Naquele momento, olhos nos olhos, nós nos surpreendemos amantes… Flor de lótus…
Corpos isolados que se fundem, tão unidos, que se confundem… Busca do âmago do outro em si, espraiando-se em fluídos…
Em um átimo, o mundo todo se aparta… nos devoramos e nos regurgitamos em um parto, com dor e prazer…
Para cada dia dos namorados inventado, existe aquele tempo verdadeiro em que tudo acontece em um instante… Que se faz presente para todo o sempre, amém!
Frida fala pelos olhos… Nasceu ressabiada de gestos bruscos, como se trouxesse abusos de vidas passadas… Passou a se aproximar aos poucos, a vencer a timidez, a se colocar embaixo de mesas, em cantos de sofás, junto aos nossos pés… Hoje, perdeu de vez as travas… Sentiu o frio chegar e arranhou a porta para entrar… Frida, outrora calada, vive agora a deitar falas com o seu olhar…
*Poema de 2016, para Frida, que nos deixou logo depois, pela veleidade de um motociclista que corria a 100Km/h em uma rua de bairro.
Noite de calor, manhã morna Dormimos sem tirarmos os nossos fluidos Os seus do meu, os meus do seu corpo Acordo para a labuta E antes de sair percorro os meus olhos Pela pele que lhe recobre Tento compreender a magia que faz Com que me traga tantos e imensos prazeres Mesmo depois de tantos anos a percorrê-la Com a minha boca, mãos e pontas dos dedos A penetrá-la com a minha impetuosidade Saio do quarto sem beijá-la, sem tocá-la Quase fujo Para cumprir os compromissos do dia…
Junho de juras de amor e muita lenha para queimar… O que aquece a alma é o calor do corpo abraçado, o desejo de respirar-cheirar a pele incensada pelos pelos eriçados, a boca molhada de essências… Mas que se conheça os olhos… Sexo sem história é como teta sem coração, clitóris sem vibração, pênis sem pulsação, beijo sem memória, gozo sem emoção…