18 / 08 / 2025 / BEDA / Luz

Há dias de luz que nos ofuscam a visão
Enquanto estamos quase cegos
Sombras nos cercam como que atraídas
Para o abismo que nos tornamos
Antes, evitava pensar estando assim
Agora prefiro mergulhar em queda livre
Penetrar em profundidade no meu eu
Saborear a falta de referências sobre a vida
Beijar a possibilidade da morte na boca
Fazer amor com o obscuro e a impermanência
Num triângulo amoroso com a imortalidade
Voltar a respirar acima da superfície
Me assenhorar de mim e dizer simplesmente
Sim!

12 / 08 / 2025 / BEDA / Veio À Luz

veio à terrena luz…
foi difícil durou horas…
a porta não se abria
criaram um outro caminho
chegou chorou nos fez sorrir
dias depois novas possibilidades
novos olhares
algumas dores
o serzinho de boca pequena
desejante de vida plena
se amamenta da mama da mamãe
conexão com a existência
que será difícil árdua complicada
mas ela é voraz abocanha o mundo
profícua em imaginação luta
se desloca para o antigo mundo
caminha como se lá tivesse nascido
faz amigos sangue antigo
o mesmo que lhe traz perigos
mas não deixa de alcançar abrigos
leoa na estepe do viver
se recusa a morrer
mas se isso acontecer
não deixará de a si mesmo vencer
em conversa com as luzes
percebeu que estará em paz com seu novo corpo
de frequências fugazes
sem consistência e espessura
apenas alma pura
viajante pelo universo
finalmente liberta e aberta
para a Vida desperta…

09 / 06 / 2025 / Amor Amado

Eu a amo… 
Amor não correspondido. 
Prefiro assim. 
Tem maior valor o meu Amar… 

Eu o tenho como tão precioso, 
que não quero vê-lo exposto, 
devassado por outros olhos  
que não os meus,  
no espelho de minh’Alma… 

Sei de sua Força
de sua Chama
que me chama para perto de sua Luz
ainda que me distancie do Sol…  

Caminho por estrada de mão única. 
Não me importo que vá … 
Querer Você e não a ter,  
me faz completo. 

Paciente, fico à espera  
que o Vento me disperse,  
que o Tempo peça  
que de si me despeça,  
Amado Amor… 

31 / 05 / 2025 / Vandos*

Saio debaixo de chuva para cumprir compromissos inadiáveis. Desço a rua, transformada em depositária de pequenos riachos surgidos por obstáculos e irregularidades do asfalto. Chego ao lugar onde deveria estar o poste do ponto de ônibus, que se encontra “despontado”. Pergunto a um sujeito que se protege debaixo da marquise de uma loja se ali seria a parada de ônibus. Ele responde que sim. Indica o poste caído junto ao meio-fio e com certo ar de desdém, completa: “‘Foi os ‘vandos’…”. Imediatamente, começo a sentir saudade do tempo em que os Vandos apenas cantavam: “Você é luz…”.

*Texto de 2017. Na representação acima, uma uma possível imagem dos Vândalos, um dos povos bárbaros de origem germânica, invasores do Império Romano. Nesse sentido, “vândalo” passou a designar truculência e, vandalismo, é um termo usado até hoje para nomear depredação ou destruição de qualquer ordem.

24 / 05 / 2025 / Coqueiros-Lua

Imagem de 2015

A Lua entre coqueiros.
Desta vez, os meus olhos carnais saíram ganhando,
pois puderam apreciar uma imagem mais nítida e evocativa.
Porém, comigo, os olhos da mente também têm vez…
Os três banhados de beleza luminar e placidez.


Tínhamos um belo coqueiro no quintal, visitado por abelhas, maritacas e outros pássaros que, além de nós, se deliciavam com os seus coquinhos amarelinhos, quando maduros Seus cachos viviam carregados, até que um dia… uma senhora, a nos visitar, lançou um olhar indeterminado e exclamou: “Que lindo!”. Na semana seguinte, de forma avassaladora, ele começou a definhar e secou. Tivemos que cortá-lo, já que ficou irrecuperável! Abaixo, podemos ver dois pedaços cortados, que conservamos como lembrança de sua bela existência. 

Imagem de 2012