10 / 05 / 2025 / Imagens

A Lua de ontem me disse que só aparece
para quem a vê.
Parece algo redundante,
mas é apenas uma verdade
retumbante…

A minha cidade,
de espaços abertos,
ruas lotadas,
corações fechados
e história em decadência…
Ainda assim, a amo!

Sopra o vento nas alturas…
No mesmo sentido,
navega o mais pesado que o ar…
Percorrem ares limpos,
acima das humanas agruras,
acima dos homens ímpios…

25 / 02 / 2025 / Pelo Tempo

VISTORIA
Amanhece e a Lua pontua como uma pequena mancha no tecido azulado. Borrão luminoso a ser prontamente varrido pela poluição antes e pelo sol, logo mais.

PERA
A pera sobre a pedra preta.
Esfericidade ferida à espera de ser absorvida.
A ideia de fruta madura torna-se absoluto conceito alimentar.

EXPLOSÃO
Pelas ondas do rádio recebemos por uma última vez as notícias que todos nós temíamos ouvir:
ondas de radiação mortal propagavam-se desde o epicentro da explosão ao norte, varrendo toda a vida pelo caminho…

AUSCULTA
Conectividade, mas artificial. Vozes, sons, sinais. Comunicação instável, interceptada. A cada conquista tecnológica, a cada antena instalada, um fosso se cria entre antenados e marginalizados, todos nós colonizados. Celular ao ar.

POSSIBILIDADES
Os meus óculos são o escudo que me protegem os olhos enquanto capto a luz do seu olhar.
Sem eles, só vejo bem de perto, mas aí, eu me perco…
Pelo caminho? Não, nele…

PERDEDORES
Do prédio do hospital até o estádio têm-se quinhentos metros. Do quarto 674 avisto a nave mãe. Centro de peregrinação, preces e emoção. Item alienígena na fé do cristão. Camisas de cores diferentes separam os seus tripulantes entre aqueles perdedores que pensam ser os vencedores e entre aqueles perdedores que se sentem os perdedores. De novo.

FERIMENTOS
Enquanto isso, flores da antiga árvore descem sobre o carro ferido, o ferindo de cor. O ser aparentemente imóvel, mas vivo, joga a sua vingança colorida sobre aquele objeto móvel, que um dia já feriu…    

ORQUÍDEAS OUTONAIS
Orquídeas florescem displicentemente no outono paulistano. Logo, dormirão. Enquanto isso domina a nossa atenção. Ou: por ser ideias de orcas fluorescentes, decididamente lhe outorgam ser um bom plano viver belamente. Logo dominarão a nossa imaginação.  

19 / 02 / 2025 / Peixe-Lua*

Faz um ano que cheguei à Lua
Ou foi a Lua que se achegou a mim…
O que importa foi o encontro deste cosmonauta
com aquele corpo celeste.
Mais próximo e com o tempo,
pude perceber que avaliara errado.
Como Colombo que pensou chegar a um lugar,
aportara em outro.
A Lua não era um suposto satélite,
mas uma estrela,
em torno da qual outros corpos giravam em torno.
Juntos, formavam um cenário novo para mim,
onde me identifiquei como um autóctone.
O extra lunar, então,
passou a se sentir como um peixe n’água —
um PeixeLua!

*Palavras de 2016

10 / 02 / 2025 / 15 Anos*

Raquel,
as mulheres, aos quinze anos,
adquirem alguns poderes…

O poder de concentrar
quinze séculos de paixão
em quinze segundos de olhar…

O poder de paralisar
quinze homens ativos
ao toque de quinze beijos furtivos…

O poder de levar
quinze viajantes à Lua
à vista de seus quinze primeiros passos
dados na rua…

O poder de remover quinze montanhas
à caminho do Mar para mergulhar
em seu desejo de amar…

Mas, enfim, use com cautela
os seus novos poderes
para o bem da rapaziada…

*Versejar encontrado em um papel, de ano indeterminado, em homenagem ao aniversário de uma prima, mas que eu poderia estender a todas as mulheres.

Foto por Connor McManus em Pexels.com