cabeça ombro joelho e pé
joelho e pé
olhos ouvidos boca e nariz
cabeça ombro joelho e pé
crescemos brincamos partes do corpo
se nos são retiradas um a um
e recolocadas pouco a pouco
seres humanos descremos
crescidos decrescemos
nossa consciência corporal de estarmos bem
nos recusam viver
nos acusam pelo prazer
são contra as leis contra o coração
desde sempre retirado de nosso peito
modelos feito bonecos sem emoção
de integridade desintegrada finalmente
jogados no meio da calçada
como objetos descartados lixo último nicho
sem cabeça para ficar…
sem pés para onde ir…
Etiqueta: OBJETO
Décio*

Quando vejo qualquer imagem, ouço qualquer palavra, experimento qualquer sabor, cheiro qualquer olor ou aprisiono em minhas mãos qualquer objeto, desenho na parede da minha imaginação a linha reta que desvirtua a realidade, aperfeiçoando-a. Traço o meu caminho colocando cada pedra devidamente plana em direção ao abismo. Homenageio o poeta que não sou e não serei, erijo a porta que não ultrapassarei. Existo e hesito em reconhecê-lo.
No entanto, a expressão do que sinto insiste em se fazer presente, mesmo que seja o sol da manhã emparedado. Esta é a minha singela homenagem a Décio Pignatari, que ajudou a despertar em mim, com a sua obra, o gosto pela brincadeira de escrever.
* Dos tempos que não acreditava ser escritor.
