10 / 10 / 2025 / Luar*

Alta madrugada, mais ou menos 3h da manhã, desliguei as luzes de casa, mas estranhamente, os móveis permaneceram iluminados por uma cintilação tênue que entrava pelas janelas. Curioso, abri uma delas e vi a Lua projetando o seu brilho prateado sobre tudo. Não resisti e saí para vê-la. Como o céu estava limpo, as estrelas também podiam ser vistas a queimar quietamente no firmamento. As Três Marias permaneciam perfeitamente perfiladas uma ao lado da outra, como por todo o sempre. Lembrei de minha infância, em que tendo me mudado para a periferia, tive a oportunidade de começar a apreciá-las de “perto”. Pensei que, nesta vida de momentos fugazes, na quantidade de vezes que deixamos de voltar os nossos olhos para o eterno. Tentei registrar àquele instante. Como se pode (quase) ver, não foi da maneira que queria. Mas talvez a imagem obtida venha a calhar, por sua aparência onírica. Tudo não passa, mesmo, de um sonho…

*Texto de 2014. Hoje, a Lua continua a brilhar, mas a sua luz está obliterada pelas nuvens carregadas que despencam em forma de chuva.

22 / 09 / 2025 / A Ponte

Sobre o Tietê, em seu dia, caminha sobre a ponte
um homem alheio à cidade que incendeia.
Primeiro dia da Primavera que virá vingativa
com fortes ventos e chuva forte
derrubando certezas e árvores.
A Luz se apagará,
a Natureza revidará,
mas o homem continuará a atravessar a ponte
da insensatez…

19 / 09 / 2025 / Caminhante Do Céu

Caminho cada passo no chão,
a marcar os meus pés nas nuvens…
Ou são as nuvens que marcam a minha passagem
Desvisto os meus pés de proteção
Porque quero ser anuviado.
Mas isso não quer dizer que queira impedir da Luz brilhar.
Ao contrário,
recebo as cores decantadas pela Luz que me atravessa.
Eu me visto de água em estado gasoso
E logo mais me precipitarei em chuva calma
e abençoada.
Para matar a sede de flora e fauna
E elevar a minha alma
Ao fazer parte desse ciclo sagrado…

29 / 08 / 2025 / BEDA / Aurora

Para não dizer que não vivo
apenas de poentes,
mas também de nascentes,
retirei dos meus olhos essa aurora
que me convidava ao dia de trabalho.
Não há descaminho, não há atalho,
apenas o sentido da Luz em busca
de corpos aos quais aquecer
e iluminar a nossa direção.
Manhãs são entre todas as coisas,
as mais sãs…
Vam’bora trabalhar com o coração!
Bom dia, pessoal!