BEDA / Scenarium / Carta À Cecília, Mulher Do Olhar Marinho

Cecília

Eu, menino, apaixonado por mulheres, entrei em contato com os seus olhos claros através da revista “O Cruzeiro”, versando sobre seu percurso de escritora. À época, você já havia fechado seu olhar marinho para o mundo, quando eu contava ainda três anos de idade. A foto era em preto e branco, portanto não tinha como saber que fossem azuis-esverdeados, como testemunham que fossem. Não duvido que a depender da luz que incidisse sobre eles, outras cores se somassem – todas as possíveis do arco-íris. Se chegou a vê-los vazios, talvez os revelasse por espelho comum dos dias mais amargos, do coração que não se mostra.

Mulher de valor ímpar, imagino que achasse graça em ver sua face gravada em notas de 100 Cruzeiros, ao tempo de planos econômicos que a transformaram em Cruzados, depois, em Cruzados Novos e, novamente, em Cruzeiros, no processo de desvalorização contínua da nossa economia, até vir se tornar definitivamente item de colecionador de numismática, ciência-irmã das coisas fugidias. Sua obra literária, no entanto, só cresceu em apreciação e relevância, minha cara poeta. Palavras que ultrapassaram as fronteiras da vida comum e da morte física, para estampar a cara da nossa alma. Sua fala poética não emudecerá, jamais.

Confesso que enquanto você falava de Isabéis, Dorotéias e Heliodoras, eu a confundia com Lygia e Clarice, irmãs na língua e na literatura. Leve dislexia de quem foi dado a ler as três quase ao mesmo tempo. Eu, fascinado, tentava decifrar a mulher ainda garoto e me perdi no emaranhado dos pensamentos-sentimentos-emoções humanos mais profundos – perdição da minha vida. Foi-me dado a conhecer que a mulher apresenta fases como a Lua, que ela se pertence antes de eu querer que pertença a mim e, se ou quando ela viesse a me querer, talvez eu não esteja presente para possuí-la. Desde então a soube fugidia-errante – no céu, na rua.

Sobrevivente entre quatro irmãos, filha da esperança e da melancolia de interminável fuso, amou, foi e é amada, por companheiros e leitores. Que soube que o dia se faz, ainda que o sol estivesse encoberto. Que, de modos rebeldes, tornou-se prisioneira do amor por lutar pela liberdade de viver, nem alegre e nem triste, mas poeta. Que desmoronou e edificou a eternidade – não passou, ficou. A você, Cecília, toda a minha admiração por ter vivido pela palavra e ter aprendido com a inconstância das primaveras a deixar-se cortar e a voltar sempre inteira – desejo de todo o ser.

In: Missivas De Agosto – https://scenariumplural.wordpress.com/2019/08/14/carta-a-cecilia-mulher-do-olhar-marinho/

BEDA / O Olhar De Minha Mãe

O OLHAR
O olhar de Dona Madalena

Em Maio de 2014, ao querer prestar uma homenagem escrita ao vigésimo-quinto aniversário de casamento entre mim e a Tânia, postei para ilustrá-la uma foto que coloquei na capa da minha página do Facebook. Nela, estão ao meu lado, em sequência: minha mãe, Maria Madalena e meu pai, Odulio. Ao lado da Tânia, está o seu pai, Seu Manoel, o “Neneco” e, logo em seguida, sua mãe, Dona Floripes. Não sei se há uma etiqueta referente ao posicionamento de pais e noivos, mas a minha neurose obsessiva compulsiva – se bem que leve – fez com que eu cismasse com a disposição trocada de nossos pais e nós. Porém, algo mais me inquietava nessa foto – o olhar de minha mãe em minha direção. E sobre esse olhar, comecei a especular.

