Lua Nova Crescente*

A Lua tem cinco anos,
para quem tem cinco anos.
Ela é antiga, mas nova.
Ao crescermos, nos tornamos
descrentes crescentes
e, minguante,
o nosso encantamento.
Não para mim…
Eu,
que tenho dez vezes cinco anos
e um pouco mais,
hoje,
ao vê-la, me senti
de alma nova,
com cinco Primaveras no Inverno

*Poema de 2018

Lua De Sangue*

LUA DE SANGUE

Tenho um horário irregular de sono devido à minha atividade profissional. De sábado para domingo, fui dormir às 7h30 e acordei às 13h. Tentei segurar o máximo que pude, mas dei uma fatídica cochilada por meia hora antes de me deitar, o suficiente para me fazer perder o sono. Como a 1h da madrugada ainda não havia encontrado Morfeu, fui ver o céu. E foi ótimo! O espetáculo natural foi lindo e, ainda que tentasse, não consegui registrar devidamente toda a beleza da Lua de Sangue. Durante meia hora fiquei imerso nas pequenas oscilações dos efeitos da sombra avermelhada da Terra sobre o nosso satélite no céu limpo até que as nuvens toldassem a Lua. Logo depois, deitei e dormi profundamente. Por meu turno, acho excelente que em vez de acidentes ou fatos escabrosos, as pessoas voltassem seu olhos e registrassem mais vezes os fenômenos do Universo e da Natureza da qual fazemos parte de maneira quase desprezível, mas o suficiente para estarmos destruindo um planeta inteiro com a nossa sanha inescrupulosa…

* Texto de Maio de 2022, mas que serviria para qualquer época.

Projeto Fotográfico 6 On 6 / Paleta Urbana

Originalmente, paleta designa a peça de madeira ou louça, geralmente oval, com um orifício para enfiar o polegar, onde os pintores põem e misturam as tintas. Mas com o tempo, devido ao fato de haver sobreposições de tintas, passou a designar justamente gradações de cores percebidos em objetos, paisagens, pinturas e ideias que, convenhamos, são tão variadas e díspares que observamos que há pensamentos que vão da escuridão à luz plena.

A luz é o diferencial para expressar as cores de múltiplas formas. Nossos olhos a percebemos e a interpretamos a depender do que vivenciamos, ou seja, a maneira de olhar. Muitos de nós estão mais abertos à percepção da paleta que se nos apresenta a todo instante. Basta buscar com interesse especial, para além de vermos, para enxergarmos o inusitado, o diferente, mas não apenas. Porque contemplar o óbvio nem sempre é tão fácil.

Caminhando por aí, um olhada lateral e lá está algo que destoa do cinza imperante. Este registro foi feito numa área da região central de São Paulo, entre construções mais antigas e mais recentes, mas que não deixam de ter pelo menos trinta anos de construção. Uma surpresa bem vinda mais ou menos próximo ao Ponto Zero da cidade.

Há momentos em que o meu olhar viaja carregando a mim à bordo. Luz e Sombra se misturam a formas que podem não significar nada, a não ser fruição artística. Aqui, é como se o Sol e a Lua estivessem do lado de fora da janela contribuindo para que a imagem se revele como delírio.

Queria muito que São Paulo fosse conhecida como a cidade dos grafites. As diversas linguagens artísticas nesse campo trazem sempre expressões que vão do alucinação ao realismo. O que não significa que possa brincar com o entorno para criar algo novo.

Esta cruz fica na região de Guarulhos, cidade ao lado da região norte de São Paulo. A paleta que apresenta é simbólica. Fica em frente a uma igreja, do lado de um teatro onde trabalhei em alguns eventos. Fiquei bem impressionado não apenas pelo Teatro Padre Bento, mas pelo antigo estádio e as instalações do antigo hospital construído para tratar os hansenianos. O teatro foi construído pelos próprios internos e inaugurado em 1936, no bairro Gopoúva. Já o Hospital Padre Bento, de 1931, foi um sanatório referência no tratamento da hanseníase (conhecida na época como lepra). O modo escolhido para tratar os hansenianos foi a internação compulsória, oficializada por meio de medida decretada em 1933 por Getúlio Vargas. Os pacientes eram obrigados a ficar em lugares como o Padre Bento, construídos especialmente para abrigá-los. Passaram a serem liberados de locais como esse a partir da década de 1960. A simples adoção de um medicamento, a Poliquimioterapia (PQT) passou a curar a hanseníase, interrompendo a transmissão e prevenindo deformidades. Atualmente, está disponível gratuitamente em todos os postos, centros de saúde e unidades de saúde da família.

Esta imagem eu colhi perto de casa. É uma vista lateral de uma imensa árvore que pertence ao Piscinão Guaraú, onde ficava uma antiga plantação de hortaliças do sítio de japoneses, responsáveis por vários negócios na região. Havia também uma olaria e um lago, que recebia as águas de riachos que formavam a bacia do Guaraú, que desagua no Tietê. A paleta em gradações em verde é um refresco para os meus olhos todas as vezes que volto do centro cinzento.

