O Sol é indiferente à nossa sorte. De certo, quando envelhecer mais uns 6,5 bilhões de anos, se expandirá a ponto de engolir todos os planetas que o circundam. Mas não se preocupem, terráqueos! Nós, seres humanos, mataremos Gaia antes do próximo bilhão de anos, quando a vida em nossa superfície ficará impossível de continuar pela expansão de sua luminosidade, a não ser em suas formas mais simples. Nestes tempos de seres pandêmicos, mentiras virais tidas como reais e vírus, apenas sobrevivemos…
Há pelo menos 30 anos, após o nascimento da minha primeira filha, consegui empreender o desejo de viver um dia de cada vez. Entendi que cada dia poderia ser o último e que não deveria ficar tão preso ao passado, apesar das cicatrizes coçarem vez ou outra. E nem esperar que o futuro simplesmente ocorresse naturalmente com a passagem inexorável do tempo. Compreendi que o futuro se faz principalmente no presente. Sem prescindir de planejamento, percebi que o imponderável também tem o seu lugar e que devemos estar preparados para o inesperado. Quando ocorrer o que não estava programado, imediatamente aplicar um plano B. O interessante é que estou quase sempre pronto para as coisas ruins, mas nem sempre para as boas. Eu tinha planejado ter um dia totalmente diferente, de atividade contínua. Porém, algo escapou ao controle (nunca conseguimos controlar tudo, aliás, nem devemos) e ganhei uma folga nesta imensa folga de mais de um ano de Pandemia (alguém além do Barack Obama a esperava?). A moça do tempo anunciou um dia nublado e eis que o sol se fez. Inesperado, apesar de bem vindo, nem sabia o que fazer. Agora mesmo, sairei para uma caminhada à esmo, como tenho feito neste primeiro semestre. Conversarei com a luz. Seguirei por caminhos abertos e sem aglomeração. Ruas vazias de Sol inclinado a alongarem sombras de gentes e árvores. ‘Bora lá!
Outono de 2021, no outono de minha vida. Mas ainda que as minhas folhas caiam, ainda posso dizer que espero ultrapassar o Inverno e alcançar a Primavera, mais uma vez. O que não será mais possível para centenas de milhares de pessoas neste País que nega direito à vida. O pior é que haja tantos palhaços que prefiram ver o circo pegar fogo, quando não são eles mesmos a acender o fósforo. O que realmente espero, além de sobreviver é que, nada mais, nada menos, venham a perceber o mal que ajudaram a propagar e sofram o pior dos arrependimentos…
*Texto de 2021, quando a Pandemia de Covid–19 fazia vítimas em série. Época fúnebre, demonstrou como os serials killers agem muitas vez à luz do dia, à vista de todos, mas sendo registrado e propagado como fatalidades.
Há dois anos, postei imagens de um #TBT de *2020, quando fiquei “preso” na nossa casa da Praia Grande. Foi decretado o fechamento das estradas como as que a ligavam para São Paulo. Esse período de isolamento só não foi ideal porque o acesso às areias e o mar foi também interditado. Uma medida radical, visto que ainda não havíamos entendido completamente os efeitos do vírus, tão misterioso quanto letal. As praias foram retomadas por pássaros como gaivotas, garças e gaviões. Pude observar essa dinâmica durante as minhas caminhadas ou deslocamentos por bicicleta. Os pombos, muitos espertos, perceberam que não havia mais à disposição os restos alimentares dos seres humanos e migraram para o lado das moradias, continente adentro onde, como na minha casa, tinham a ração à disposição dos cães para se alimentarem. Por elas, era acordado pelo alvoroço ruidoso que faziam ao invadirem o comedouro do Fred e Marley, que passavam presos dentro de casa (se não o fizesse, a casa acordaria de pernas para o ar) às 6h da manhã, quando as minhas despertadoras entravam em ação. Para quem crê que os efeitos do que aconteceu há dois anos deixaram de repercutir na vida social, é só observar a baixa vacinação contra a Dengue entre crianças. Muitos dos pais embarcaram na ideia negacionista quanto aos avanços científicos. Para se ver que os vírus de várias cepas atacam de morte a estrutura social.
#TBT de dois antes, em 2020, pleno início da Pandemia de Covid-19 e dos pesadelos do negacionismo, desassistência institucional do Governo Federal e da mortandade que crescia em proporção assustadora. O sorriso da primeira foto escondia o temor da exposição a um vírus desconhecido que matou, até o final do ano passado, antes do advento da variante Ômicron, cerca de 6 milhões de pessoas no mundo todo. Segundo a revista científica Lancet, o número pode ser três vezes maior do que o apurado.
O Brasil, que gosta de ser grande em tudo, incluindo o do desequilíbrio social e econômico, perdeu para os Estudos Unidosda América o posto de maior possuidor de mortos pela doença causada pela Covid. 10% das mortes ocorreram por aqui. 30 milhões de casos deixaram vários acometidos com sequelas pelo o resto da vida. Há dois anos, mal sabíamos todo o sofrimento que se desenrolaria graças a uma confluência de fatores, incluindo a péssima administração do governo central, entremeado por corrupção acobertada por orçamentos secretos, atraso na compra de vacinas e orações para o deus dinheiro.
Para o B.E.D.A., estou recolhendo notas dispersas por outras redes, como a marcar a passagem de eventos que ao reler, mesmo tendo passados poucos anos, acabo por me surpreender. Como o ciclo que vivemos é mais longo do que podemos mensurar, podemos perceber as sementes das ervas daninhas persistem em se procriar em variantes alienígenas/mutantes cada vez mais danosas.
Mesmo cansado, estou indo dormir tarde para ver Tom Hanks iluminar Filadélfia… “Miguel, estou pronto!”… Ao mesmo tempo, dá para perceber que muita coisa mudou, mas nem tanto que possamos dizer que nos tornamos melhor. E isso é tão triste…