Era evidente a alegria dela ao ver ali seu filho perfilado de branco ao lado da noiva, de rosa. Para além daquela clara satisfação, comecei a mergulhar na memória para tentar pinçar todos os motivos para que ela visse, naquele momento específico, a culminação de um desejo que apenas em sua imaginação poderia alcançar. A partir dos doze anos, fui me tornando um garoto difícil de lhe dar. Não no sentido usual – eu não causava preocupação quanto ao meu comportamento fora de casa. Não me envolvia com os garotos complicados da Periferia. A preocupação maior era justamente inversa a toda mãe: em vez de me ver envolvido com a molecagem, era árdua a tarefa de me arrancar da caverna na qual passava a maior parte do meu dia, antes e depois da escola. O máximo de ousadia que me permitia era ter pendurado, em uma das paredes, um cartaz achado no lixo, do álbum de Elton John lançado em 1975 – “Captain Fantastic And The Brown Dirt Cowboy”.

Em determinada época, mesmo míope, gostava muito de jogar bola. O perigo que poderia correr advinha das partidas de futebol disputadas em campos de várzea – “os contras” – que acirrados, vez ou outra, acabavam em alguma confusão. Em minha caverna, lia, ouvia rádio e escrevia. Extasiado com as religiões orientalistas, a partir dos dezesseis ou dezessete anos, me tornei vegetariano e desenvolvi a fixação em agir como um monge sem hábito até que, depois dos vinte, acalentei a perspectiva de me tornar um frei franciscano. Fico a imaginar o quanto deve ter se sentido apertado o coração de Dona Madalena ao perceber que não seria avó por meu intermédio. Seu primogênito parecia estar abrindo mão de sê-lo, permanentemente. O meu pai, então, nem se fala. Já afastado de casa naquele momento, desde os meus dezoito anos, quando comecei a usar brincos, duvidava da minha masculinidade, temor acrescido por meu renitente afastamento das mulheres que, francamente, me metiam medo.

Durante uns dois anos, frequentei mais assiduamente a Igreja Católica e tinhas reuniões com o Frei Ricardo, da minha paróquia e o Frei Luiz, do Mosteiro do Largo de São Francisco, que então me orientavam. Cheguei a conhecer o Seminário de Agudos, após o que, confrontado com a possibilidade de ter que esperar mais um ano para iniciar os estudos seminaristas, decidi voltar as minhas energias para o desafio de conhecer a vida comum. O impulso final foi dado por influência de uma maquete feita por um aluno do Seminário, o qual mostrava os vários caminhos para Deus. Nele, se apresentava, entre algumas opções, a formação de uma família.

Dado esse sinal, como rito de passagem tingi o meu cabelo de louro. Fui trabalhar como “roadie” e técnico de iluminação da Banda Charm em um Carnaval no Guarujá, onde logo comecei a me soltar com as meninas, cometendo a suprema ousadia de conversar com algumas delas e até de anotar o telefone de uma simpática moça. Que acabei por esquecer em um canto do palco, enquanto desmontava o equipamento da banda. Não sei o que passou pela mente da minha mãe com essa nova virada. Certamente, havia percebido o quanto eu estava confuso, mas sei que também nunca havia perdido a fé no filho.

Apesar de me sentir inapto para a vida material, ela vivia a repetir que eu era uma boa pessoa, um cara inteligente e que talvez, com a ajuda da mulher certa, conseguisse encontrar o meu caminho. Nesse momento, surgiu a Tânia, “trazida para mim” por minha prima Vanir, que veio à trabalho morar com ela em São Paulo, diretamente do interior do Rio. É bem possível que aquele olhar específico da Dona Madalena, captado pela foto que paralisou no tempo a sua carga emocional, representasse a conclusão daquele capítulo e a boa perspectiva do início de outro, com os grandes desafios inerentes à condição do homem casado que me tornara e de pai, que acabei por me tornar. E, desde sempre, percebo que tem sido o luminoso olhar da minha mãe a me conduzir até aqui e agora, ainda que esteja ausente fisicamente desde 2010…

BEDA / Olhos Menores

Olhos Menores

Apaixonado pelas mulheres, o corpo feminino, muito mais interessante em volumes, formas e detalhes que o masculino, sempre me causaram intensa impressão. Muito tímido, apenas furtivamente os observava mais de perto, já que não conseguia me aproximar de uma moça o suficiente para explorar o que mais me atraia em sua fisionomia – os olhos.

