08 / 10 / 2025 / Negacionismo*

Enquanto mangas que deveriam ser colhidas apenas a partir de Setembro caem bicadas por maritacas, a Amazônia e o Pantanal pegam fogo, produzindo mais gás carbônico do que recolhem do ar. A China e a Europa ficam inundadas por chuvas torrenciais, destruindo cidades e matando pessoas. Por aqui, o ex-ministro do Meio Ambiente, que deveria protegê-lo, está envolvido com o contrabando de madeira. O Brasil sempre carregou a marca da corrupção e da busca de benesses desde a carta de Pero Vaz de Caminha em que, junto ao anúncio da “descoberta” ao Rei da terra “em que se plantando, tudo dá”, pede um emprego para um parente. O que temos atualmente é um desgoverno propositalmente levado adiante por um Ignominioso Miliciano no Poder. Além da seca terrível ela qual o País passa, o desastre é que não temos perspectivas no horizonte enfumaçado porque isso interessa a muitos agentes dos dois lados — os que querem permanecer no poder e os que querem vê-lo desidratar para sucedê-lo. Caso contrário, não apoiariam a aprovação de um fundo partidário — que já é uma excrescência por si só — de quase 6 bilhões de Reais, enquanto falta dinheiro para o Censo Demográfico, sem o qual não sabemos como estamos como Sociedade. Traria a constatação de nossa decadência como Povo e isso faz parte do projeto negacionista.

*Texto de 21 de Julho de 2021

21 / 07 / 2025 / As Mangas*

Enquanto mangas que deveriam ser colhidas apenas a partir de Setembro caem bicadas por maritacas, a Amazônia e o Pantanal pegam fogo, produzindo mais gás carbônico do que recolhem do ar. A China e a Europa ficam inundadas por chuvas torrenciais, destruindo cidades e matando pessoas. Por aqui, o ex-ministro do Meio Ambiente, que deveria protegê-lo, está envolvido com o contrabando de madeira. O Brasil sempre carregou a marca da corrupção e da busca de benesses desde a carta de Pero Vaz de Caminha em que, junto ao anúncio da “descoberta” ao Rei da terra “em que se plantando, tudo dá”, pede um emprego para um parente.

O que temos atualmente é um desgoverno propositalmente levado adiante por um Ignominioso Miliciano no Poder. Além da seca terrível ela qual o País passa, o desastre é que não temos perspectivas no horizonte enfumaçado porque isso interessa a muitos agentes dos dois lados — os que querem permanecer no Poder e os que querem vê-lo desidratar para sucedê-lo. Caso contrário, não apoiariam a aprovação de um fundo partidário — que já é uma excrescência por si só — de quase 6 bilhões de Reais, enquanto falta dinheiro para o Censo Demográfico, sem o qual não sabemos como estamos como Sociedade. Traria a constatação de nossa decadência como Povo e isso faz parte do projeto negacionista.

* Texto de 2021, durante o (des)governo do Ignominioso Miliciano em que o projeto da Extrema-Direita evoluiu gradativamente em ações cada vez mais ousadas de destruição do sistema de controles que existia para equalizar as atividades ilícitas dos predadores então no Poder. Principalmente quanto os ataques ao Meio Ambiente. Os resultados vemos até hoje.

BEDA / Profissão: Brasileiro

Em Agosto de 2011, eu usei esta imagem acima, extraída de um grafite realizado num muro da minha região, como foto de perfil. Justifiquei desta forma: “Imagem de nossa identidade pública, por autor anônimo. Cá, para mim, a chamo de “Brasileiro, uma profissão”. Completei: “Usamos fantasias, jogamos jogos de azar, acendemos velas para falsos deuses, rimos sarcasticamente da nossa “má sorte” e empunhamos a bandeira nacional como um estandarte de guerra!”

Talvez eu já sentisse no ar a guerra surda nos bastidores do poder ou constatasse cabalmente que agíamos contra nós mesmos desde os lares mais simples até os mais glamourizados numa espécie de autossabotagem de nosso destino futuro — hoje. Industrialmente, pelejamos para derrubarmos as nossas melhores chances de melhorar a nossa qualidade de vida como um todo. Quem chegou ao patamar desejável de estabilidade parece ir contra quem queira alcançar esse status, como se não tivesse lugar para todos. Fruto do egoísmo, talvez, é uma opção burra em rumo ao nosso subdesenvolvimento permanente. E que foi transformado em projeto ideológico por parte da população.

Enquanto existem ilhas de bem-estar em vários setores sociais, há aquelas frequentemente açoitadas por tempestades e furacões. Não apenas no sentido figurado, mas igualmente literal, graças ao desequilíbrio ambiental, para qual estou atento há 50 anos, desde o começo da minha adolescência, com a produção de textos pessoais e redações escolares em que insistia mostrar a opção tenebrosa de trabalharmos contra a Natureza. É como se o fato de sermos “brasileiros” — atividade de extração do pau-brasil — se configurasse em um destino irreversível. Atualmente, já liquidamos com 1/3 da nossa cobertura vegetal original. Como fumantes inveterados, estamos queimando o nosso pulmão, a Amazônia. Ao mesmo tempo que reduzimos a cobertura aquática do Pantanal a 4% de antes (!).

Enquanto certos setores produtivos vinculados à produção de comodities jogam contra o patrimônio universal dos ricos biomas, respiramos um ar pior, seco e poluído. Vivemos um clima instável, em que somos impedidos de nos locomovermos por causa das enchentes. Isso, quando não perdemos a vida, simplesmente. Enfim, construímos o paraíso da barbárie na Terra. No chão e fora das cercas que impedem (aparentemente) que os moradores de condomínios sejam afetados, vivendo fora da realidade da maioria. Mas quando se aventuram fora da proteção ilusória, muitos acabam vítimas da violência por causa de suas próprias escolhas na manutenção do elitismo segregacionista, ainda que supostamente inconscientes.

Nunca fui tão pessimista num futuro incerto quanto à sanidade de nossa sociedade. Ainda que muitos de nós procuremos agir de maneira diferente, somos afetados pela produção avassaladora de um modelo de vida que nos levará à catástrofe. Só os loucos de pedra, sobreviverão…