04 / 09 / 2025 / Pendular

Foto por Ron Lach em Pexels.com

não são poucas as vezes que me sinto sendo jogado
de um lado para o outro como se fosse movido
sendo atirado contra outros corpos que comigo se colidem
como se fizesse parte de um pêndulo de Newton
sei que outras pessoas me influenciam
mas conscientemente poucas me movem
ainda assim me comovem
porque estamos todos sendo transferidos
de nossos pontos de equilíbrio
mãos invisíveis (do destino?) atuam
tumultuam
o meu entendimento
me transportam para fora de mim
me perco entre o não e o sim
fico ou não fico ou não fico e fico
pior é não sentir
prefiro sofrer do que não nada sentir
percebo que isso é resumo de viver ou não
usar a pele como comunicação
usar as pernas e os braços para a expedição
de meu corpo transladado pela lei
da gravidade força arbitrária
a única lei que nos define como iguais
servos e mandatários todos pendulares
ainda que não sejamos igualitários…

10 / 07 / 2025 / O Rei Do Mundo E Seu Quintal Do Sul

Cena de tentativa de Golpe de Estado nos EUA em 6 de Janeiro de 2021

E eis que supostos patriotas conseguiram fazer com que o autoproclamado Rei do Mundo ameaçasse o Brasil, seu maior quintal ao sul do Continente Americano, com sanções caso o Judiciário Brasileiro continue com o julgamento do Ignominioso Miliciano e seus asseclas que, segundo o soberano cor-de-cenoura, é algo injusto, uma grande violência. O caso da invasão das sedes do Três Poderes e sua depredação foi copiada da invasão do Capitólio incentivada pelo Rei no dia da diplomação de Joe Baiden.

Então, de certa maneira, como conseguiu não ser impedido pelas leis norte-americanas que voltasse a concorrer às últimas eleições presidenciais, ele deve achar que o caso o brasileiro possa ser considerado uma espécie de mal exemplo para o mundo do que poderia ter acontecido na ocorrência criminosa de invasão e tentativa de autogolpe para continuar no poder. Nada diferente do que o grupo no poder antes de Lula tentou fazer. Não deu certo porque os comandos do Exército e da Aeronáutica não quiseram participar, excetuando o da Marinha. Com o racha no Alto Comando Militar, o plano não foi em frente.

O caso de tentativa do atual mandatário americano à época, talvez tenha sido meio improvisado, mas não deixou de ser menos violento, com alguns mortos no processo. As duas situações foram engendradas no bojo dos movimentos da extrema-direita, com orientação originada em território americano por assessores “informais”, mas bem próximos do presid… Rei do Mundo. Diante do fato de que reis tão poderosos não costumam terem as suas ordens contrariadas, o Rei cor-de-cenoura supõe que as suas diretivas não mereçam contestação.

Nunca imaginei que os EUA fosse passar por esse processo despótico e distópico, à George Orwell, durante a minha vida. Agora deseja que o Brasil deixe de julgar as ações violentas e antidemocráticas de 8 de Janeiro de 2023 e todas as ações precedentes que desaguaram na invasão da sede dos Três Poderes porque seu aliado e admirador fálico “patriota” está sendo julgado depois de passar quatro anos de seu desgoverno pregando o golpe.

Diante dos juízes do Supremo Tribunal Federal ele negou tudo o que passamos um quadriênio de terror vendo. Enfrentando uma Pandemia que relutava aceitar a gravidade, só imaginou partir para a vacinação em massa quando vislumbrou a possibilidade de faturar milhões na compra de vacinas. Durante a sua administração foi executado o desmonte do setor burocrático administrativo para poder justamente enfraquecer quaisquer mecanismos de controle aos seus desejos despóticos.

A super taxação de 50% sobre os produtos de exportação brasileiros pelo Rei é uma jogada que trará algumas consequências. A primeira que passa pela minha cabeça, além da desestruturação da economia brasileira e causar maior inflação ao seu próprio País, à princípio, é jogar o Brasil no colo da China. Os seus investimentos no País para a construção de uma super ferrovia que cruzará o Brasil do Porto de Salvador até a fronteira com o Peru foi apenas o começo, além de outros acordos comerciais.

Obviamente, não interessa aos brasileiros que fiquem dependentes da China, assim como não interessa que fiquem presos aos EUA. Como foi até hoje. O surgimento do BRICS, segundo o déspota, não o preocupa. Mas ao tentar abortar o seu crescimento revela o contrário. O tal não deseja que o Dólar perca a posição de Moeda Padrão, já que é esse sistema que financia o seu incomensurável déficit econômico.

O que é interessante é que o País que até outro dia se dizia farol da Liberdade Democrática esteja se configurado em um centro despótico, com iniciativas dignas de Ditaduras aos quais ataca com armas de última geração. Dessa maneira, qualquer atitude tomada pelo Brasil para enfrentar esse ataque à Constituição Brasileira se configura como defesa da Lei e da Ordem Institucional nacional.