Devido a isso, buscava na segurança das revistas que tinha acesso às imagens de mulheres em poses que supostamente deveriam ser atrativas. Não deixava de percorrer as linhas sinuosas de pés, pernas, ancas e seios… até chegar aos olhos. Se as modelos ou atrizes estivessem vestidas, a intenção (descobri cedo) era estimular a descoberta do que guardava ou adivinhar ilusões do que poderiam ser. E os olhos, normalmente expostos, conseguiam expressar mais do que muitos pretendiam. Isso, quando a maquiagem excessiva não estragava a minha excursão… ou seria incursão?

Nos anos 80, assim como nos 50, as sobrancelhas mais grossas se tornaram a moldura perfeita que, aliada à ebulição dos meus 20 anos, me trouxeram descobertas inestimáveis. Sei que, ao posar, a intenção do olhar seria vender um produto, um sonho, uma ilusão, embalado pela emoção que se tentava passar. Porém, a maestria com que algumas mulheres realizavam essa missão me conduziam à lugares jamais antes visitados… Antes ou depois… Mais velho, talvez tenha vindo a perder aos poucos a capacidade de me perder nos olhos de uma mulher através da imagem.

Outro dia, em um dos Cafés que frequento eventualmente, reencontrei uns olhos do passado. Uma atriz famosa que continuava com o aspecto socialmente aceitável de bela mulher parou à minha frente ao ver o seu caminho obstruído por mim. Eu a reconheci e, inadvertidamente, procurei os seus olhos e os surpreendi menores do que me lembrava por fotos, filmes ou novelas. Pode ser que nunca tenham sido tão imensos, mas os grandes olhos cor de céu pareciam apequenados por processos estéticos que rejuvenesciam a sua face, mas que diminuíam a beleza intangível do oceano que me fez navegar quando moço… Duas visões – passado e presente – imagens em movimento e fixas, quando a vida era mais vibrante porque o meu olhar era virgem…

BEDA / O Beijo

B-BEIJO

Reginaldo era discreto. Desde a inauguração, o homem de sorriso franco prestava serviços de todas as ordens naquele sítio voltado a eventos, a maior parte, casamentos. Além do salão principal, o local contava com várias dependências bem montadas, ao qual se podia perceber o capricho de um bom decorador. Poucos sabiam que eram pelas mãos do zeloso Reginaldo, que levava adiante os projetos que ele mesmo desenvolvia, que se devia aquele toque especial. Sabendo de seu valor, o proprietário lhe pagava um bom salário, o que não se suspeitaria diante de sua singeleza normalmente muda.

Um dos lugares que ele mais gostava de cuidar era o espaço onde as cerimônias se realizavam, a imitar uma igreja sem paredes laterais, com um altar natural bastante bonito. Depois de terminadas as cerimônias, enquanto os noivos e os convidados se dirigiam ao salão de festas, ele começava a operação de limpeza para tornar novamente apresentável aquele templo de união. Não era incomum que os fotógrafos aproveitassem a beleza daquele recanto como fundo de suas produções. Pequenas cascatas, plantas inusitadas, mas eficientes em causar um bom efeito, a ponte de detalhes mínimos por sobre o pequeno lago artificial de carpas coloridas – nada escapava ao seu olhar minucioso.

Esse aguçado senso de observação, o permitiu localizar uma correntinha dourada com um pequeno coração na ponta, jogada entre uma cadeira e a lateral da passarela central rumo ao altar. Reginaldo a apanhou, a guardou no bolso e continuou a sua faina. Depois de encerrado o trabalho, se dirigiu ao gerente e a entregou. Este, fez anunciar o objeto perdido para os presentes, na voz do cantor da banda. Logo, surgiu a dona da correntinha, uma emocionada e nada menos que belíssima moça vestida com um longo azul. O cantor, mestre em cantar e em cantadas, bastante desenvolto e simpático, ganhou um efusivo abraço daquele silfidico ser. Para aproveitar a inesperada proximidade daquela que ele já havia percebido, tentou ganhar maior intimidade, porém ela, que até então desfilava feito uma fada que não tocava o chão, chamando a atenção de todos, correu do palco alegre como uma menina de rua de pés descalços.

