24 / 05 / 2025 / Coqueiros-Lua

Imagem de 2015

A Lua entre coqueiros.
Desta vez, os meus olhos carnais saíram ganhando,
pois puderam apreciar uma imagem mais nítida e evocativa.
Porém, comigo, os olhos da mente também têm vez…
Os três banhados de beleza luminar e placidez.


Tínhamos um belo coqueiro no quintal, visitado por abelhas, maritacas e outros pássaros que, além de nós, se deliciavam com os seus coquinhos amarelinhos, quando maduros Seus cachos viviam carregados, até que um dia… uma senhora, a nos visitar, lançou um olhar indeterminado e exclamou: “Que lindo!”. Na semana seguinte, de forma avassaladora, ele começou a definhar e secou. Tivemos que cortá-lo, já que ficou irrecuperável! Abaixo, podemos ver dois pedaços cortados, que conservamos como lembrança de sua bela existência. 

Imagem de 2012

16 / 05 / 2025 / Lunar

Pode ser a última lua…
A última vez que atua…
Pode ser a sua última noite…
A derradeira hora do açoite…
O último abraço e o colo quente…
O último suspiro e o beijo ardente…
A última chance de perdoar…
A última oportunidade de amar…

Foto: arquivo pessoal.

10 / 05 / 2025 / Imagens

A Lua de ontem me disse que só aparece
para quem a vê.
Parece algo redundante,
mas é apenas uma verdade
retumbante…

A minha cidade,
de espaços abertos,
ruas lotadas,
corações fechados
e história em decadência…
Ainda assim, a amo!

Sopra o vento nas alturas…
No mesmo sentido,
navega o mais pesado que o ar…
Percorrem ares limpos,
acima das humanas agruras,
acima dos homens ímpios…

25 / 02 / 2025 / Pelo Tempo

VISTORIA
Amanhece e a Lua pontua como uma pequena mancha no tecido azulado. Borrão luminoso a ser prontamente varrido pela poluição antes e pelo sol, logo mais.

PERA
A pera sobre a pedra preta.
Esfericidade ferida à espera de ser absorvida.
A ideia de fruta madura torna-se absoluto conceito alimentar.

EXPLOSÃO
Pelas ondas do rádio recebemos por uma última vez as notícias que todos nós temíamos ouvir:
ondas de radiação mortal propagavam-se desde o epicentro da explosão ao norte, varrendo toda a vida pelo caminho…

AUSCULTA
Conectividade, mas artificial. Vozes, sons, sinais. Comunicação instável, interceptada. A cada conquista tecnológica, a cada antena instalada, um fosso se cria entre antenados e marginalizados, todos nós colonizados. Celular ao ar.

POSSIBILIDADES
Os meus óculos são o escudo que me protegem os olhos enquanto capto a luz do seu olhar.
Sem eles, só vejo bem de perto, mas aí, eu me perco…
Pelo caminho? Não, nele…

PERDEDORES
Do prédio do hospital até o estádio têm-se quinhentos metros. Do quarto 674 avisto a nave mãe. Centro de peregrinação, preces e emoção. Item alienígena na fé do cristão. Camisas de cores diferentes separam os seus tripulantes entre aqueles perdedores que pensam ser os vencedores e entre aqueles perdedores que se sentem os perdedores. De novo.

FERIMENTOS
Enquanto isso, flores da antiga árvore descem sobre o carro ferido, o ferindo de cor. O ser aparentemente imóvel, mas vivo, joga a sua vingança colorida sobre aquele objeto móvel, que um dia já feriu…    

ORQUÍDEAS OUTONAIS
Orquídeas florescem displicentemente no outono paulistano. Logo, dormirão. Enquanto isso domina a nossa atenção. Ou: por ser ideias de orcas fluorescentes, decididamente lhe outorgam ser um bom plano viver belamente. Logo dominarão a nossa imaginação.