Esse registro é tão aleatório que nem me lembro quando ou onde o fiz. Apenas gosto dele. São reflexos produzidos ao acaso pela passagem da luz filtrada por uma janela, porta ou algum objeto pendurado ou posicionado numa mesa. Não me lembro. Mas aí está porque foi produzido num local onde moram pessoas, na cidade que moro. Urbaníssima.

Participam>

Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Roseli Pedroso – Cláudia Leonardi

Conversa Solar

Conversei com o Sol, hoje.
É comum, ao me sentir solitário,
pedir que ele reflita sobre mim
a sua luz mais amiga,
aquela que aquece, mas não queima:
a que clareia, mas não cega;
a que se afoga no crepúsculo
para ressurgir na aurora;
a que nos ensina a viver
e nos dá a dádiva de morrer.
Quando escurece e parece se ausentar,
ilumina a Lua,
como a revelar o poder da Natureza
de sempre estar presente…

Projeto Fotográfico 6 On 6 / Passos

Revolvendo o baú de fotos e fatos do Facebook, encontrei algumas das minhas passadas pelo calendário em imagens e locuções. Foi uma reportagem interessante. Dei de frente com situações das quais não me lembrava tanto. Ou quase esquecidas. Percebi que, de alguma maneira, tenho uma linha de pensamento e comportamento que tenta flagrar o que é incomum no comum dos dias. Talvez possam não ser interessantes, mas por algum motivo, muito me interessaram.

“Quem conhece a casa onde mora? A resposta parece ser óbvia, no entanto poucas pessoas dão-se a saber sobre o seu próprio corpo e de suas necessidades básicas, para além das usuais – comer, beber, dormir, excretar. Normalmente, isso só ocorre quando tentamos reparar algum dano causado por um acidente ou por nosso estilo de vida que possa gerar danos como a obesidade ou a Diabetes. Para quem quer colocar a sua casa em ordem, antes que algum mal lhe aconteça, procure um Educador Físico“. Este #TBT de 2011sobre uma foto de 2010, mostra uma pequena parte da minha turma na preparação de atividades práticas. Ao centro, dois de nossos professores. Dois anos depois, me tornaria Bacharel Em Educação Física.

Rua Santa Ephigênia, onde as antigas construções abrigam lojas de equipamentos de ponta em vários setores da tecnologia. É uma festa para os meus olhos, mas não nesse aspecto. Para mim, o que é precioso reside nas edificações… É comum aproveitar a abertura de algum portal do Tempo e viajar para o Passado. São breves instantes de percepção extrassensorial em que capturo algum momento especial, testemunho a História a acontecer em décimos de milissegundos e volto a caminhar entre carros, pessoas e luzes de LED nestes dias de 2016…”.

“A Luz foi engolida por grossas camadas de nuvens escuras, repentinamente! O calor ameno deu lugar ao frio que se projetou por nossas peles desprotegidas. O ser humano vem a perceber, nesses momentos de humor ciclotímico do tempo, que é muito frágil diante do clima, diante da Terra. Será por inveja que queremos destrui-la?” – Em 2015.

“Antes, não bastava iluminar. Em algum momento, perdemos o dom de iludir. Agora, tudo é real e feio. Trocou-se a sinceridade da imaginação pela franqueza do fato. Descobri que sou um homem passadiço em um mundo pós-moderno.” – Em 2017, no Clube União Fraterna, fundado em 1925.

“Apesar de tudo, ainda temos a Lua…” – escrevi sobre uma imagem sacada às 6h40 da manhã do dia 5 de setembro de 2012, enquanto eu esperava o ônibus para ir à faculdade. Utilizava o meu celular que, mesmo sem tantos recursos, me dava a chance de capturar o momento. Criticaram a feiura da imagem. A imagem não é feia, mas o que mostra, sim. Respondi que “esquisito que sou, primeiro vi a Lua. O entorno só se revelou depois, quando passei a imagem para o computador. A Lua é linda, limpa, mas inóspita”.

“Ontem, a caminho do evento que fizemos na região da Paulista, antes da chuvarada que se abateu sobre São Paulo, me perdia em pensamentos velozes entre os carros parados. Em dado momento, vi refletido no vidro traseiro do táxi à minha frente o céu azul carregado de nuvens que se precipitariam em água logo depois. Naquele momento, pareceu-me que adentrava em outra dimensão espelhada da nossa. Eu me lembrei de algo que escrevi quando garoto: “Quem tem miopia e imaginação, cria e crê idiocrasias…” – Em 2011

Participam:


Claudia Leonardi / Mariana GouveiaLunna Guedes / Roseli PedrosoSilvana / Suzana Martins