Passada a explosiva emoção, Raina (esse era o seu nome), se dirigiu ao gerente e perguntou quem havia encontrado o dourado objeto adorado. Informou que fora Reginaldo. Disse que gostaria de agradecer pessoalmente e perguntou onde poderia encontrá-lo. Apesar do gerente dizer que não haveria necessidade daquele gesto formal, que ele mesmo passaria o seu agradecimento, Raina insistiu e lhe foi indicado o local onde provavelmente localizaria o bem-feitor.

Reginaldo foi encontrado por ela ajoelhado junto ao pequeno lago de carpas e lhe deu a impressão que ele conversava com os peixes. A luz difusa do local conferia certo aspecto mitológico ao encarregado e sua pele morena parecia brilhar, talvez sob o efeito da água clara de fundo azul do pequeno lago. Ao vê-la, sorriu ao perceber a correntinha no pescoço de alabastro da moça muito branca, quase diáfana.
O senhor é o Seu Reginaldo?
Sim! Tudo bem? Algum problema?
Não! Nenhum! Vim lhe agradecer por ter encontrado a minha correntinha!
Que é isso? Por nada! Não precisava…
— Faço questão, Seu Reginaldo! Essa correntinha é muito importante para mim! Eu a ganhei da minha madrinha quando pequena. Eu a chamo de “Meu Coração”!
Dá para perceber que o seu coração é, realmente, dourado, Senhorita…
… Raina! O meu nome é Raina… – Completou, tocada pela forma como lhe foi lançada aquelas palavras, muito naturalmente, por parte daquele senhor… ou rapaz… Estava a pensar que não saberia precisar a idade do homem à sua frente. Aliás , desde que o encontrou, pareceu que ele a conduzia do sítio para outro lugar, sem referências…
Obrigado, Senhorita Raina! Foi muito gentil de sua parte…

Até a maneira que Reginaldo se expressava parecia ser de outra época. Essa sensação de deslocamento, talvez auxiliada pela bebida que havia ingerido, a deixou um pouco tonta. Quase a cair, foi segurada firmemente pelo homem. Naquele momento passou pela cabeça de Raina que o melhor agradecimento que poderia conferir ao empregado do Recanto Encantado seria um beijo. Ao aproximar a sua boca da de Reginaldo, pode olhar nos seus olhos. E viajou… Quando colou os seus lábios aos dele, sentiu penetrar em seu céu a língua quente e úmida de alguém que sabia o que fazia. Para além do sentimento de transmutação, circunavegou pelo céu da boca, a falar outras línguas. O prazer que sentiu a fez quase desmaiar. Sem saber contar quanto tempo se passou, conseguiu abrir os olhos e lutando consigo mesma, se desvencilhou dos braços daquele mago. Saiu correndo em direção ao salão de festas.

Aquele dia foi o do casamento de sua prima e do término do namoro com Ricardo, ainda que fosse ela a agarrar o buquê jogado pela noiva. Ninguém soube exatamente a razão da súbita ruptura. Todos contavam com o enlace futuro daquele casal cinematográfico – a bela sensível, de boa família e o ás dos negócios – que tinha tudo para ser o acontecimento do ano. Dizem que ela tem um amor secreto… Inquirida pelas amigas, mesmo as mais íntimas, apenas sorri e os seus olhos parecem se transportar para outro plano…

Projeto Fotográfico 6 On 6 / Dezembro Em Preto & Branco

Dezembro… luz do sol… calor… mês de festas… Preto no branco, quase não há o que comemorar, a não ser termos sobrevividos a um ano tão doloroso quanto um ferimento à faca. Em tempos em que cada termo ou imagem passa pelo escrutínio ideológico, essa metáfora, por mais inocente que pareça, indicaria pendores aleivosos. Pelo sim, pelo não, não precisa ser faca, então. Vamos dizer que tenha sido tão doloroso quanto o espancamento de um ser inocente com barra de ferro apenas para não tê-lo por perto. Este ano se encerra com dúvidas e incredulidade muito maiores do que quando começou. Fiz previsões para este ano da graça de Vinte Dezoito. Foram publicadas em uma das Revistas da Scenarium Plural – Livros Artesanais. Eu as reproduzirei aqui, até o seu final. Errei muito. Não queria acertar o que acertei.

