Está foto do menino foi tirada aos 13 anos. Porém, o seu sentimento permanecia o mesmo…
Conheci um menino que, por volta dos oito ou nove anos, recebeu a informação, por coleguinhas mais velhos, que a maneira mais comum de fazer amor com uma mulher, seria frente a frente. A principal preocupação do menino passou a consistir no fato de que teria que fazer algo tão íntimo olhando nos olhos da pessoa que viesse a namorar.
Aquela possível futura situação realmente o deixou estarrecido. Percebeu que não teria condições psicológicas de realizar aquela proeza. Seria tão fácil, pensou, se fosse apenas como os cachorros fazem, que era o modo que conhecia, pelo que via nas ruas…
Aliás, olhar nos olhos de outra pessoa era a coisa mais difícil de sua vida. Como igualmente enrubescia com a ideia de que alguém estivesse o observando. Tentou sempre ficar nos fundos ou nos cantos das salas de aula que frequentou. Essa atitude o favoreceu como um observador dos movimentos humanos e passou a sentir prazer em desenvolver esse talento materializando-o no papel. Tentava passar despercebido de todos, mas cedo percebeu que algumas de suas habilidades, passava a posicioná-lo no centro das atenções. Logo, passou a disfarçá-las, para melhor se esconder.
Lidar com as meninas, então, era o pior dos mundos. Elas o fascinavam ao mesmo tempo em que o deixavam paralisado. Gostava tanto delas, que preferia colocá-las na segurança de um pedestal, idealizadas como modelos de perfeição. O menino lembrou-se de quando começou a se apaixonar, à mesma época da descoberta sobre o intercurso frontal entre as espécies.
Primeiro, se apaixonou pela menina mais bonita da escola, depois pela mais desengonçada que, no entanto, gostava de seu melhor amigo. Aliviado por não ser o alvo daquela paixão, serviu alegremente de pombo-correio entre os dois. Mais um pouco, percebia que dava preferência às meninas comprometidas. Isso, o impedia de vir a querer se aproximar delas com intenções amorosas, já que seguia a rígida etiqueta da amizade entre os homens – “poderá até cobiçar a namoradinha do próximo, mas nunca deverá convidá-la para sair”.
No decorrer dos anos, o menino que conheci conseguiu, paulatinamente, mas com muito esforço e sofrimento, superar a sua mórbida timidez. Casou, teve filhas, mas apesar disso, nunca chegou a entender inteiramente as mulheres, mesmo as tendo constantemente por perto. Ou até por isso mesmo… Em suma, elas continuavam a fasciná-lo enormemente.
Se ele me pedisse um aconselhamento e se ele não estivesse tão longe no tempo, pediria covardemente que nunca se aproximasse das meninas, nunca se envolvesse emocionalmente, nunca se apaixonasse por elas. Porém, advertiria também que ele perderia o melhor da viagem. Os altos e baixos do relevo, as curvas perigosas da estrada e a paisagem sempre inesperada. Diria ainda que podemos morrer por elas, no entanto é por elas que devemos viver.
Eu convivo com mulheres maduras de todas as idades. As mulheres que ostentam números menores nos “RGs”, nunca menor que milhões, passaram por tantas fases internas e externas, sentiram tantas emoções, vivenciaram amores e desamores, sofreram decepções, sangraram decalitros de sangue, perceberam o mundo a doer no centro de sua barriga em tantas cólicas, que simplesmente poderiam deitar e declarar aos quatros ventos: “Não quero mais nada disso!”…No entanto, levantam a cada manhã a desejarem ser felizes. Querem mudar o mundo ou o cabelo; fundarem uma nova empresa ou iniciarem uma nova empreitada; comprarem sapatos ou carros novos; carregarem novos sonhos em bolsas novas; colocarem aquele vestido que fará o seu amor exclamar “Uau!”; chamarem a atenção de um possível novo amor, causar admiração ou apenas se sentirem bem. O amor que carregam dentro de si querem fazer valer a pena. Querem pagar todas as penas, se preciso for, para vivê-lo…
Pobre dos homens que não as valorizam. O quanto perdem por não poderem conhecer novos universos tão próximos de si. Garotos que um dia quiseram ser navegadores, astronautas ou mergulhadores, não se atinam que poderiam viajar para tantas realidades alternativas apenas se desligassem de seus umbigos para alcançar mundos inexplorados ao alcance das suas mãos, acionado os quase trinta sentidos que existem. Sei que, pelo menos as mulheres, os tem…
Homens, para o nosso bem, amem as mulheres maduras. Não precisam “tê-las”, porém as “tenham”, se forem “suas”, porque elas querem se sentir pertencidas, também. Só temos a ganhar em vida e substância se, mesmo por um tempo em nossas vidas, descobrirmos essas estranhas realidades a se imiscuírem em nossas parcas realidades…
Talvez alguns de vocês tenham percebido que eu tenha terminado cada parágrafo com reticências… – palavra que só se escreve no plural. Mulheres maduras são como reticências, para mim. Deixam no ar a ideia de continuidade sem muita explicação, porque carregam inúmeras delas… Como rastros de perfumes pessoais que semeiam, os quais nós, homens e meninos, não sabemos quantificar, mas que os nossos corpos acolhem em saraivadas de poderosas sensações inomináveis a nos fecundar a terra…