Nunca quis visitar os EUA. Essa fascinação das pessoas pela terra do Tio Sam para mim foi sempre supervalorizada. Não preciso passear pelas estradas americanas para sentir o clima On The Road de Jack Kerouac. Basta lê-lo. Ou para perceber que o racismo é um uma das maiores chagas americanas. Assim como aqui. Bastou ver um homem branco pisar no pescoço de George Floyd durante meia hora ou mais até sufocá-lo para entender.

Aqui, no Brasil, homens pretos são mortos porque estão correndo para não perderem o ônibus, após saírem do trabalho. E as ações do Ignominioso Miliciano ajudou tornar explícito esse pendor de certos setores da Sociedade após 400 anos de sistema escravocrata aflorado como postura aberta em rede social como tendência sócio-política. Dada a situação, poderemos sofrer, mas não podemos deixar de nos opormos à tentativa de golpe, agora levado adiante por um sujeito de fora que se acha a última cenoura do pacote.

17 / 02 / 2025 / As Mães

A mãe Ingrid e a minha mãe, Dona Madalena

Ingrid é uma mãe. Eu e a Tânia, brincando, a chamamos de mãe. Não apenas do Bambino e da Maria. Com o seu talento para ser mãe, conseguiu unir pelo amor um cachorro e uma gata num espaço pequeno. Quem dela se aproxima, logo é envolvido por sua energia boa, seu sorriso contagiante e sua postura de mulher madura em corpo de menina. Seus amigos a idolatram, suas irmãs — Romy Lívia — a amam, a procurando para conselhos ou desabafos. Profissional competente, ninguém imagina que naquele corpo pequeno esteja uma exímia advogada, reverenciada por despossuídos e poderosos aos quais ajuda para se desvencilharem de seus problemas legais.

Quando pequena, já queria se tornar advogada (quem sabe, um dia talvez juíza?), para defender os injustiçados. Mas todos sabemos que nem todos o são e, mesmo assim, ela tem consciência que deve cumprir o seu dever de defensora dos seus clientes diante da Lei. Sempre voluntariosa, quando (mais) pequena, me deixava de cabelo (quando o tinha) em pé com as suas escapadas. “Por onde anda a Ingrid, gente?”… “Presa numa enchente no ABC, onde foi assistir um show de rock!”… Devia ter 12 ou 13 anos. Ela que me corrija, se eu estiver errado.

Muito inquieta, brincalhona, de feitio mais arredondado, ao crescer percebeu que tinha que controlar a alimentação que lhe acarretavam repercussões físicas indesejáveis. Corajosa, enfrenta os problemas psicológicos a que todos nós desenvolvemos com o tempo e a carga que a realidade nos impõe. Eu, mesmo, apenas neste quadrante, tomei essa atitude de fazer terapia. Muito, por sua influência indireta. Essa boa influência compartilha com as suas amigas e amigos, ao quais conheci de mais perto e pude verificar a riqueza de caráter da grandíssima maioria. É comum, ao nos aproximarmos mais de algumas dessas amizades, torcermos para que fiquem bem, desejando para que tomem os melhores caminhos, porque as queremos bem.

Chamado de “Tio” por algumas delas, busco não ser tão intrusivo e sigo os conselhos dela e das irmãs para que não pareça tão inconveniente. O que não é fácil… Mas, enfim, a aquariana que hoje aniversaria, cumpre quase todos os bons predicados do signo da Nova Era que está para se iniciar — o que proporcionará à maioria dos seres humanos a descoberta, a verdadeira vivência e o real conhecimento da Consciência Crística. Espero que não demore a chegar, pelo bem de Gaia

Gosto muito dessa foto! Não sei como a minha mulher tolerava o meu estilo riponga! E a minha filhota do meio, Ingrid, com aquele olhar de quem estava sempre disposta a aprontar! O ano? Feliz!

Tortura

Da primeira metade do Século XVI ao final do Século XIX — quatro séculos de Escravidão.

Dois policiais prenderam um suspeito de participar em um arrastão. Segundo disseram, como o detido resistia à prisão em vez das prosaicas algemas, os dois homens – altos e fortes – o amarraram pelos pés e pelas mãos. A cena causou espanto porque o suspeito, em sendo preto, encarnou o sistema que ainda hoje marca a nossa Sociedade o escravismo. O Tempo pareceu retroceder séculos antes quando pessoas pretas eram tratadas como peças propriedades objetos de uso que, menos que animais, não deveriam expressar sentimentos ou emoções, à custa de punições.

A Corregedoria da PM afastou os dois “capatazes” ou “capitães-do-mato” alertando que aquele não era o procedimento regular na detenção de um suspeito. Apesar dos urros de dor, a única providência que tomaram foi o de colocá-lo numa maca para aliviarem o carregamento do peso do corpo amarrado. A juíza do caso entendeu ou foi dada a relatar que “não há elementos que permitam concluir ter havido tortura, maus-tratos ou ainda descumprimento dos direitos constitucionais assegurados ao preso”. Soube-se depois que se baseou apenas nos depoimentos dos policiais, sem que tivesse visto o registro amplamente divulgado pela imprensa. É natural que diante de um ato de violência como um furto, roubo ou assalto fiquemos indignados e queiramos que o criminoso seja impedido de delinquir e punido.