Por hora, resta aludir às imagens em P&B – tema desta edição do “Projeto Fotográfico 6 On 6” – que consiste em postar seis imagens comentadas publicadas no sexto dia de cada mês, por autores convidados por Lunna Guedes. As fotos em preto e branco são, para mim, estranhamente mais atraentes que as coloridas. Talvez, uma influência direta do fato de ter assistido meus programas favoritos em TVs P&B até meados de 1982, quando minha mãe juntou o dinheiro que tinha e que não tinha para comprar uma TV Colorida para assistirmos a Copa da Espanha.

6 On 6 - P&B

Ao passar pelo Museu da Diversidade, instalado na Estação República do Metrô de São Paulo, encontrei essas palavras em um dos vários quadros com dizeres espalhados pela parede externa do pequeno e expressivo espaço de resistência da liberdade de ser. Traduz de forma exemplar como somos manipulados para viver por padrões que engessam nossa expressão humana. E como nossos sentidos – físicos e infra-ultra-físicos – se entregam à estereótipos confortáveis e padronizados para interpretar o mundo que nos rodeia.

6 On ¨- P&B (Devaneio)

A luz do sol inclinada na hora do crepúsculo, banha o vale e sua casas. Entre elas, a minha, que se sente calorosamente atravessada. Como o personagem de “Beleza Americana”, que assiste o passeio de um saco plástico ao sabor do vento, eu me perco em devaneios para formar imagens que se diluem em linhas costuradas pela imaginação. O registro fotográfico apenas arranha na superfície a viagem para o tudo ou nada do que vislumbro…

6 On 6 - P&B (Escuridão)

A imagem acima é um atestado do que coloquei acima, sobre preferir tons mais sombreados em contraste com a brancura dos corpos. Neste caso, de cravos vermelhos. O que eventualmente tenha se perdido em cor, ganhou em consistência – peso seria uma boa palavra – quase como se as delicadas pétalas fossem revestidas de ferro.

6 On 6 - P&B (Chuva Na Marginal)

Normalmente, voltamos de madrugada – eu, meu irmão e nosso auxiliar – dos eventos em trabalhamos na produção com nosso equipamento de som e luz – esta, idealmente colorida. Dia desses, quando choveu tanto em São Paulo que vários trechos da Marginal foram alagadas com as águas do Tietê, passamos transversalmente, a salvo por pontes do Corredor Norte-Sul. Registrei esta ilustração noturna que logo se configurou, como caçador de imagens, em uma das minhas favoritas desde sempre.

6 On 6 - PB (Portal)

Este portão de uma residência aparentemente abandonada é quase um portal do tempo. Não posso ver construções como essa sem reconstruí-las como à época de seus esplendores funcionais. Esta, acima, se localiza no início da Francisco Matarazzo e não duvido que tenha feito parte do patrimônio do próprio Comendador, como quase tudo no vale que a avenida que carrega seu nome, percorre. Esse portal dá entrada a uma pequena vila bastante descaracterizada, com linhas mais retas-modernas-pobres do que as belas-esféricas-sinuosas do passado. As primeiras, preferi cortar da foto.

6 On 6 - P&B (Idades)

De início, não via vinculação entre as duas imagens que estão expostas lado a lado. No entanto, a primeira, originalmente em P&B, representa um auto-retrato sem tanto apuro técnico, pois desenhava bem espaçadamente naquela época, ao contrário de anos antes, quando cheguei a me imaginar desenhista e até, pintor. Nada impede que possa me tornar um, algum tempo adiante. A segunda, devido à falta de luz, sombreou naturalmente. Contribuí com um pouco mais de escuridão. No desenho, o queixo é menos largo e o nariz menor do que se tornaram. O rosto, mais preenchido em suas linhas. O olhar, é de espanto. Espanto que carrego até hoje, talvez com os olhos espremidos de quem pensa demais. Além do que relacionei em comum, nos dois registros, uso óculos. Ao contrário do que diz a música, eu nasci de óculos, ainda que tenha começado a usá-los apenas a partir dos 12 anos…

Participam desse projeto:
Ana Claudia Anália BossClaudia LeonardiFernanda AkemiLuana de SousaLunna Guedes Mari de CastroMariana Gouveia Maria Vitória  Isabelle Brum