alguma forma. Se há algo que enraivece quem agride é que o agredido se defenda da agressor. Quem ataca dessa maneira quer humilhar, rebaixar a vítima à condição de nada-ninguém, deseja pisar nela como se fosse um pano de chão. Para quem ataca, trata-se de uma “pisadinha”, para quem é atacado, torna-se uma quase morte, uma antevisão de seu aniquilamento. Pior ainda se for uma “simples” mulher que não deveria sair de seu lugar de pessoa de segunda categoria, de acordo com o pensamento do típico protomacho brasileiro.

Não busco resumir, a partir desses acontecimentos, quaisquer receitas a serem passadas adiante como modelos de viver e pensar. O que sei é que o sucesso profissional, artístico, financeiro e/ou social não engradece o Homem, mas a maneira como recebemos as vitórias e como lidamos com os nossos próprios insucessos na busca do equilíbrio mental, emocional, sentimental e espiritual. Esta última instância não tem a ver com religião dogmática, mas como uma visão transcendente da vida.

Para quem crê que tudo se restrinja à realidade imediata do mundo, ganhar o mundo muitas vezes é não o reconhecer em sua finitude tanto na questão de tempo quanto na de espaço. Somos seres mais e melhores, potencialmente. Basta querermos ultrapassar as limitações que tentam nos impor desde que nascemos através de ideologias segregadoras e por receitas de sucesso esporádico e finito. No entanto, e principalmente, enquanto estamos no mundo, é mister que defendamos os excluídos, os agredidos, os ultrajados e os que são mortos por uma política violenta e insultante da dignidade humana contra os poderosos de plantão. Que a Justiça terrena alcance e puna os representantes de um modelo de dominação que já não encontra lugar em nosso País e Planeta.