Sábado, dia 12 de março de 2016. Passo às 6h50 da manhã por trás da igreja. No interior, ouvi dizer que atrás da igreja acontecia coisas bastante interessantes. Nesta manhã, o centro da cidade parecia tranquilo. Nada de muito instigante sucedia. Os ônibus faziam os seus itinerários. Uma pombinha dormia no alto do poste de luz; um senhor caminhava desde a banca de jornais; um carroceiro e catador de recicláveis, que é a sua própria mula, cumpria a sua faina diária… Além do horário, o relógio de rua anunciava a exposição “Aprendendo Com Dorival Caymmi — Civilização Praieira“, no Instituto Tomie Ohtake. Nasci no planalto, mas a minha alma é praieira. Vou tentar vê-la…
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31 / 05 / 2025 / Vandos*
Saio debaixo de chuva para cumprir compromissos inadiáveis. Desço a rua, transformada em depositária de pequenos riachos surgidos por obstáculos e irregularidades do asfalto. Chego ao lugar onde deveria estar o poste do ponto de ônibus, que se encontra “despontado”. Pergunto a um sujeito que se protege debaixo da marquise de uma loja se ali seria a parada de ônibus. Ele responde que sim. Indica o poste caído junto ao meio-fio e com certo ar de desdém, completa: “‘Foi os ‘vandos’…”. Imediatamente, começo a sentir saudade do tempo em que os Vandos apenas cantavam: “Você é luz…”.
*Texto de 2017. Na representação acima, uma uma possível imagem dos Vândalos, um dos povos bárbaros de origem germânica, invasores do Império Romano. Nesse sentido, “vândalo” passou a designar truculência e, vandalismo, é um termo usado até hoje para nomear depredação ou destruição de qualquer ordem.