Mas a que preço? Qual o limite que devemos chegar para ver a lei ser cumprida? Ver a dignidade humana vilipendiada?  E quando um representante da lei julga que não há maus tratos nesse caso, qual seria a sua opinião ao ver o seu filho sendo tratado dessa maneira? “Ah! Meu filho nunca faria isso! Porque foi bem-criado, frequentou boas escolas, tem uma família estruturada!”. É bem provável que esse não fosse o caso do prisioneiro tratado como “peça de museu da escravidão”.

Fosse ele branco, bem-vestido, documentado, endereço conhecido e, por critério equânime, carregado como um pedaço de carne por suspeita em participação em um arrastão, duvido que não houvesse uma comoção social. Há pessoas insuspeitas que fazem qualquer coisa para conseguir algo para trocar por droga, como já testemunhei acontecer.

Num evento que fizemos, um microfone foi levado por alguém que, soube depois, era usuário de droga. Para nós, foi um prejuízo importante, pois estávamos iniciando a nossa trajetória. Para ele, a chance de cheirar mais uma carreira. Acabamos por não dar queixa. Por sorte, nunca mais topamos com a pobre criatura. Neste caso, o arrastão se deu numa mercearia. O objetivo era obter algo para comer.

O fato é que, graças ao sistema escravocrata que imperou por séculos no Brasil, terminado de uma forma que jogou os escravizados na rua, com raras exceções, criamos um ciclo vicioso que gerou repercussões graves nas relações sociais, no Presente totalmente desequilibradas. Há uma dívida a ser paga pela Sociedade brasileira para que reparemos os malefícios causados pelo antigo modo de produção. Para que interrompamos o rolo compressor que penaliza a todos nós é necessário diminuirmos as distâncias entre os componentes do quadro socioeconômico.

A Educação é o meio mais nobre para que isso se dê de forma sustentável, mas demanda vontade política e recursos (sem desvios) às instituições educacionais e aos professores, além de tempo. Enquanto isso, há medidas que devem ser implementadas para tornar o ambiente social mais respirável e o humano menos cruel. Caso contrário, continuaremos a ver reproduzidas situações que, ainda que não devam esquecidas, deveriam ficar apenas no Passado. Isso, para termos uma mínima chance de nos tornarmos uma grande nação no Futuro. Nossos filhos nos agradeceriam muito.

Cena de 05 de Junho de 2023 135 anos após a Abolição da Escravidão.

BEDA | Fechado


Fechado
Vítima imóvel…

O dia cinza, frio e chuvoso, já me parecia triste o suficiente – às questões pessoais, somei o clima instável. Especialmente sensível, meu olhar denunciava amargor em cada rosto. Em cada pessoa, pressentia uma história desgostosa. Evidentemente, nem tudo deveria ser tão ruim. No entanto, não vislumbrei sorrisos, nem mesmo nos jovens que saíam da escola adiante, na rua que caminhava.

Em uma das esquinas, encontrei um restaurante fechado em plena hora do almoço. Provavelmente, mais uma vitima da crise. Não era o primeiro estabelecimento que via nessa condição. Por trás de cada janela fechada, a cada cortina baixada, a cada porta trancada – uma história de luta perdida e sonho acabado. Depois de tudo, o fim…

Viver não é fácil. Ganhar o pão de cada dia, implica em matar um leão por dia, caso contrário, ele o devora. Apenas talento para os negócios não basta. Há de se vencer a falta de planejamento dos administradores públicos – incompetência, descaso ou corrupção – que desce até a base. Lá, encontramos os achacadores – fiscais fisgadores de peixes grandes e pequenos – impostos, taxas e dificuldades para abrir e/ou fechar empresas.

A legislação é seguida, os documentos são regularizados, os empregados são registrados, os regulamentos são atendidos. Os fiscais sempre encontrarão uma brecha para solicitarem uma conversa fora das anotações oficiais, com consequentes notas-ações.

Além disso, a crise não ajuda em nada. Engendrada em gabinetes a milhares de quilômetros, planos econômicos estruturados para alimentar a máquina pública, atender a apaniguados, contemplar apoiadores, segurar a aliança de cúmplices. Dizem que é tudo dentro da lei. Lei feita por eles, para eles, contra todos nós…

A imagem do restaurante morto, ajudou a piorar o meu dia. Saber que trabalhadores perderam funções e sustentos, me derrubou. Mas confesso que ver a pequena rampa para cadeirantes, quase dispensável e, agora ineficiente, quebrou meu coração de vez…

Participam:  Claudia — Fernanda — Hanna — Lunna — Mari