BEDA / Quase Quebrado*

Quem disse que lavar roupa não é perigoso? Na quinta-feira, lavei roupa e a água que resultou da lavagem utilizei para lavar o chão da varanda do Boiler Laje, escadas e churrasqueira. Após terminar uma parte, lá estou eu de chinelão, distraído, a descer, quando piso errado na escada escorregadia e de uma queda vou ao chão, quatro metros abaixo, batendo costas, pernas e braços até o final dos degraus. Não bati a cabeça porque o judô praticado na infância sempre me ajudou a protegê-la em todas as muitas quedas desde então. Acudiu-me uma cavalheira, a Lívia e um cavalheiro, Pablo, seu namorado. Pensei que houvesse apenas escoriações superficiais, mas à noite não consegui dormir direito devido às dores que surgiram depois. Hoje, estou melhor. Mas tive que reviver na boca da Tânia, da Romy e da Ingrid, além da Lívia, poucas e boas. Acabei por me lembrar da minha mãe, Dona Madalena, que ralhava comigo todas as vezes que eu aparecia “quebrado” em casa por causa de carrinho de rolimã, patins ou futebol em campo de várzea ou quadra. Quase cheguei a confundir a dor aguda e passageira do corpo com a dor tênue e permanente da saudade. Se chorasse, talvez fosse mais pela última…

*Texto de Agosto de 2020

18 / 08 / 2025 / BEDA / Luz

Há dias de luz que nos ofuscam a visão
Enquanto estamos quase cegos
Sombras nos cercam como que atraídas
Para o abismo que nos tornamos
Antes, evitava pensar estando assim
Agora prefiro mergulhar em queda livre
Penetrar em profundidade no meu eu
Saborear a falta de referências sobre a vida
Beijar a possibilidade da morte na boca
Fazer amor com o obscuro e a impermanência
Num triângulo amoroso com a imortalidade
Voltar a respirar acima da superfície
Me assenhorar de mim e dizer simplesmente
Sim!

22 / 07 / 2025 / Tempos

Passou-se todo um dia.
Do cinza à cor,
caminhou os meus olhos
pelo horizonte diverso.
Registro de tons e dons,
com quantos tempos se faz um dia?

Caçar com os olhos.
Arrebatar com a retina.
Beijar a tarde em queda.
Amar em cores.
A rima fica por conta da beleza…

BEDA / Luz & Sombra

Há dias de luz que nos ofuscam a visão
Enquanto estamos quase cegos
Sombras nos cercam como que atraídas
Para o abismo que nos tornamos
Antes, evitava pensar estando assim
Agora prefiro mergulhar em queda livre
Penetrar em profundidade no meu eu
Saborear a falta de referências sobre a vida
Beijar a possibilidade da morte na boca
Fazer amor com o obscuro e a impermanência
Num triângulo amoroso com a imortalidade
Voltar a respirar acima da superfície
Me assenhorar de mim e dizer simplesmente
Sim!

Versos Perdidos

Vendedor De Flores (2020)

Volto para a casa – Avenida dos Bandeirantes.
Hoje, noite de sexta, como todas as noites, antes,
um garoto a vender flores na chuva, encharcado.
Caminha entre os carros, passo largo, trânsito parado.
Investe em quem tenha algum desses sentimentos:
saudade, amor, carinho, culpa ou arrependimento…

Foto por Larbigno u2022 em Pexels.com

Eu, em foto de Outubro de 2023

Chovi (2011)

Nesta tarde, também chovi
Eu e a água lá fora percorremos
O caminho inevitável da queda
Do nosso lar etéreo até a pedra
Fria do chão do desassossego…